IPCA sobe 0,58% em maio, atinge 4,72% em 12 meses e volta a superar teto da meta
É a primeira vez desde outubro de 2025 que a inflação em 12 meses volta a superar o teto da meta
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu de 0,58% em maio, 0,09 ponto percentual abaixo da taxa de 0,67% registrada em abril, divulgou nesta sexta-feira, 12, o IBGE.
Apesar de ter desacelerado no mês, o IPCA no acumulado em 12 meses ficou em 4,72%, acima dos 4,39% dos 12 meses imediatamente anteriores, ficando fora do teto da meta para a inflação, de 4,5%. O centro do objetivo é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. É a primeira vez desde outubro de 2025 (4,68%) que a inflação em 12 meses volta a superar o teto da meta.
O resultado de maio veio um pouco acima do esperado. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,53% em maio, acumulando em 12 meses alta de 4,66%.

Energia elétrica e alimentos pesam na inflação
Com taxa de 1,33% e 0,29 ponto percentual (p.p.) de impacto, o grupo alimentos e bebidas respondeu metade do resultado do mês, seguido dos grupos habitação com 1,22% de variação e 0,18 p.p. de impacto e saúde e cuidados pessoais, cuja alta foi de 0,90% e o impacto de 0,12 p.p. O subitem com maior impacto individual (0,15 p.p.) foi energia elétrica residencial, que subiu 3,67%.
Entre os alimentos, as maiores altas foram da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%).
Combustíveis em queda e serviços em alta
O grupo Transportes (-0,46%) foi o único com queda em maio, em razão do recuo nos preços dos combustíveis (-1,95%). O etanol caiu 6,20%, o óleo diesel teve queda de 2,34% e a gasolina, subitem com o maior impacto negativo no resultado do mês, teve baixa de 1,46%
Em meio aos impactos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre o petróleo, o governo anunciou em meados de maio medida provisória com novas ações para reduzir a pressão do conflito sobre os combustíveis no Brasil. A Petrobras anunciou no fim de maio aumento do preço da gasolina vendida a distribuidoras em R$ 0,48 por litro, o que será aliviado com a oferta de um desconto de R$0,44 por litro por conta da subvenção econômica instituída pelo governo federal.
A inflação de serviços, por sua vez, acelerou a alta a 0,40% em maio, de avanço de 0,04% em abril, chegando a 5,97% em 12 meses. A passagem aérea passou de uma queda de 14,45 para alta de 3,20%.
O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, repetiu em maio a taxa de 65% do mês anterior.
Perspectivas para inflação e Selic
A projeção atual do mercado financeiro para a inflação em 2026 está em 5,11%, segundo o último Boletim Focus do Banco Central.
Já a perspectiva para a taxa básica de juros passou a ser calculada em 13,50% ao final deste ano, ante previsão até então de 13,25%. Os especialistas seguem, porém, vendo corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião deste mês, a 14,25%.
O Copom se reúne na próxima semana e anuncia a sua decisão sobre a Selic na quarta-feira, 17.
“Há poucos dias o mercado discutia manutenção dos juros. Agora parte dos investidores voltou a precificar possibilidade de corte. O problema é que a inflação de hoje não entrega conforto suficiente para decisões precipitadas. Juros podem até cair por expectativa. Credibilidade não”, afirma Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.
*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir