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Fed mantém juros inalterados, mas sugere possibilidade de retomar ciclo de altas em 2026

Nove dos 19 participantes da reunião projetam pelo menos uma elevação de juros até o fim deste ano

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) manteve os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, em reunião realizada nesta quarta-feira (17). A decisão já era amplamente esperada pelo mercado. O principal ponto de destaque da reunião foi a comunicação: para analistas, a autoridade monetária sinalizou de forma mais contundente a possibilidade de voltar a subir os juros neste ano.

Esta foi a primeira reunião do Fed sob a presidência de Kevin Warsh, apontado por Donald Trump após meses de atrito com Jerome Powell. Trump criticava Powell por manter os juros elevados, enquanto o então presidente do Fed argumentava que a inflação resiliente e o mercado de trabalho aquecido, junto do cenário internacional incerto, demandavam uma postura mais cautelosa.

No comunicado divulgado hoje, o Fed diz: “A atividade econômica está se expandindo em um ritmo sólido, apesar da elevada incerteza que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio. O crescimento da produtividade e o investimento de capital estão fortes.” O comunicado destaca ainda que a inflação continua elevada em relação à meta de 2%, “refletindo em parte choques de oferta que elevaram os preços em determinados setores, incluindo o de energia”.

Apesar do comunicado mais sucinto do que os divulgados em reuniões anteriores, a notícia mais importante veio das projeções dos dirigentes sobre o que esperam das próximas decisões. Nove dos 19 participantes projetam pelo menos uma elevação de juros até o fim deste ano. Em março, nenhum apontava tal possibilidade. Outros oito esperam uma manutenção da faixa atual até dezembro, e apenas um dos dirigentes projeta um corte nesse ano. Em março, 12 dirigentes esperavam pelo menos um corte em 2026.

“No curto prazo, a decisão tende a reforçar o dólar frente às moedas emergentes e pode continuar reduzindo o fluxo de capitais para esses mercados”, avalia Edson Mendes, sócio-fundador da Private Investimentos.

Para Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, não houve surpresa na decisão, mas os comentários trouxeram um tom mais duro. “A trajetória de mais cortes de juros vai ficando cada vez mais distante. Apesar de já estar na mesa a possibilidade de não ter mais cortes ou mesmo subir este ano, esse posicionamento de grande parte do diretores trouxe um ar de preocupação, e os mercados reagiram bem mal à notícia”.

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