Chama o VAR! Álbum de figurinhas da Copa do Mundo vira isca de golpe no Brasil; veja como se proteger
Sites falsos e perfis falsos simulam vendas "mais baratas" com antecedência para aplicar golpes
A proximidade do início do maior campeonato de futebol do mundo acendeu um alerta no universo digital. A empresa de cibersegurança Kaspersky identificou pelo menos 20 domínios fraudulentos no Brasil e em outros países da América Latina que simulam a página oficial de venda de figurinhas do álbum do torneio.
A estratégia dos golpistas é explorar a ansiedade dos torcedores e colecionadores, oferecendo preços muito abaixo dos praticados no mercado e criando sites quase idênticos aos originais. O objetivo é induzir o consumidor ao erro e desviar recursos financeiros, principalmente por meio de transferências via Pix.
Como funciona o golpe
Os sites fraudulentos reproduzem com alto grau de fidelidade o layout, a identidade visual e até as etapas da jornada de compra de um e-commerce legítimo. O consumidor encontra opções como álbuns de capa dura, pacotes de figurinhas e combos promocionais, sempre com valores que parecem irresistíveis.
Em alguns casos, os golpistas anunciam pacotes com 10 envelopes de figurinhas por R$ 34,90, quando o preço oficial divulgado pela editora responsável é de R$ 7 por pacote. Além disso, as páginas falsas exibem recursos para aumentar a sensação de credibilidade, como frete grátis, cálculo automático de entrega e seções de “produtos relacionados”.
Para reforçar a aparência de legalidade, alguns sites incluem rodapés com suposta central de atendimento, e-mail de contato, CNPJ e endereço físico. Informações que, na prática, não garantem que a operação seja legítima.
Pagamento via Pix e contas de “laranjas”
O golpe se concretiza na etapa final da compra. Ao escolher a forma de pagamento, o usuário é direcionado para transações via Pix, com valores enviados a contas de terceiros utilizadas como intermediárias (“laranjas”).
Após a confirmação do pagamento, os valores costumam ser rapidamente pulverizados em diversas contas, o que dificulta o rastreamento e a recuperação do dinheiro pelas vítimas.
Segundo a Kaspersky, variações do golpe também foram identificadas fora do Brasil. Na Colômbia, por exemplo, os sites falsos foram divulgados por meio de mensagens em aplicativos como WhatsApp e anúncios pagos em redes sociais, como o Instagram.
Alerta para consumidores e investidores
Para Fabio Assolini, líder da equipe global de Pesquisa e Análise da Kaspersky na América Latina, grandes eventos esportivos criam um ambiente propício para fraudes digitais.
“A popularidade da coleção e o apelo emocional dos fãs se tornam a isca perfeita para golpes cada vez mais convincentes. Os criminosos exploram a pressa, o medo de ficar de fora e a busca por bons preços. A tendência é que novos domínios fraudulentos surjam nos próximos dias, exigindo vigilância redobrada dos consumidores”, afirma.
Do ponto de vista financeiro, o golpe reforça a importância da educação digital como parte da gestão do dinheiro. Em um cenário de pagamentos instantâneos e compras online, erros de atenção podem resultar em prejuízos difíceis de reverter.
Como se proteger de sites falsos
A Kaspersky recomenda algumas medidas práticas para reduzir o risco de cair em golpes online:
- Use apenas canais oficiais: digite o endereço do site diretamente no navegador e evite links recebidos por redes sociais, e-mails ou aplicativos de mensagem.
- Verifique o domínio: alterações sutis no endereço do site (letras trocadas ou complementos estranhos) são sinais de alerta.
- Ative alertas bancários: notificações por SMS ou e-mail ajudam a identificar rapidamente qualquer movimentação financeira não autorizada.
- Invista em segurança digital: soluções de cibersegurança auxiliam na proteção de dados pessoais, pagamentos online e identidade digital.
Para o consumidor, a regra é clara: desconfiança é um ativo valioso. Antes de aproveitar uma oferta “imperdível”, vale parar, conferir as informações e lembrar que, no mundo digital, preço muito baixo pode sair caro.