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Argentina eleva os juros para 97% ao ano para conter a inflação

Aperto monetário faz parte do pacote de medidas do governo para conter a inflação anual que atingiu 108,8% em abril. Neste ano, Peso perdeu 35% do seu valor em relação ao dólar

Conteiner pintado com cores da Argentina
A crise econômica na Argentina fez a atenção de todo o mundo se voltar ao país sul-americano. Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

O Banco Central da Argentina elevou nesta segunda-feira, 15/05, a taxa básica de juros do país em seis pontos porcentuais, para 97% ao ano. O aumento estrondoso acontece em meio a escalada inflacionária que avançou para 8,4% em abril e atingiu a marca anual de 108,8% – nível mais alto desde 1991.

A medida faz parte de uma série de novas diretrizes econômicas emergenciais anunciadas pelo governo em uma tentativa de conter a inflação e as perdas cambiais. Desde janeiro, o peso já perdeu 35% de seu valor em relação ao dólar.

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A perda do poder de compra da moeda argentina, faz com que a população use cada vez mais o dólar americano no seu dia a dia. Isso ajuda na redução das reservas internacionais do país. Mesmo com menos recursos disponíveis, o ministério da Economia, afirmou que o BC vai aumentar as intervenções no mercado de câmbio para frear a queda do peso.

A chegada das eleições presidenciais, marcadas para outubro, também tem impactado nas decisões do governo. O atual mandatário do país, Alberto Fernández, já afirmou que não vai concorrer a reeleição. A crise na Argentina se arrasta há décadas diante da hiperinflação, da desvalorização da moeda e do aumento da pobreza.

Dentre as medidas anunciadas, o ministro da Economia, Sergio Massa, vai tentar convencer o Fundo Monetário Internacional (FMI) a antecipar o desembolso dos empréstimos acertados entre o país e a instituição. Massa também vai viajar para à China no dia 29 de maio para buscar um uso maior do yuan no comércio exterior.

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Segundo a agência de notícias Bloomberg, o governo argentino também pretende obter mais apoio internacional para suas reservas estrangeiras através dos Brics – grupo de países que reúne, além da Argentina, China, Brasil, Rússia, Índia e África do Sul.

O governo também planeja permitir a importação de alimentos com tarifa zero para reduzir a inflação. A medida é considerada preocupante, já que a Argentina é um dos maiores exportadores de grãos do mundo. Fernández e seu ministro da Economia querem também reduzir os juros de um programa estatal em que os argentinos compram produtos fabricados localmente a crédito. O objetivo é fortalecer à indústria nacional.

*Com informações da Bloomberg e Financial Times

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