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‘Prévia’ do PIB: economia cresce 2,9% em 2022; 4º tri fecha em queda

IBC-Br desacelerou em relação a 2021 e caiu 1,46% no último trimestre do ano passado em meio a um cenário de juros altos para combater a inflação.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Focus projeta aumento no PIB deste ano. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) do Banco Central (BC), considerado a “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 2,9% em 2022. O índice foi divulgado nesta quinta-feira, 16/02.

Apesar do avanço, houve uma desaceleração em relação a 2021, quando a prévia do PIB subiu 4,68%. Importante analisar que esse crescimento em 2021 veio, após uma queda forte de 4,2% em 2020 por conta da pandemia. Ou seja, apesar da perda de ritmo do ano passado na comparação com o anterior, o resultado é considerado muito positivo pelos economistas.

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“Esse é o maior crescimento da economia brasileira desde 2013. Fazia muito tempo que não tinha um crescimento de 3%. As pessoas nem se lembravam mais o que era o PIB crescendo. Então é um dado bom que coloca também o embalo. Apesar do juro altíssimo para 2023, pelo menos o nível de desemprego está mais baixo e tem uma inércia boa de crescimento”, explica o Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

Evolução do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br)
Fonte: Banco Central

            O crescimento em 2022 é resultado da normalização das cadeias produtivas no pós-pandemia e da reabertura das atividades – principalmente no setor de serviços. Além disso, houve injeção de dinheiro na economia com os diversos estímulos do governo federal como a liberação de verbas do FGTS e programas sociais turbinados em meio a disputa eleitoral.

            No entanto, a desaceleração do crescimento aconteceu diante da escalada dos juros, que desde agosto do ano passado estão em 13,75% ao ano – maior patamar em seis anos. E da inflação elevada que encerrou 2022 em 5,79%, acima do teto da meta perseguida pelo BC que era de 5%.

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O resultado oficial do PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país, será divulgado no dia 2 de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Economia perde força no 4º trimestre

Em dezembro, o IBC-Br cresceu 0,29% em relação ao mês anterior. O avanço interrompe quatro taxas negativas consecutivas. O resultado veio acima das expectativas dos analistas que previam alta de 0,1%. Na comparação com novembro do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 1,42%.

Previa do PIB
Fonte: Banco Central

“O avanço do IBC-Br no mês foi sustentado principalmente pela alta de 3,1% [dezembro 2022] do setor de serviços – que se beneficiou dos eventos da Copa e da Black Friday sobre os subsetores de alojamento e alimentação, transporte de passageiros e atividade turística. A alta, no entanto, acabou sendo amenizada pela performance da indústria extrativa [-1,1% no último mês do ano passado] e do varejo restrito”, explicam os analistas do Banco Original em nota.

            Apesar da alta, a prévia do PIB encerrou o 4º trimestre com retração de 1,46% – o que mostra uma perda da força da economia que avançou nos três trimestres anteriores. Pesaram no fim do ano passado, o encarecimento do crédito diante dos juros elevados e as incertezas da pauta econômica e fiscal do governo eleito.

Previa do PIB
Fonte: Banco Central

Para 2023, os economistas do mercado financeiro ouvidos pelo boletim Focus, do Banco Central, esperam um leve crescimento do PIB na ordem de 0,76%.

IBC-BR x PIB

O cálculo do Índice de Atividade Econômica e do Produto Interno Bruto são um pouco diferentes. O indicador do Banco Central incorpora as estimativas do setor de serviços, indústria, agropecuária, além dos impostos. Mas não considera o lado da demanda – que é incorporado ao cálculo do IBGE. A ótica da demanda inclui dados de consumo das famílias, do governo, investimentos, exportações e importações.

O IBC-Br é uma das ferramentas usadas pelo BC para definir a taxa básica de juros.

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