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O impacto da Copa do Mundo fora dos campos; veja quanto o mundial movimentará

Mundial de 2026 deve movimentar US$ 41 bilhões globalmente e estimular setores como turismo e varejo

Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
Além da disputa pelo título e da esperança de levantar a taça mais desejada do mundo do futebol, a Copa do Mundo representa também uma oportunidade de otimização da economia. O evento, que movimenta bilhões em sua organização, impacta diretamente setores-chave de um país, como comércio, turismo e infraestrutura. 

O torneio deste ano, cujos anfitriões são México, Estados Unidos e Canadá, deverá gerar um impacto econômico de cerca de US$ 13 bilhões no ciclo atual (2023-2026), segundo projeção feita pela própria FIFA. O valor supera os US$ 7,5 bilhões gerados no período correspondente à Copa do Catar e os US$ 6,4 bilhões referentes ao ciclo do mundial de 2018, na Rússia. 

O novo montante recorde é atribuído sobretudo ao setor de ingressos e hospitalidade, que deve gerar sozinho uma receita de US$ 3 bilhões. Isso se deve por conta da adoção do mecanismo de preços dinâmicos, que permite uma variação dos preços dos ingressos em função da oferta e da demanda. 

O Bank of America (BoFA) estima que a Copa deste ano injetará o equivalente a US$ 41 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) global e criará mais de 800 mil postos de trabalho. No Brasil, os principais setores beneficiados serão o varejo e os bares e restaurantes, cujos faturamentos devem atingir R$ 4,32 e R$ 2,42 bilhões, respectivamente, conforme levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Os dois setores mencionados são os que costumam ter maior impulso no curto prazo por conta da procura imediata por produtos como vestuário, eletrodomésticos e alimentação fora do lar.

“Até mesmo os meios de pagamento experimentam um incremento de receita devido ao aumento de transações e maior giro doméstico. Já o turismo, o setor aéreo e a hotelaria crescem nas cidades-sede e recuam nas demais”, pondera Beto Saadia, economista-chefe da Nomos. 

Enquanto alguns benefícios são mais efêmeros e acabam por retornar aos níveis habituais após a Copa, outros apresentam um legado mais duradouro. É o caso dos investimentos focados em logística e infraestrutura, por exemplo, que tendem a ampliar a produtividade e a eficiência econômicas, aumentando a competitividade do país e favorecendo a atração de capital privado. 

O legado da Copa de 2014 no Brasil

No caso da Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil, o principal legado deixado pelo torneio diz respeito ao investimento em infraestrutura ocorrido no país durante o período de preparação para o evento. Segundo dados da Fifa, o ciclo referente ao torneio de 2014 (2011-2014) gerou um lucro de US$ 5,7 bilhões para a organização à época.

Saadia avalia que um dos principais avanços ocorridos no país foi no setor de aeroportos, cuja infraestrutura e logística foram adaptadas para que esses locais pudessem comportar o número esperado de passageiros.

“Aeroportos como Guarulhos, Brasília, Viracopos passaram a ser controlados por operadores privados, e, mais tarde, Galeão e Confins seguiram o mesmo caminho, o que foi um acerto reconhecido, que entregou benefício real ao país.”

Por outro lado, o economista aponta que alguns dos estádios que receberam os jogos à época acabaram subutilizados no pós-Copa, e, em alguns casos, tornaram-se elefantes brancos.

Uma estratégia para evitar desperdícios seria o planejamento já focado no pós-Copa, além da ampliação da participação do setor privado por meio de realização de parcerias público-privadas (PPPs). 

“Quando o setor privado banca parte relevante do investimento, o projeto passa por teste de viabilidade antes de sair do papel. No Brasil de 2014 a fatia privada ficou em 7,2%, o resto foi orçamento público sem esse filtro de mercado”, avalia Saadia.

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