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Entenda na prática qual é o impacto da queda dos juros no nosso dia a dia

Selic mais baixa reduz taxas de empréstimos, melhora o consumo, o fluxo de investimentos e as contas públicas. Apesar do corte, Brasil ainda tem a maior taxa de juros real do mundo

Calculadora azul apoiada em fundo claro apresenta a escrita "Juros" no visor. Foto: Adobe Stock
A definição clássica dos juros diz que eles representam o valor do dinheiro ao longo do tempo. Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

A economia brasileira acordou nesta quinta-feira, 03/08, meio ponto porcentual mais leve. A sensação de alívio veio com a decisão do Comitê de Política Monetária, que cortou a taxa básica de juros nessa magnitude e levou a Selic para 13,25% ao ano.

O colegiado indicou no comunicado, após a reunião, que novos cortes de 0,5 ponto são esperados. E que “a magnitude total do ciclo”, ou seja, até quanto a Selic pode cair, “dependerá da evolução da dinâmica inflacionária”.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comemorou e disse que o voto de Roberto Campos Neto, a favor da redução maior, teve um caráter técnico. “O presidente do BC votou com aquilo que ele conhece de economia”.

Diante do início do afrouxamento monetário, a pergunta agora é qual o impacto da queda dos juros na economia real, ou seja, no nosso dia a dia?

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Como a Selic afeta a nossa vida?

A Selic mais baixa pode influenciar os bancos a reduzirem as suas taxas de empréstimos. Ontem mesmo, após a decisão, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal anunciaram a queda das suas taxas em algumas modalidades de crédito.

Além disso, antes mesmo do início do corte, em junho, os juros médios dos bancos recuaram de 45,4% para 44,6% ao ano, segundo o Banco Central. Foi a primeira queda neste ano.

A Selic mais baixa, portanto, estimula uma melhora no orçamento dos brasileiros que precisam tomar empréstimos. Essa mudança, contudo, é sutil, pois a taxa continua muito alta. Já as empresas são muito favorecidas, uma vez que podem pegar empréstimos mais baixos para expandir o negócio.

Para o economista e sócio-fundador da GT Capital, Rodrigo Azevedo, ter uma Selic mais baixa vai fazer com que a população busque financiamentos e que as empresas destravem e façam investimentos necessários.

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A mesma visão é compartilhada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). “Mesmo que gradual, esse movimento vai aliviar o orçamento das famílias e das empresas que se endividaram muito na pandemia, abrindo espaço para o aumento do consumo e para a melhoria das condições de crédito”.

A chefe de economia da Rico coloca um pouco mais o pé no chão. Rachel de Sá explica que, para o dia a dia do brasileiro, o início do processo de queda dos juros será sentido de maneira gradual.

“Continuaremos a sentir os efeitos dos juros altos no curto prazo, até que isso comece a perder força aos poucos ao longo dos próximos meses. Especialmente porque a Selic deve seguir no campo que chamamos de contracionista”.

As reduções de juros também favorecem as contas públicas, pois desaceleram as despesas com juros da dívida pública.

EVOLUÇÃO DA SELIC

Fonte: Banco Central

Impactos nos investimentos

A pergunta que fica é: onde investir agora? Enquanto a renda variável ganha mais protagonismo, a renda fixa deve passar por pequenos ajustes.

Para o economista-chefe do banco Master, Paulo Gala, o cenário já reflete uma melhora em títulos de risco, para a Bolsa de Valores e fundos imobiliários.

“Nada é mais poderoso para motivar e movimentar o mercado de capitais do que corte de juros. Estamos entrando em um novo ciclo de expansão de ativos de bolsa, imobiliários, small caps e papéis brasileiros”.

Juros reais nas alturas

Apesar da queda na taxa básica de juros, o Brasil continua no topo do ranking global de juros reais.

Ao descontar a inflação esperada para os próximos 12 meses, que está acima de 4%, segundo o boletim Focus, do BC, os juros reais ficaram em 6,68%.

A taxa é suficiente para manter o país no topo da lista, acima de México, Colômbia, Chile e África do Sul.

A taxa de juros real é a diferença entre a inflação prevista para os próximos 12 meses, considerada uma medida melhor para comparação com outros países, e a taxa de juros.

 10 PAÍSES COM OS MAIORES JUROS REAIS DO MUNDO

1. Brasil: 6,68%

2. México: 6,64%

3. Colômbia: 6,15%

4. Chile: 4,60%

5. África do Sul: 3,82%

6. Filipinas: 3,80%

7. Indonésia: 3,63%

8. Hong Kong: 2,83%

9. Reino Unido: 2,36%

10. Israel: 2,23%

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