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Ata do FED sinaliza novas altas de juros para conter a inflação

Apesar da desaceleração dos preços nos últimos três meses, banco central americano afirmou que ainda não há evidências de uma perda de ritmo sustentada da inflação

Jerome powell recessão do Estados unidos pode impactar no bolso do investidor
O presidente do Fed, o Banco Central dos EUA, Jerome Powell. Foto: Susan Walsh via REUTERS

Por Redação B3 Bora Investir

O Federal Reserve (Fed) divulgou nesta quarta-feira, 22/02, a ata da sua última reunião de política monetária realizada entre 31 de janeiro e 01º de fevereiro deste ano. No documento, os dirigentes do banco central americano afirmaram que embora quase todos apoiassem uma redução no ritmo de aumentos dos juros – diante da queda da inflação nos últimos três meses – ainda não há evidências de que a trajetória de baixa leve os preços para a meta de 2%.

“Os participantes observaram que uma postura de política restritiva precisaria ser mantida até que os dados recebidos fornecessem confiança de que a inflação estava em uma trajetória descendente sustentada para 2%, o que provavelmente levaria algum tempo”, afirma um trecho da ata.

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O documento também trouxe a informação de que “quase todos” os membros do comitê concordaram que era apropriado aumentar os juros em 0,25 ponto percentual, mas “alguns” eram a favor de um aumento maior, na casa do 0,50 ponto percentual.

A ata indicou ainda que os membros do banco central americano estavam mais preocupados com o risco de a inflação permanecer elevada, do que com a economia desacelerando ou entrando em recessão.

“Os participantes observaram que os riscos ascendentes para as perspectivas de inflação continuaram sendo um fator-chave para moldar as perspectivas de política, e que manter uma política restritiva até que a inflação esteja claramente em um caminho para 2% é apropriado de uma perspectiva de gerenciamento de risco”, disse a ata.

Mercado eleva estimativa de inflação e PIB para 2023

No início do mês, o Fed elevou a taxa básica de juros dos Estados Unidos para o intervalo entre 4,50% e 4,75%. O movimento menor veio após um aumento de 0,5 p.p. em dezembro e quatro aumentos 0,75 p.p. antes disso.

Possibilidade de recessão segue elevada

Os membros do Federal Reserve também afirmaram que a possibilidade da economia dos Estados Unidos entrar em recessão permanece elevada. A estimativa ocorre apesar dos indicadores da economia norte americana estarem melhores do que o esperado no início de 2023.

“Os dirigentes concordaram que os riscos para a perspectiva de atividade econômica estão apontados para baixo, com a probabilidade da economia entrar em recessão em 2023 ainda elevada. (…) [O PIB americano precisa desacelerar] para trazer a demanda agregada a um melhor equilíbrio com a oferta e, assim, reduzir as pressões inflacionárias”, conclui a ata.

Para Pedro Paulo Silveira, diretor de Gestão de Recursos da Nova Futura, pelo comportamento do mercado, a ata da reunião não trouxe um choque de surpresa.

“A visão do futuro próximo continua a de um ‘futuro quântico’: com risco de inflação pelo fato da economia estar forte e, ao mesmo tempo, com risco de recessão, pelos efeitos esperados do aperto monetário – que vem da alta das taxas de juros e da redução da posição de títulos do FED (contração monetária)”, afirmou.

Economia americana segue forte

Nesta terça-feira, 21/02, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) composto dos Estados Unidos – que inclui a atividade econômica dos setores industrial e de serviços – avançou de 46,8 em janeiro para 50,2 em fevereiro. É a maior nível da atividade em oito meses, segundo a S&P Global.

A leitura mostra que a economia americana segue forte apesar do aperto da política monetária do Fed. O resultado é mais um indicador que abre caminho para que o banco central americano suba ainda mais os juros.

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