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O que é Brics, quando surgiu e qual o seu objetivo?

O grupo de países conhecido como Brics voltou a assumir relevância no noticiário econômico; veja por quê

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidentes dos países amigos do BRICS, posam para foto oficial após a reunião do grupo, no Sandton Convention Centre, em Joanesburgo.
O Brics é um grupos de países em desenvolvimento que busca coalizão política e desenvolvimento econômico Foto: Ricardo Stuckert / PR

Por Guilherme Naldis

No tabuleiro de xadrez da política internacional, alguns países se unem em blocos econômicos para fortalecer seus negócios. Outros preferem formar alianças com os vizinhos do continente para alcançar objetivos políticos comuns. E no meio da disputa de interesses entre as nações, uma coalizão de países emergentes volta a ganhar destaque no noticiário internacional: o Brics.

Cada um dos países membros do bloco tem uma economia de destaque em suas respectivas regiões, ainda que não tenha alcançado a marca do pleno desenvolvimento econômico. Por isso, se uniram em uma coalizão de ajuda econômica mútua e de articulação política para defesa dos interesses do grupo. Bora entender!

O que é o Brics?

O Brics é um mecanismo internacional de cooperação entre os cinco países que o integram. O grupo econômico cumpre um papel importante na busca por reformas da governança global, visto que o objetivo inicial da coalizão não era econômico, mas político. 

“É um fórum relevante para se discutir e alinhar posições em temas chave de ordem global, o que não significa que haja consenso entre eles em todas as agendas”, afirma Roberto Goulart Menezes, professor de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB)

Quem faz parte do Brics?

O nome é uma sigla formada pelas letras iniciais em inglês dos países que compõem o bloco. Eles são o Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (que começa com A, em português, mas no inglês se diz South Africa). 

A cada ano, o grupo se reúne para discutir assuntos do seu interesse. Na última edição da Cúpula do Brics, os cinco membros oficiais convidaram seis novos países para integrar a coalizão. Eles são a Arábia Saudita, a Argentina, o Egito, os Emirados Árabes, a Etiópia e o Irã.

A escolha dos novos membros visa a expansão do bloco e a formação de uma base de pressão em fóruns mundiais, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Outros pontos são a pacificação das regiões em que os países estão inseridos e o fortalecimento do Banco do Brics. 

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Quando o Brics surgiu?

O termo foi mencionado pela primeira vez em 2001, em um relatório do Goldman Sachs assinado pelo então economista-chefe do banco, Jim O’Neill. O texto levava o título de “Building Better Global Economic BRICs”, que significa “Formando Melhores Tijolos para a Economia Mundial”, em uma tradução livre. 

No relatório, O’Neill apontava que os quatro países emergentes do grupo original (Brasil, Rússia, Índia e China) possuíam características socioeconômicas comuns e tinham potencial para investimento e crescimento nos anos futuros.

O termo ganhou popularidade com o tempo e, em 2009, o grupo foi criado oficialmente durante a primeira cúpula, que aconteceu na Rússia. À época, somente os quatro países mencionados no relatório de O’Neill enviaram seus chanceleres à reunião. No terceiro encontro da coalizão, em 2011, a África do Sul passou a fazer parte. 

Por que o Brics foi criado?

O objetivo inicial da criação do Brics foi coordenar posições na reforma do Fundo Monetário Internacional (FMI). Era uma resposta aos efeitos da crise financeira de 2008 e seus eventuais impactos nos países emergentes. Em 2010, a primeira reestruturação das cotas do FMI aconteceu, e os Brics tiveram êxito em sua estratégia. 

“No entanto, a segunda parte da reforma do FMI está parada no Congresso dos EUA desde 2012. Diante deste impasse, os cinco membros do Brics decidiram criar o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD, o Banco do Brics), em 2014, que está sediado em Xangai”, relembra Menezes. 

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Desde então, o Brics tem estreitado os laços de confiança entre os seus integrantes, ainda que haja muita discordância política e econômica no grupo. 

Entretanto, o grupo falhou no que diz respeito às expectativas de crescimento e retornos financeiros que estavam projetados pelo relatório do Goldman Sachs. No texto, o economista previa que as economistas crescessem rapidamente nos anos seguintes. “Em 2009, quando o Brics foi criado, o PIB da China era um décimo do que é hoje. Já Brasil, Rússia, Índia e África do Sul possuem quase o mesmo PIB de dez anos atrás”, aponta o professor da UnB.

Qual o objetivo do Brics?

Hoje, a agenda do Brics  está focada:

  • No financiamento ao desenvolvimento sem condicionalidades cruzadas (como as exigências que o FMI e o Banco Mundial fazem ao ceder crédito);
  • No combate às mudanças climáticas e no fortalecimento da transição energética; e
  • Na busca de equidade nos organismos internacionais.

Além disso, o grupo também procura se desvencilhar dos organismos financeiros globais tradicionais, como o FMI e o Banco Mundial, por meio do fortalecimento do NBD. O novo banco foi fundado em 2014, durante a cúpula do Brics realizada em Fortaleza (CE), com o objetivo de financiar projetos de infraestrutura nas economias emergentes e em desenvolvimento, sejam elas parte do grupo ou não.

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Segundo Carla Beni, professora de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o banco dos Brics é o protagonista do novo momento do bloco. “Há um novo frescor para se repensar o modelo do grupo e, principalmente, aumentar a base do banco com os novos integrantes que também contribuirão com os fundos da instituição”, diz. 

Ela explica que, por trás de tudo isso, há o desejo de quebrar a dependência que a economia global tem com os Estados Unidos e de sua moeda, o dólar. “O processo de desdolarização é um processo lento e complexo, mas muito interessante para os países. Uma moeda digital, por exemplo, que seja exclusiva para importações e exportações, seria um instrumento de troca do grupo que não passaria pela conversão do dólar”, explica a economista.

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