ESG

O que é bioeconomia? Descubra como investir em oportunidades do setor 

A bioeconomia busca integrar a produtividade dos biomas nativos com a preservação da sua integridade

Fotografia de brotos de plantas na terra, simbolizando a bioeconomia
A bioeconomia tenta integrar o crescimento econômico e a preservação da natureza

Com as mudanças climáticas batendo a porta e a economia mundial se reconfigurando, a bioeconomia tem despontado como uma alternativa ao modelo de produção já conhecido.

 É um novo paradigma de crescimento, que alia o E do ESG (Ambiental – ou Enviromental, em inglês – Social e Governança) do mundo corporativo com as preocupações crescentes do setor público com a preservação do meio-ambiente.

Segundo Talita Priscila Pinto, pesquisadora do Observatório de Bioeconomia da FGV, a bioeconomia é uma proposta de fazer a ecologia e a economia coexistirem da melhor forma possível. 

Isso porque, desde a revolução industrial, no séc. XVIII, até a metade do século XX, a ideia era que fosse possível ter expansão econômica a qualquer custo, sem nenhuma consequência. Mas a Terra começou a dar sinais de que não é bem assim.

Hoje, o aquecimento global é uma realidade e as mudanças climáticas se mostram cada vez mais perigosas. Ainda assim, a indústria mundial ainda segue muitas das práticas do passado que fizeram o mundo entrar em crise ambiental. Felizmente, dá tempo de mudar, diz a pesquisadora.

O que é bioeconomia?

Talita conta que não há um consenso ou uma definição formal sobre o que é bioeconomia. Cada país adapta o conceito à sua realidade local. Ainda assim, ela explica que há três visões predominantes, que são:

Bioecologia

Segundo seus defensores, o crescimento econômico deve encontrar um limite na preservação do meio ambiente. Ou seja: se o ecossistema está ameaçado pela expansão da economia, ela deve ser freada. Por isso, este ponto de vista da bioeconomia, de certa forma, estabelece uma dualidade entre crescimento e preservação ambiental, como se as duas coisas fossem dependentes uma da outra.

Biorrecursos 

Esta visão propõe a troca de recursos energéticos fósseis pelos biológicos e renováveis. Alguns exemplos são os bioinsumos em substituição aos fertilizantes químicos e nitrogenados, e os biocombustíveis, como o biodiesel, no lugar de outros combustíveis fósseis, como gasolina e o diesel convencional. 

Biotecnologia

A pesquisadora explica que, neste ponto de vista, “a natureza deixa de ser insumo para ser fábrica”. Ou seja, os investimentos feitos em áreas chave promovem ganhos tecnológicos e garantem a preservação ambiental. Ela destaca iniciativas como a integração da agricultura com as florestas e a criação de sementes geneticamente modificadas para se adaptar a uma determinada região e se integrar com a flora local.

Como a bioeconomia funciona?

Apesar de parecer um ramo de atividades ligadas ao agronegócio ou à extração de produtos das matas virgens, a bioeconomia é uma visão que abrange todo o sistema de produção. Talita defende que a bioeconomia não deve ser focada em um único setor, mas em todos ao mesmo tempo. 

A grande diferença é que, do ponto de vista bioeconômico, todos os processos de feitura de um bem ou de um serviço (de qualquer tipo) levam em conta a preservação do meio ambiente. “Se a ideia foi aplicada como um todo, surgem uma série de externalidades positivas, como geração de novos empregos, mais renda local e promoção da economia circular como um todo”, explica.

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Ela afirma que o Brasil já é um dos expoentes da bioeconomia no mundo, através da sua matriz energética hidrelétrica e do uso generalizado de biocombustíveis, como o biodiesel e o etanol de cana de açúcar. “Já há um projeto bioeconômico em curso aqui, ele só não tem esse nome. Várias das nossas práticas de sucesso já estão dentro da bioeconomia, só falta empacotar tudo isso”.

É possível crescer economicamente e preservar a natureza?

A pesquisadora defende que a bioeconomia é o uso, estoque e transformação de recursos naturais e ambientais com o objetivo de promover sinergia entre a economia e o meio ambiente. É garantir desenvolvimento econômico, inclusive em seu aspecto social, sem degradar a natureza. 

Por isso, a bioeconomia não pressupõe uma redução de crescimento econômico ou de rentabilidade. Pelo contrário: é possível fazer os dois ao mesmo tempo e, ainda, desenvolver a economia ainda mais. 

Já Thiago Giuliani, assessor de sustentabilidade, descarbonização, e novas tecnologias da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), aponta que a bioeconomia enxerga o crescimento econômico como oportunidade. Afinal, é uma tendência natural das empresas buscarem melhoria de seus processos industriais e matérias-primas para sustentabilidade ambiental. 

“Esse esforço abre portas para novos mercados, tendo em vista as exigências da União Europeia que caminha para barreiras tarifárias baseadas nos fatores de impactos ambientais. Quem não estiver olhando a Bioeconomia como um caminho, pode perder grandes oportunidades comerciais”, diz.

Como investir em bioeconomia?

Apesar de propor novos métodos, a bioeconomia também pode reformar alguns dos antigos. Segundo Giuliani, é possível se valer de infraestruturas anteriormente não vinculadas ao uso de recursos biológicos. Um exemplo é o plástico verde, em que há a substituição do eteno fóssil por uma mesma molécula oriunda do etanol.

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Por outro lado, há também novos paradigmas de produção que permitem o desenvolvimento de bioquímicos e enzimas por vias exclusivas biológicas. “A bioeconomia trabalha tanto na reforma de modelos já existentes quanto na articulação de novas lógicas produtivas”, resume.

Empresas que investem em bioeconomia listadas na B3

Veja, abaixo, algumas empresas que investem em bioeconomia listadas na B3, a Bolsa de Valores do Brasil:

Natura 

Desde os anos 2000, a maior fabricante de cosméticos do País obtém insumos para seus produtos de comunidades agroextrativistas. No total, a Natura negocia com 9,1 mil famílias da região da Amazônia que fornecem seus bioingredientes extraídos da floresta e a ajudam a mantê-la em pé. 

Raízen 

A Raízen tem presença nos setores de produção de açúcar e etanol, distribuição de combustíveis, geração de energia renovável e lubrificantes. E, visto que a extração de combustíveis fósseis e suas queimas são um dos maiores vilões do aquecimento global, a formulação e propagação de novas formas de energia são fundamentais para construir um mundo habitável.

Suzano 

A Suzano é a maior produtora de papel e celulose do mundo, e toda a sua produção é baseada nas árvores que ela mesma planta. Além disso, a Suzano é conhecida por investir em projetos de inovação que se encaixem na bioeconomia, como seu fundo de US$ 70 milhões para startups deste setor.

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