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Isenção do IR pode virar uma aposentadoria de até R$ 5,8 mil por mês; confira como

A mudança na faixa de isenção do Imposto de Renda pode abrir uma oportunidade para quem puder investir sem mexer no orçamento habitual

O brasileiro investe pouco pensando em se aposentar – mais especificamente, apenas 16% faz investimentos pensando neste objetivo, segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Mas, neste ano, a mudança na faixa de isenção do Imposto de Renda pode abrir uma oportunidade para quem puder investir sem mexer no orçamento habitual. Com a estratégia correta e o tempo a favor, é possível se aposentar com renda de até R$ 5,8 mil, segundo cálculos feitos a pedido do Bora Investir.

A simulação foi feita em cima do valor de conversão da isenção estimado pelo Ministério da Fazenda, de R$ 312, e aplicou em quatro faixas etárias: 20, 30, 40 e 50 anos. Considerando que a idade mínima para aposentadoria é de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, o tempo de acúmulo diminui conforme a idade avança. Quanto antes o plano de investimento começar, maior será o acúmulo de juros.

Investir para se aposentar

Raphael Martins Muller, head de wealth planning da AVIN, fez uma simulação considerando investimentos no Tesouro Renda+, produto do Tesouro Direto voltado para aposentadoria que considera a manutenção do poder de compra (rende o que estiver estipulado no IPCA, o índice de inflação) e acrescenta mais uma porcentagem em cima. Na simulação, Muller considerou um rendimento atrelado ao IPCA + 6% ao ano.

Nos cálculos de Muller, é possível ver que se uma pessoa de 20 anos depositar R$ 312 todos os meses no Tesouro Renda +, ela irá acumular R$ 168,9 mil em 45 anos, mas terá um patrimônio de R$ 820,5 mil devido ao efeito dos juros.

Começar a estratégia 10 anos mais tarde, aos 30, faz com que o patrimônio caia para R$ 429,7 mil e, aos 40, faz com que o patrimônio acumulado vá para R$ 211,6 mil.

“Quem começa aos 20 anos aporta, ao longo da vida, três vezes mais do que quem começa aos 50 (R$ 168,9 mil contra R$ 56,3 mil). Mas o patrimônio acumulado no Tesouro Renda+ é nove vezes maior (R$ 820 mil contra R$ 90 mil). A diferença é o tempo: dos R$ 820 mil de quem começou aos 20, cerca de 80% vêm do rendimento, não do dinheiro depositado”, afirma Muller.

Tesouro Renda+ (IPCA + 6% ao ano)
IdadeAnos de aporteTotal aportadoPatrimônio aos 65 anosRenda mensal por 20 anos
2045R$ 168.961R$ 820.519R$ 5.803
3035R$ 131.414R$ 429.787R$ 3.040
4025R$ 93.867R$ 211.604R$ 1.497
5015R$ 56.320R$ 89.772R$ 635
Fonte: Raphael Martins Muller, head de wealth planning da AVIN

Os cálculos também foram feitos em cima da previdência privada, considerando uma mediana de rendimentos atrelados ao IPCA + 4% ao ano, líquido. 

Segundo Muller, a diferença no rendimento se deve às taxas de administração. Ele destaca, ainda, que se trata de uma média, ou seja, há produtos no mercado que rendem acima disso. 

“Planos com taxa de administração baixa e sem taxa de carregamento entregam rentabilidade próxima à dos títulos públicos e ainda trazem vantagens próprias, como tributação e sucessão”, diz Muller.

Na simulação conservadora, é possível ver que a aposentadoria seria de R$ 2,7 mil caso uma pessoa de 20 anos investisse os R$ 312 da isenção do IR em um plano privado. Iria para R$ 1,6 mil, caso começasse aos 30 anos e, R$ 959 para quem começar aos 40.

Previdência Privada (IPCA + 4% ao ano)
IdadeAnos de aporteTotal aportadoPatrimônio aos 65 anosRenda mensal por 20 anos
2045R$ 168.961R$ 462.699R$ 2.786
3035R$ 131.414R$ 281.575R$ 1.696
4025R$ 93.867R$ 159.213R$ 959
5015R$ 56.320R$ 76.551R$ 461
Fonte: Raphael Martins Muller, head de wealth planning da AVIN

Muller pondera, ainda, que a simulação considera um aporte constante em valor real (mantendo o poder de compra) mas, como a faixa de isenção tende a ser corrigida e os salários sobem ao longo da carreira, a economia mensal pode crescer com o tempo, o que tornaria os resultados ainda maiores.

Ele alerta também que as simulações ilustram ordens de grandeza, e não promessa de rentabilidade, além de terem caráter educativo e não de recomendação de investimento.

O que levar em conta na hora de pensar na aposentadoria

Paula Bento, planejadora financeiro CFP pela Planejar, diz que, para começar a pensar na aposentadoria, é preciso preparar o orçamento para conseguir poupar. Mas, antes mesmo de pensar em investimentos de longo prazo, Bento sugere a construção de uma reserva de emergência, pois ela evita a necessidade de resgatar recursos em momentos inadequados e reduz o risco de perdas. “Na prática, a reserva de emergência não é um freio, mas o primeiro passo do plano de aposentadoria”, diz. A reserva de emergência deve cobrir um custo de vida mensal proporcional a um período de seis a 12 meses. 

Para quem está mais estabilizado, Bento sugere uma “fotografia” do estilo de vida atual para saber quanto custa viver hoje e quanto será necessário para manter esse padrão no futuro.

Além disso, é importante considerar fatores como idade, horizonte de tempo, liquidez e capacidade de poupança mensal, diz Bento.

Uma ferramenta que pode ajudar são os simuladores de aposentadoria, mas eles devem ser utilizados com cautela. “Adote premissas conservadoras, como retornos de IPCA + 4% ou IPCA + 5%, uma vez que inflação e juros são variáveis difíceis de projetar, especialmente no longo prazo”, diz.

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Principais riscos

Segundo Bento, um dos erros mais comuns é o desalinhamento de prazos, ou seja, quando a pessoa investe pensando no longo prazo, mas acaba precisando resgatar os recursos antes. 

Outro risco importante é a escolha de ativos de baixa qualidade, que podem não cumprir seus compromissos no futuro. 

Além disso, ignorar a inflação pode comprometer a preservação do poder de compra ao longo do tempo. “Por isso, investimentos voltados para a aposentadoria devem considerar simultaneamente prazo, qualidade dos ativos e proteção contra a inflação”, afirma.

A estratégia com a Previdência Social

Além dos investimentos voltados para a aposentadoria, como os títulos do Tesouro e a Previdência Privada, a Previdência Social também garante o pagamento de recursos mensais para quem contribui de acordo com as regras. 

Mas, ela não deve ser pensada como um investimento tradicional, pondera Bento. “Além de servir para a aposentadoria, ela atua como um seguro social, garantindo benefícios como auxílio-doença, pensão por morte e salário-família”, diz.

Por isso, quem trabalha com carteira assinada ou é autônomo deve conferir sempre o histórico de contribuições pelo aplicativo Meu INSS e, sempre que necessário, buscar orientação.

“Na maioria dos casos, a melhor estratégia não é escolher entre previdência pública ou privada, mas combinar as duas. O INSS oferece segurança em riscos de curto prazo e proteção social, enquanto a previdência privada e outros investimentos ajudam a construir renda para o futuro, especialmente porque o benefício do INSS pode não ser suficiente para manter o padrão de vida desejado”, diz. 

Em algumas situações específicas, pode fazer mais sentido manter apenas a previdência privada. “Para quem nunca contribuiu para o INSS ou quem tem pouco tempo para cumprir as regras mínimas de aposentadoria, geralmente de 15 anos, pode fazer sentido manter apenas a Previdência Privada”. 

Já aumentar a contribuição ao INSS pode ser uma alternativa após análise do histórico previdenciário, preferencialmente com orientação especializada. 

“Em última análise, a aposentadoria bem planejada não nasce de um investimento específico, mas de um conjunto de decisões bem alinhadas ao longo do tempo”, diz.

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