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Você sabe quando uma ação está barata (ou seja, quando vale a pena)?

Não se engane: olhar apenas para o valor de negociação do papel não deve ser o critério na hora de investir. Aprenda como escolher da forma certa

Mulher e gráfico de ações; Foto: Rawpixel
Mulher e gráfico de ações; Foto: Rawpixel

Por Redação B3 Bora Investir

Investidores com pouca experiência podem se sentir atraídos por ações com preço nominal baixo, por exemplo, as que chegam ter um preço unitário abaixo de R$ 10. Fora os papeis de algumas grandes empresas que, por uma série de motivos, podem chegar a valer menos que uma bala.

No entanto, é importante entender que nem sempre o que está barato acaba sendo um bom negócio no mudo dos investimentos. O conceito de um “papel barato” é subjetivo, como sublinha Bruna Sene, analista da Nova Futura. Tanto que, a técnica mais usada para avaliar o valor intrínseco de uma empresa se baseia nos seus dados financeiros, conhecido como valuation.

“Sendo assim, uma opção adequada para dizer se uma ação está barata seria avaliar se ela está abaixo desse ‘preço justo’ calculado no valuation”, explica Bruna. Comparações de indicadores financeiros entre ativos do mesmo segmento e porte também podem ser caminhos validos para essa avaliação, completa.

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O preço da ação, sozinho, não traduz necessariamente a qualidade e, consequentemente, a atratividade de uma empresa. “Existe um grande risco quando se olha apenas o valor porque sozinho ele não quer dizer muita coisa”, pontua Renato Nobile, gestor e CEO da Buena Vista Capital.

Uma ação é considerada barata quando o seu preço de mercado está abaixo do seu valor intrínseco ou valor justo, explica Vinicius Steniski, analista de ações do TC. É nessas situações que os investidores podem obter os maiores retornos. “Pode ser comparado a comprar uma moeda de R$ 1 por apenas R$ 0,50 ou adquirir algo que vale R$ 100 por apenas R$ 75”, exemplifica.

Como detalha o analista do TC, comprar ações com preços baixos na tela do mercado pode ser uma cilada, pois o investidor pode erroneamente acreditar que está fazendo um negócio vantajoso, sem avaliar o valor intrínseco do ativo.

“Imagine comprar uma ação por R$ 5,00, enquanto seu valor justo é de apenas R$ 2,00. Isso seria equivalente a adquirir uma lata de refrigerante por R$ 2,00 e pagar com uma nota de R$ 5,00, sem receber o troco, ou seja, pagando R$ 5,00 por algo que vale R$ 2,00”, ilustra Steniski.

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O que levar em consideração antes de comprar uma ação:

  1. O preço de uma ação isoladamente não determina se é um bom investimento.
  2. É importante que o investidor considere fatores como a saúde financeira da empresa, perspectivas de crescimento, gestão, segmento, porte e o contexto econômico, se tiver objetivos de longo prazo.
  3. Se o objetivo for comprar e vender papéis no curto prazo, é fundamental ter uma estratégia técnica. Portanto, é um caminho para os mais experientes ou para quem é assessorado.

Apostar em ações apenas seguindo o critério do preço de negociação, avisa a analista da Nova Futura, aumenta a chance grande de incorrer em prejuízos. Além disso, o investidor pode, segundo a especialista, “ficar perdido após a compra sem saber em que momento sair desse ativo, justamente por não ter tido um critério técnico para a escolha”.

Outra dica de Bruna para quem quer balizar a decisão de investimento em ações segundo o valor de negociação: não necessariamente uma ação abaixo do seu ‘preço justo’ vá subir, ou que uma ação acima desse preço justo possa cair. O mercado é dinâmico, diz, e é importante considerar outros aspectos para tomar suas decisões de investimento.

Quais os critérios na hora de escolher ações

De acordo com Bruna Sene, analista da Nova Futura, o ideal seria seguir os seguintes passos:

Análise Fundamentalista: avalia os fundamentos da empresa, como receitas, lucros, dívida, perspectivas de crescimento e concorrência.

Análise Técnica: observa os gráficos dos ativos e padrões de preço, para então identificar tendências e possíveis pontos de entrada e saída.

– Gestão da Empresa: avalia a competência e histórico dos gestores da empresa.

– Setor e Mercado: analisa o contexto econômico e a situação do setor em que a empresa opera.

– Diversificação: não coloca todos os recursos em uma única ação, mas sim diversificar o investimento em diferentes setores e empresas.

– Objetivos do investidor e prazo do investimento: É sempre importante alinhar a escolha dos ativos com o perfil do investidor. Para investidores com perfil mais conservador por exemplo, pode não ser interessante entrar em ações muito voláteis e cíclicas.

Projeções de ações a valor presente

Embora diferentes especialistas utilizem diferentes técnicas de avaliação de empresas, para encontrar um preço justo das ações, os analistas financeiros estudam as possibilidades de geração de caixa da empresa nos anos futuros, explica Yuri Kubala, CFO da VCRP Brasil.

Ao trazerem essas projeções ao momento presente, detalha, encontra-se o valor da companhia. Em seguida, basta dividir o valor da empresa pelo número total de ações e comparar com o valor atual de mercado para descobrirmos se os papéis estão descontados.

Às vezes uma empresa pode estar inserida em um setor que está encolhendo por uma série de fatores. É o caso do segmento de livrarias, enfraquecido com o crescimento do ecommerce.

Na época, lembra Nobile, da Buena Vista Capital, houve quem achasse que as ações da Saraiva estavam baratas, mas a empresa estava deixando de ter um retorno atrativo e vinha tendo prejuízos consecutivos. “Boas empresas a gente não conhece olhando para o retrovisor, é preciso olhar para frente”, diz o CEO.

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