IA, eleições e crise fiscal: o xadrez que desafia os investidores
Agentes de mercado acreditam que a supremacia dos Estados Unidos é o principal motivo de crises geopolíticas
Em um cenário de crise geopolítica duradoura, gestores acreditam que talvez o principal problema não esteja na guerra e sim na supremacia global dos Estados Unidos. Esta é a opinião de Ruy Alves, sócio e gestor de fundos na Kinea Investimentos. “O grande conflito hoje não é a ascensão da China, ou a Rússia atacando a Ucrânia e sim a polarização norte-americana que influencia o preço dos ativos”, diz. A análise foi apresentada na Expert XP 2026, durante o painel o Xadrez dos gestores.
Ruy defendeu que diante dessa polarização, os investidores acabam buscando um retorno mais imediato, mas que talvez o principal fator de risco não esteja nos problemas geopolíticos e sim na política interna dos Estados Unidos.
Na IA, há vencedores e perdedores
Os gestores também debateram a expansão acelerada de inteligência artificial e os investimentos bilionários realizados pelas empresas, que devem ser potencializados nos próximos anos. “Em 2027, teremos nove vezes mais capacidade de computação no planeta do que teríamos sem IA”, comenta Alves.
No entanto, os gestores fazem a ressalva que todas as plataformas de IA acabam replicando os mesmos modelos, deixando gargalos no setor. Na visão do gestor da Kinea, o segmento de semicondutores se destaca como oportunidade, pela necessidade de ter mais máquinas para potencializar o desenvolvimento de IA.
Alves cita a Anthropic como um investimento relevante, mas sinaliza que as barganhas reais estão em empresas como TSMC, Micron Technology focadas em semicondutores.
Eleições ainda incertas
Observando o cenário local, os gestores manifestaram que não está precificada a vitória de um ou outro candidato, porque o rumo das eleições segue muito incerto. João Landau, sócio fundador da Vista Capital, destaca que as eleições caminham para um empate.
Já Bruno Cordeiro, gestor da Kapitalo, avalia que ativos de renda fixa estão estressados, diante da forte onda de investimentos em IA, que sugam capital, além do choque de inflação e petróleo.
Alves, da Kinea, citou também que o Brasil está culminando um processo iniciado há 30 anos, caraterizado por três crises. Ele elenca que em 2015 e 2016, O Brasil sobreviveu a um cenário que elevou o endividamento do país a 50% da proporção dívida/PIB (Produto Interno Bruto). Outro movimento complexo ocorreu em 2020 e 2021, com juros a 2%. Por último, o gestor destaca o cenário atual, que caminha para alcançar um endividamento de 80% da dívida/PIB. “Ganhar a eleição não resolve o problema fiscal sem planejamento”, defende.
Os gestores também apontam que ativos indexados ao CDI (principal indicador da renda fixa) seguem como vencedores diante de juros elevados e inflação pressionada por mais tempo.