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7 fatos ou frases que resumem o mercado financeiro na primeira semana de abril

Avaliação do BC que novo arcabouço é 'superpositivo' foi o destaque. Semana teve ainda medidas para elevar arrecadação, polêmicas na Petrobras e alterações no saneamento

Ações; Trade. Foto: Adobe Stock
Apesar da declaração ser obrigatória no IRPF, o pagamento dos impostos dessas operações deve ser feito mensalmente. Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

“Nada como um dia após o outro”. O ditado popular caiu como uma luva nesta semana, após o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, reconhecer o esforço da equipe econômica e do governo em relação ao novo arcabouço fiscal. Enquanto isso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, corre contra o tempo para colocar de pé medidas que impulsionem a arrecadação e viabilizem a nova regra.

Enquanto no quesito regras fiscais o cenário parece pacificado, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, colocou no colo da Petrobras mudanças na política de preços dos combustíveis pela estatal. “O tal PPI [preço por paridade de importação] é um verdadeiro absurdo”, disse. No saneamento, mudanças no marco legal parecem dividir os analistas. 

No cenário do mercado, tivemos o acordo entre a Natura&Co e a L’Oréal para a venda da Aesop por US$ 2,53 bilhões. E uma entrevista para ajudar os investidores a navegar nas águas não tão calmas da renda fixa. Acompanhe, a seguir, as 7 notícias e frases da semana que resumem estes últimos dias:

1. “NOSSA AVALIAÇÃO É SUPERPOSITIVA, RECONHECEMOS O ESFORÇO” 

(Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central)

A fala mais icônica da semana partiu do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que reconheceu o esforço do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do governo em relação à proposta de arcabouço fiscal. Ele classificou o projeto como “superpositivo” e disse que evita uma trajetória “explosiva” para a dívida pública.

O dirigente do BC afirmou, no entanto, que não existe uma relação mecânica entre a política fiscal e a taxa de juros. Portanto, segundo ele, as regras apresentadas não garantem, uma queda imediata da Selic, que está atualmente em 13,75% ao ano.

Fernando Haddad e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, se encontraram nesta semana para discutir os últimos detalhes da proposta do arcabouço fiscal. O texto será enviado para o Congresso até o dia 15 de abril. 

2. “NOVA REGRA TEM POTENCIAL PARA REDUZIR INFLAÇÃO E JUROS”

(Tiago Sbardelotto, economista da XP e especialista em contas públicas)

Em entrevista ao B3 Bora Investir, o economista da XP e especialista em contas públicas, Tiago Sbardelotto, explicou que um país com regras fiscais ajustadas tende a ter uma inflação controlada e juros mais baixos

No entanto, só o arcabouço fiscal não é suficiente para impulsionar a economia do país. A busca por um sistema tributário mais justo e com melhor eficiência, aliado às medidas de elevação da produtividade, também precisa fazer parte da agenda de crescimento.

3. “QUALQUER QUE SEJA O PARÂMETRO DO ARCABOUÇO NO ANO QUE VEM, ENTRE R$ 110 E R$ 150 BILHÕES, VOCÊ ZERA O DÉFICIT”.

(Fernando Haddad, ministro da Fazenda)

A cifra entre R$ 110 bilhões e R$ 150 bilhões citada pelo ministro da Fazenda é o montante que o governo pretende recolher com medidas para impulsionar a arrecadação e viabilizar as metas contidas no novo arcabouço fiscal.

As principais propostas que devem ser anunciadas em breve para aumentar a arrecadação e zerar o déficit público em 2024 são:

  • proibição de que empresas com incentivos fiscais concedidos por estados (via ICMS), possam abater esse crédito da base de cálculo de impostos federais (IRPJ e Contribuição sobre Lucro Líquido – CSLL);
  • taxar os e-commerces que driblam as regras da Receita Federal e não pagam impostos;
  • tributar as apostas eletrônicas – chamadas de “sport betting.

“Não é justo não tributar uma atividade que muitas pessoas nem concordam que exista no Brasil. Se é uma realidade no mundo virtual nada mais justo que a Receita tributar”, afirmou Fernando Haddad.

4. “O TAL PPI [PREÇO POR PARIDADE DE IMPORTAÇÃO] É UM VERDADEIRO ABSURDO”.

(Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia)

A semana que parecia calma e com ânimos contidos foi impactada pela declaração do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Ele confirmou que haverá mudança na política de preços dos combustíveis praticada pela Petrobras, com a adoção de diretrizes baseadas no mercado interno, e não no exterior. 

A estatal, no entanto, comunicou que não recebeu qualquer proposta do Ministério das Minas e Energia (MME) a respeito da alteração da sua política de preços e reafirmou o compromisso com a prática atual.

As declarações, claro, tiveram impacto direto nas ações da Petrobras. Os papéis – após operarem no negativo durante toda a quarta-feira, 05/04 – conseguiram fechar o dia com leve alta. A Bolsa do Brasil (B3) encerrou o penúltimo pregão da semana em queda. 

5. MUDANÇAS NO MARCO DO SANEAMENTO

As mudanças no Marco do Saneamento decretadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcaram a semana mais curta, por conta do feriado do Páscoa. 

O novo texto facilita a permanência de empresas estatais que não conseguiram atingir a meta de universalização dos serviços no ano passado. Pela nova norma, foi extinto também o limite de 25% do contrato de concessão ser subdelegado para PPPs (Parcerias Público-Privadas). Agora, não há um limite para esse tipo de parceria.

Para especialistas consultados pelo jornal ‘O Globo’ há dois pontos polêmicos: a possibilidade de empresas estaduais prestarem o serviço em áreas metropolitanas, aglomerados urbanos e microrregiões sem necessidade de licitação, e a permissão para a regularização de contratos precários.

6. NATURA VENDE AESOP PARA A L’ORÉAL 

O destaque do setor empresarial nesta semana foi o acordo entre a Natura&Co e a L’Oréal para a venda da marca australiana de luxo Aesop por US$ 2,53 bilhões. O principal objetivo da venda é investir os recursos em uma melhora do fluxo da caixa da Natura e ajudar na integração da marca com a Avon na América Latina.

A Aesop fazia parte do grupo Natura desde 2012 e suas vendas aumentaram de US$ 28 milhões no primeiro ano para US$ 537 milhões em 2022. O mercado estava em compasso de espera para a venda da marca, que vai ajudar a Natura em sua reestruturação financeira.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico e ao Pipeline, o CEO da Natura &Co, Fábio Barbosa, disse que está focado na caminhada à frente, com um passo de cada vez. “Eu não me importo de ter problemas para resolver. Mas não velhos problemas. Agora vamos aos novos problemas”, disse Barbosa.

7. COMO NAVEGAR COM CUIDADO NA RENDA FIXA?

Essa pergunta foi respondida em uma entrevista do B3 Bora Investir com Marília Fontes, sócia da casa de análises Nord e autora do livro “Renda fixa não é fixa”

Para a mestre em Economia pelo Insper, os títulos do Tesouro Nacional e tesouro americano devem entrar definitivamente no foco do investidor em um cenário de turbulências como o atual. Contudo, títulos privados podem gerar oportunidades em um potencial ciclo de queda de juros: basta fazer a análise correta sobre cada um deles.

Marília Fontes também falou sobre reserva de emergência e apontou entre as alternativas para montá-la o ETF do Tesouro Selic e CDBs de liquidez diária de grandes bancos. 

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