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Yo Fordelone: Você não precisa ser o herói da própria carteira

O brasileiro quer ser o herói da própria carteira, mas muitas vezes não tem nem tempo pra fazer a marmita


Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Planejadora financeira com certificação CEA (Anbima), Yo Fordelone é formada em economia e jornalismo. Investidora qualificada, alcançou a sua independência financeira aos 36 anos. Em seu Instagram, ajuda outras pessoas a conseguirem mais tempo e liberdade.


Temos a estranha mania de tentar dar conta de tudo. Queremos economizar levando marmita pro trabalho, dar conta de fazer exercícios regularmente, cultivar nossas maus diversas amizades e ainda gerir a própria carteira de investimentos.

Na área de investimentos, ser o gestor da própria carteira envolve escolher a ação certa, além de cronometrar a entrada e a saída do papel, só que na prática, para a maioria das pessoas mal sobra tempo pra fazer o básico.

O brasileiro quer ser o herói da própria carteira, mas muitas vezes não tem nem tempo pra fazer a marmita.

Se desiste da ideia de fazer ele mesmo a gestão das ações, terceiriza a heroificação pra um gestor, geralmente de fundo ativo.

A Anbima calcula um patrimônio líquido de quase R$ 687 bilhões na indústria de fundos de ações. Desse total, somente R$ 13,9 bilhões (ou 2%) são classificados como fundos indexados (fundos que seguem algum índice como Ibovespa ou IBRX-100 e poderiam ser considerados passivos).

A esmagadora maioria dos investidores e da indústria tenta bater a média, mas não consegue. Vários estudos mostram isso nos EUA, mas falando especificamente do Brasil, a S&P calcula que em uma janela de 10 anos 67,4% dos fundos de ações de grandes empresas locais não conseguiram superar a rentabilidde do índice S&P Large Cap.

Ou seja, ter uma gestão ativa na carteira, seja própria ou via fundos, pode até nos dar a sensação de controle e de estar vencendo o mercado, mas em muitos casos é ineficiente.

Nos Estados Unidos essa conversa já avançou: escolher ativo por ativo deixou de ser o centro da estratégia de muita gente. O foco virou escolher a exposição certa — um setor, um país, um fator de risco — através de ETFs.

Seria o fim do asset alocation? Talvez não, mas o início da mudança da pergunta que fazemos ao investir: em vez de “qual ação vai subir mais”, virou “que tipo de risco eu quero carregar”. Essa lógica está chegando com força por aqui também.

Assim como vivemos uma explosão de fundos imobiliários há alguns anos, a nova onda que se desenha (no mundo e no Brasil) é o investimento via ETFs.

Isso não significa abandonar a ideia de entender investimento. Significa parar de confundir “entender o jogo” com “ser o herói que escolhe cada lance sozinho”. Até porque existem pelo menos 3 tipos de ETFs:

  • Passivos: ETFs que seguem índices amplamente conhecidos, como o próprio Ibovespa
  • Smart beta: fundos que seguem índices com critérios de seleção e ponderação diferentes da tradicional regra de capitalização. Muitas vezes o índice é até criado para o ETF conseguir seguir o critério de forma mais transparente. Por exemplo, eles podem investir em empresas com base no retorno de dividendos.
  • Ativos: Selecionam as ações sem seguir critérios específicos

Dá pra ter estratégia e consciência de risco e ainda assim delegar a execução pra um instrumento mais simples e mais barato que um fundo ativo tentando, e estatisticamente falhando, bater o mercado.

Não precisa ser o gestor. Precisa saber o que quer da própria carteira. Para o resto, tem instrumento pra isso.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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