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Ações do setor de tecidos lideram ganhos do Ibovespa em abril; veja o por quê

Levantamento das maiores taxas de retorno das empresas listadas na Bolsa revela expectativa de queda da inflação e da taxa de juros do país

Por Guilherme Naldis

Abril foi um mês positivo para o Ibovespa, que registrou uma alta de 2,5% durante o mês, segundo levantamento feito pela Quantum Finance. Foi o terceiro maior desempenho entre as bolsas de valores do mundo: só ficou atrás do Merval, o principal índice da Argentina, que se valorizou 11,86%, e do britânico FTSE, com alta acumulada de 3,25%. 

Segundo Gabriel Costa, analista da Toro Investimentos, parte do desempenho se explica pelo baixo preço de boas empresas listadas no índice. “Atualmente, o Ibovespa negocia em um patamar de relação entre preço e lucro próximo a sete vezes, perto da mínima histórica”, diz. A taxa de preço e lucro é a correlação entre o valor investido em um determinado ativo e os ganhos líquidos que podem ser obtidos dele. 

As expectativas de queda na taxa básica de juros no próximo semestre também beneficia o índice, assim como a inflação abaixo das estimativas no último mês. “Apesar dos diversos desafios, o Ibovespa apresenta leve queda no ano, próximo a 3%. Quando analisamos a participação de cada companhia nas maiores altas do índice, vemos alguns bancos e empresas ligadas ao setor petroquímico compensando o movimento. Já na ponta negativa, temos a Vale com maior peso na queda”, explica Costa. 

Entre os índices do mundo, o ranking foi o seguinte:

PosiçãoNomeVariação
Merval (Argentina)11,86%
FTSE 100 (Reino Unido)3,25%
Ibovespa2,50%
CAC 40 (França) 2,24%
DAX (Alemanha)1,81%
Dow Jones (EUA)0,87%
IPC MXX (México)0,81%
S&P 500 (EUA)-0,13%
SSE (China)-0,68%
10°S&P ASX 200 (Austrália)-1,07%
Fonte: Quantum Finance

Já dentro do próprio Ibov, os melhores desempenhos foram:

PosiçãoNomeVariação
Santanense ON (CTSA3)234%
Coteminas PN (CTNM4)123,33%
Santanense PN (CTSA4)68,37%
Multilaser ON (MLAS3)45,26%
Emae PN (EMAE4)42,78%
IRB Brasil ON (IRBR3)41,50%
Recrusul PN (RCSL4)40,32%
Aeris ON (AERI3)33,05%
Light ON (LIGT3)31,97%
10°Dexxos ON (DEXP3)25,67%
Fonte: Quantum Finance

Vestuário na dianteira

A Quantum também listou as maiores altas do índice em abril. Os dois primeiros lugares do ranking ficaram com companhias fabricantes de tecidos: a Santanense e a Coteminas.

As ações ordinárias e preferenciais da Santanense ocuparam a primeira e a terceira posição, respectivamente. Os papéis ordinários ganharam 234%, e os preferenciais, 68,37%. Já as ações preferenciais da Coteminas saltaram 123,33%.

A razão para o desempenho está no anúncio da Shein de trazer parte da sua produção no Brasil. Após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, propor o fim da isenção tributária para importados que valessem até US$ 50, a varejista chinesa anunciou que vai transferir parte das suas indústrias para o país e criar cerca de 100 mil vagas de emprego.

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A proposta de Haddad ficou para trás, mas a Shein levantou suspeitas de que fosse fechar parcerias com empresas brasileiras. Neste caso, as companhias do setor que fornecem suas matérias primas poderiam ganhar com o processo.

“Os rumores sobre a Shein, aliada ao baixo volume de negócios dos ativos, fez com que houvesse uma alta expressiva nas ações”, disse José Eduardo Daronco, analista da Suno Research.

Multilaser 

As ações da Multilaser tiveram o quarto maior retorno de abril, de 45,26%, apesar dos resultados abaixo das expectativas do mercado no final de março. Um dia após divulgar o pior resultado de sua história, a companhia derreteu 35%.

Nos últimos 12 meses, a empresa perdeu cerca de 65% do seu valor de mercado entre abril do ano passado e o último mês.

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A alta em abril se deve à queda da base de investidores da empresa, o que aumenta a sua volatilidade.

Privatização impulsiona Emae

No fim de abril, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo permitiu a estruturação da privatização da Empresa Metropolitana de Águas e Energia, a Emae.

Já fazia algum tempo que essa notícia era aguardada, ainda mais por que o governador do Estado, Tarcísio de Freitas, vinha dando declarações que alimentavam a ideia de que a companhia seria privatizada desde que assumiu o Palácio dos Bandeirantes.

O resultado foi que as ações preferenciais da Emae avançaram 42,78% no acumulado do mês de abril. Ela já vinha se valorizando há alguns meses, mas a sinalização positiva do TCU e a troca em sua diretoria reforçou a tendência.

IRB volta com tudo

A resseguradora retornou ao Ibovespa na carteira de maio, que terá vigência até setembro, e fechou o mês de abril em alta de 41,50%. O fato de regressar ao principal índice da Bolsa de Valores do Brasil, a B3, foi o bastante para impulsionar o seu desempenho.

O retorno foi possível após a empresa ter realizado um grupamento de ações no início deste ano – quando um pacote de ações é unido e se transforma numa só, o que aumenta seu valor, mas diminui sua liquidez.  Assim, o IRB voltou a ser negociado acima dos R$ 1, que é um dos fatores requeridos para estar no Ibovespa.

A companhia também reverteu o prejuízo de R$ 50,9 milhões registrado no ano passado.  Em fevereiro deste ano, a empresa divulgou lucro de R$ 14,3 milhões. “Ainda assim, o papel segue volátil e registra queda de 59% na comparação com um ano atrás”, pondera Priscila Araújo, gestora de renda variável da Macro Capital.

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