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Inflação dos EUA: CPI avança 0,6% puxado por combustíveis

Resultado do CPI, o índice de preços ao consumidor dos EUA, veio parcialmente em linha com as projeções do Mercado

Notas de dólares sobrepostas. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Nos EUA, a inflação e a taxa básica de juros preocupam tanto quanto no Brasil. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Por Guilherme Naldis

A inflação oficial dos EUA, medida pelo Consumer Prices Index (CPI, ou índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) dos Estados Unidos teve alta de 0,6% entre julho e agosto. Os dados são desta quarta-feira, 13/09, e foram publicados pelo Departamento do Trabalho dos EUA.

No acumulado de 12 meses, o índice teve alta de 3,7%. Em julho, a taxa mensal foi de 0,2%, e a anualizada foi de 3,2%. Num geral, o número veio em linha com a expectativa da maioria dos agentes do mercado .Na base anual, o avanço superou levemente o número esperado, que era de 3,6%.

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O índice da gasolina foi o que mais contribuiu para o avanço mensal de todos os itens, mais da metade -, segundo o Departamento de Trabalho. Para Paulo Gala, economista-chefe da Ativa Investimentos, a aceleração já fora prevista, por isso não houve surpresa por parte do mercado. 

“Por isso ninguém se preocupou muito com o número cheio, já que os preços da gasolina aumentaram nos EUA na esteira da alta do petróleo. A forte alta nos combustíveis bate, em cheio, na inflação”, explica. 

Núcleos do CPI

Os núcleos da inflação, que são aqueles itens da cesta que são menos voláteis e sofrem menos com as mudanças do mercado e da economia, vieram um pouco pior que as projeções: 0,3%, em vez de 0,2%. Na base anual, o grupo teve alta de 4,3% entre agosto de 2022 e o mesmo mês deste ano. 

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Gala afirma que o resultado dos núcleos pode comprometer o desempenho de alguns ativos: “O que o mercado estava de olho, mesmo, eram nos núcleos”. Para ele, o resultado nem tão bom assim pode reavivar temores de uma nova alta de juros na reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, em novembro. 

Mais juros por aí? 

Assim como o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BCB) decide o nível da Selic, a taxa básica de juros do Brasil, nos EUA, o Fed tem o Fomc, o Federal Open Market Committee ou, em português, comitê federal do mercado aberto, para decidir os juros terminais de lá. 

Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, disse ao Bora Investir que o resultado do CPI está alinhado com as expectativas do mercado e reforça a aparente “estancada” na alta de juros dos EUA. “Mesmo que o resultado fosse muito pior que as projeções, o efeito só seria sentido na reunião de novembro, e não na próxima, de setembro”, diz. 

Para ele, o resultado vai ajudar os investidores a se posicionar e seguir nas suas compras nos mercados de maior risco.

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