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Diferença de juros entre Brasil e EUA é a menor em 3 anos; entenda os impactos

Amplitude entre os juros dos EUA e a Selic tem aumentado, o que pode prejudicar o real e beneficiar a renda variável

Rolo de cédulas de Real cruzada sobre notas de Dólar
Real é a 7ª moeda mais valorizada em 2023; veja o ranking. Foto: Adobe Stock

Por Guilherme Naldis

A diferença entre a taxa básica de juros básicos do Brasil, a Selic, e dos Estados Unidos, os Fed Funds, alcançou o menor patamar em mais de três anos. Hoje, a amplitude entre os dois indexadores é de 6,25%, visto que a Selic está na casa dos 11,75% enquanto os juros americanos estão em 5,50%. Com a aproximação gradual e constante destes benchmarks, a tendência é que a cotação do real seja penalizada, segundo os especialistas ouvidos pelo Bora Investir

A última vez em que a diferença entre a Selic e os Fed Funds foi tão pequena aconteceu em agosto de 2020, quando a amplitude era de 1,75%. Àquela época, a taxa básica de juros do Brasil era de 2%, enquanto a americana era  Funds estava em 0,25%. Os dados foram levantados pela Investing.com com exclusividade para o Bora

Veja no gráfico:

Gráfico selic fed diferencial de juros
A amplitude entre as duas taxas está no seu menor patamar em três anos

O diferencial entre os juros é um dos fatores determinantes para a decisão de investimentos estrangeiro no mercado financeiro brasileiro, o que pode afetar o apetite ao risco do investidor internacional com o nosso mercado. 

O que a aproximação dos juros significa?

Segundo Ricardo Martins, economista na Planner, a queda na amplitude pode ser um limitador para o mercado nacional. “O investidor internacional pode aumentar o interesse pelos EUA, já que é a maior economia do mundo e o risco soberano é muito baixo perto do Brasil”, diz. 

Os juros sempre são relativos, nas palavras da economista-chefe da Rico, Rachel de Sá. Portanto, para compensar o risco soberano do Brasil, é necessário que os juros por aqui estejam mais altos de maneira a compensar o risco natural do País e fazer com que os investimentos aqui sejam interessantes para o investidor estrangeiro. 

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“Se os EUA estão pagando juros X, quem é o Brasil na fila do pão para oferecer juros menores?”, diz a economista.

A aproximação das taxas de juros dos países pode levar a uma saída de investimentos do Brasil em direção aos EUA. Com menos dólares no mercado nacional, esse efeito pode ser transmitido no câmbio, na medida em que a situação tende a beneficiar o dólar em detrimento do real. 

“Por enquanto, essa situação ainda não se evidencia por conta dos bons resultados de nossas transações correntes e da balança comercial”, diz o Martins, da Planner.

Juros permanecem altos

No comparativo, a diferença entre os dois benchmarks ainda é muito elevada, explica Carla Beni, professora de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV). “Há uma redução na amplitude que se iniciou há um ano, que pode reduzir uma operação chamada carry trade”, afirma.

O que é carry trade?

Carry trade é uma aplicação em que o investidor compra a moeda de um país a uma determinada taxa de juros e vende a divisa em outro mercado, com um juro terminal maior. “Ou seja, você lucra ao vender o dólar no Brasil, onde a taxa Selic está relativamente maior”, diz Beni. É uma operação de natureza especulativa, que deve começar a ser reduzida no momento atual, explica Beni. 

Menos renda fixa, mais renda variável

Quando a diferença entre a Selic e os Fed Funds cai, abre-se a possibilidade de novos investimentos na economia real – produtora de bens e serviços – segundo a professora. Para ela, esse equilíbrio entre as taxas é um dos muitos fatores que vai acabar contribuindo para as decisões de investimento que não são especulativas, “e é o que realmente importa para o Brasil”, diz. 

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