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IPCA-15: Prévia da inflação de junho fica abaixo do esperado, mas taxa em 12 meses acelera para 4,80%

A prévia da inflação oficial, desacelerou para 0,41% em junho, ante 0,62% no mês anterior

Com ISTOÉ Dinheiro

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, desacelerou para 0,41% em junho, ante 0,62% no mês anterior, mas a taxa em 12 meses avançou para o nível mais alto em oito meses, mostrou nesta quinta-feira, 25, o IBGE.

Em 12 meses, porém, o IPCA-15 acumulou alta de 4,80%, acima dos 4,64% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Esse é o resultado mais alto desde outubro (4,94%), e leva o índice ainda mais além do teto da meta contínua para a inflação, de 3% medido pelo IPCA com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Veja aqui o detalhamento.

Os resultados ficaram ligeiramente abaixo das expectativas. Pesquisa da Reuters estimava altas de 0,44% na base mensal e de 4,82% em 12 meses.

Maiores pressões no IPCA-15

No mês, as maiores pressões inflacionárias vieram da energia elétrica residencial (2,04%), batata-inglesa (29,42%), passagem aérea (7,24%, do tomate (17,27%).

Já entre os itens que tiveram queda de preço, destaque para gasolina (-0,73%), etanol (-5,30%), seguro voluntário de veículo (-3,40%), café moído (-3,69%) e frutas (-0,96%).

Perspectivas

Na semana passada, o Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto. Na ata desse encontro, o BC indicou que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes da taxa Selic para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028, um prazo mais longo do que o usual.

“O dado de hoje é compatível com um cenário de desinflação gradual”, disse Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores). “Se a melhora observada nos núcleos (de inflação) se confirmar nos próximos meses, cresce a possibilidade de cortes adicionais na Selic, mas a trajetória continuará dependente da evolução das expectativas de inflação e do cenário internacional.”

O conflito no Oriente Médio vem elevando os preços de combustíveis, embora Estados Unidos e Irã tenham chegado a um acordo preliminar. Mas para além dos choques dos preços do petróleo causados pela guerra, questões climáticas ainda estão no radar para a inflação, como o El Niño.

“Ainda que a margem mensal traga sinais positivos, a tendência subjacente sugere que o processo de desinflação segue lento e desafiador”, disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. “Somada à inflação acumulada em 12 meses em 4,80% — acima do teto da meta —, a leitura qualitativa reforça a necessidade de cautela por parte da autoridade monetária.”

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção do mercado para o IPCA este ano é de alta de 5,33%, e de 4,15% em 2027. A expectativa é de que a Selic termine 2026 a 14,0%.

*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir

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