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“Uso da IA no mercado financeiro terá mais vencedores do que perdedores”, apontam especialistas do setor

Porém dizem que é preciso atenção aos vieses sobre a IA, que têm como consequência aumento de volatilidade nos investimentos

Não existe uma guerra declarada entre a inteligência artificial e o mercado financeiro e sim uma força tarefa para democratizar o universo dos investimentos. Esta é a teoria defendida por analistas e gestores durante a Expert XP 2026.

Durante o painel, Analistas versus IA: qual o futuro do Research?, Carlos Daltozo, engenheiro de produtos da Bridgewise e Thiago Kapulskis, gestor de ações de tecnologia global da São Pedro Capital, destacaram que a inteligência artificial não deve substituir o trabalho dos analistas e sim auxiliar na interpretação e organização de dados complexos, como fluxo de caixa, transformando informações em conteúdos estruturados.

Daltozo destacou, contudo, que existe um amplo espaço no mercado para que IAs especializadas possam atender o mercado financeiro, tendo em vista que plataformas mais genéricas como Claude e ChatGPT nem sempre conseguem trazer análises mais assertivas sobre certos segmentos e setores do mercado. “Vejo um crescimento de IAs verticalizadas”, comentou.

Outro fator observado pelos especialistas são os vieses das plataformas de IA. Para Kapulskis, da São Pedro Capital, é crucial o trabalho qualitativo do analista neste aspecto. Afinal, a volatilidade dos mercados pode acabar aumentando porque muitas IAs podem aconselhar vender ou comprar um ativo, dica que é replicada por muitos investidores, sendo necessário o trabalho humano como destaque. “Humanizar é o diferencial nos tempos atuais, uma vantagem competitiva”, aponta o gestor.

Para Daltozo, apesar do acesso universalizado da população ao uso de IA, existe ainda diferencial e individualidade das recomendações, considerando que cada investidor tem um objetivo diferente e prazos de alocação diversos, recebendo um conselho diferente destas plataformas.

Ambos os especialistas reforçam que o olhar humano é o que fortalece o analista nesse amplo universo de IA, da mesma forma que diferencia os vencedores dos perdedores.

“Não é um jogo de soma zero. A IA está fazendo um trabalho de democratizar a informação para o investidor iniciante”, avalia Daltozo. Para Kapulskis, o mercado sob impactos da IA vai ter mais vencedores do que perdedores nos próximos anos, porque toda vez que uma tecnologia é aplicada, há novas demandas no mercado e na economia.

“Tecnologia não é ruim e não tira emprego das pessoas. Ela cria oportunidade porque demandas por novas coisas surgem”, avalia o gestor da São Pedro Capital.

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