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Desemprego cai para 9,3% em 2022 puxado pela informalidade recorde

Apesar de ser a menor taxa média anual desde 2015, o país ainda tinha 8,6 milhões de desempregados no 4º trimestre. Informalidade bateu recorde: 12,9 milhões de brasileiros

Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
Nível de desemprego se manteve estável diante do mês anterior. Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 7,9% no 4º trimestre de 2022 – abaixo do verificado nos três meses anteriores (8,7%) e do igual período de 2021 (11,1%). Com o resultado, a taxa fechou o ano em 9,3% – o menor valor desde 2015. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta terça-feira, 28/01, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Gráfico com taxa de desemprego do Brasil
EVOLUÇÃO DA TAXA DE DESEMPREGO – 2022
Fonte: IBGE

A coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy, explica que o resultado confirma um mercado de trabalho com tendência de recuperação ao ultrapassar o patamar pré-pandemia.

“O ano de 2021 foi de transição, saindo do pior momento da série histórica, sob o impacto da pandemia e do isolamento ocorrido em 2020. Já 2022 marca a consolidação do processo de recuperação. Em dois anos, a desocupação do mercado de trabalho recuou 4,5 pontos percentuais”, explica.

Apesar da melhora no mercado de trabalho, a taxa de desemprego ainda está acima do menor nível da série histórica do IBGE que foi atingido em 2014 (6,9%). (acompanhe no gráfico)

EVOLUÇÃO DA TAXA DE DESEMPREGO – ANUAL
Fonte: IBGE

Mesmo com a forte desaceleração da taxa de desemprego, o Brasil encerrou o ano com 8,6 milhões de desempregados no último trimestre – uma queda de 9,4% na comparação com os três meses anteriores. Em um ano, são 3,4 milhões de desocupados a menos no mercado de trabalho brasileiro.

Com mais gente trabalhando, a população ocupada atingiu 99,4 milhões no 4º trimestre – estabilidade em relação aos três meses anteriores. Na média anual, a ocupação chegou ao maior resultado da série histórica, iniciada em 2012, com 89,6 milhões de pessoas. É um crescimento de 7,4% em relação a 2021.

Informalidade bate recorde e emprego com carteira avança

O avanço do emprego sem carteira assinada teve o principal impacto na melhora do desemprego no ano passado. Segundo o IBGE, 12,9 milhões de pessoas estão na informalidade – maior patamar desde o início da série histórica há uma década.

O número de trabalhadores domésticos atingiu 5,8 milhões – avanço de 12,2% em 2022. Alta também nos brasileiros que trabalham por conta própria: 25,5 milhões – avanço de 2,6% no ano passado.

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O emprego com carteira também avançou forte no ano passado – alta de 9,2% com 35,9 milhões de brasileiros com trabalho formal. Segundo a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, o resultado consolida uma reversão da tendência iniciada em 2021.            

“Nos últimos dois anos, é possível visualizar um crescimento tanto do emprego com carteira quanto do emprego sem carteira. Porém, é nítido que o ritmo de crescimento é maior entre os sem carteira assinada”, afirma Adriana Beringuy.

Renda média avança no 4º trimestre, mas recua no ano

A renda média dos trabalhadores brasileiros avançou 1,9% no 4º trimestre de 2022, ante o anterior, e ficou em R$ 2.808. Apesar da melhora, no ano, houve um recuo de 1% frente à média de 2021 com ganhos de R$ 2.715.

Serviços e comércio puxam retomada do emprego

O crescimento do mercado de trabalho no ano passado se deu principalmente pelo aumento de 9,4% no comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas. São 18,9 milhões de pessoas que trabalham nesse setor.

Já a atividade que engloba “outros serviços” foi a com maior percentual de aumento da população ocupada, 17,8%, atingindo 5,2 milhões de trabalhadores. A segunda maior alta foi de alojamento e alimentação, que cresceu 15,8% e viu o contingente de pessoas ocupadas atingir 5,4 milhões.

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Desalentados e mão de obra desperdiçada

Em 2022, o número de brasileiros desalentados – que desistiram de procurar emprego – somou 4,3 milhões – uma queda 19,9% em relação a 2021. A maior estimativa para essa população ocorreu em 2020 (5,5 milhões) e a menor, em 2014 (1,5 milhão).

Já os trabalhadores subutilizados eram 24,1 milhões em 2022 – queda de 23,2% frente ao ano anterior. Apesar da redução, esse contingente está 54,7% acima do menor nível da série, atingido em 2014 (15,6 milhões).

Os subtilizados também são chamados de ‘mão de obra desperdiçada’. Eles compreendem os desempregados, pessoas que trabalham menos horas do que gostariam e as que não buscam emprego, mas gostariam de trabalhar.

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