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Ao lado de Biden, Lula pretende criar marco para novas formas de trabalho

Na ONU, os líderes anunciaram cooperação focada em trabalhadores de aplicativo

Fotografia do presidente dos EUA, Joe Biden, segurando a mão do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva
O presidentes dos EUA, Joe Biden, e o do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Foto: Ricardo Stuckert

Por Redação B3 Bora Investir

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou, nesta quarta-feira, 20/09, ao lado do presidente americano, Joe Biden, em criar “um novo marco de funcionamento na relação capital e trabalho”. Ele deu a declaração ao mencionar os aplicativos como os de entrega, que usam serviços de trabalhadores sem vínculo empregatício.

“Queremos criar, quem sabe, um novo marco de funcionamento na relação capital e trabalho. Uma relação do século 21, civilizada”, declarou o petista. Ele e Biden estão em Nova York por causa da Assembleia-Geral da ONU, mas também tiveram reunião bilateral.

A conversa foi parte da construção de uma iniciativa dos dois presidentes para promover o que Lula tem chamado de “trabalho decente”. Mais cedo, eles divulgaram uma declaração conjunta sobre a “Parceria pelo Direito dos Trabalhadores e Trabalhadoras”.

Lula disse estar se empenhando para construir outro país, e que a transição energética é uma oportunidade para a reindustrialização. “Vamos fazer da transmissão energética uma oportunidade extraordinária para reindustrializar e, quem sabe, fazer com que os empregos virem empregos de qualidade”, declarou o presidente brasileiro.

Cooperativa internacional

O presidente brasileiro disse que ele e Biden promoverão a iniciativa em todos os fóruns internacionais. O brasileiro citou o G20, o Brics e até a Conferência do Clima com o exemplos de espaço onde tentarão disseminar a ideia.

“Em todos esses fóruns, pode estar certo que nós estaremos trabalhando e tentando criar condições para que todo governante do mundo aceite um protocolo como esse que estamos assinando aqui”, disse o presidente brasileiro.

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Lula disse que, quando entrou no movimento sindical, não imaginava que um dia estaria ao lado do presidente americano anunciando uma iniciativa para promover condições de trabalho. “Sobretudo nesse mundo digitalizado em que a inteligência artificial fala muito mais poderosamente do que qualquer outra coisa”, disse ele.

“Sabemos o que aconteceu com a política neoliberal do mundo. O saldo é que nós temos hoje 2 bilhões de trabalhadores que estão no setor informal segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, declarou o petista.

Novas formas de trabalho

O objetivo da iniciativa é obter resultados práticos em termos de melhora nas condições trabalhistas face aos desafios atuais. São eles: acabar com a exploração dos trabalhadores, incluindo o trabalho forçado e o infantil; aumentar a responsabilização nos investimentos públicos e privados; a transição para energias limpas; tecnologia e transições digitais, incluindo a ‘gig economy’ que compreende os aplicativos de transportes; combater a discriminação no local de trabalho, especialmente para mulheres, LGBTQI+ e grupos raciais e étnicos marginalizados.

A iniciativa começa entre Brasil e EUA, mas o objetivo é atrair a adesão de mais países. Nesse sentido, o tema deve ser encabeçado por ambos os países em fóruns multilaterais como G20, grupo que reúne as maiores economias do mundo, COP28 e COP30.

A parceria dos EUA e Brasil na questão trabalhista amplia a relação bilateral entre os dois países depois de desgastes por conta de temas como a guerra na Ucrânia, na qual afirmações do petista teriam incomodado a Casa Branca, suas críticas em relação à dominância do dólar no mundo e a Amazônia. O primeiro encontro entre Lula e Biden aconteceu em fevereiro, na Casa Branca, em Washington. De lá para cá, contudo, a relação passou por altos e baixos por conta de temas que opõem os dois países.

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Lula desembarcou em Nova York no último sábado, dia 16, para participar da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em paralelo, teve uma série de reuniões bilaterais. Foram cerca de 50 pedidos, segundo assessores. Além de Biden, Lula se reúne hoje ainda com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky e tem encontros agendados com o Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, e o presidente do Paraguai, Santiago Peña.

O presidente brasileiro antecipou a sua volta ao Brasil e parte de Nova York na noite desta quarta-feira. Inicialmente, havia a previsão de que Lula fosse embora apenas amanhã, após uma coletiva de imprensa. No entanto, o petista teria alegado dores e cansaço como a principal razão para a sua volta antecipada. No fim do mês, Lula fará uma terceira cirurgia no Brasil para tratar de uma dor crônica.

*Agência Estado

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