Acesso às novas tecnologias tem aproximado investidores institucionais da pessoa física, diz diretor da B3
Diretor da B3 destaca ferramentas como Copilot Trader e RLP
Por Victor Rabelo
No universo do day trade, um tema que pode gerar dúvida aos investidores é a diferença entre a atuação do investidor institucional e o investidor pessoa física. Durante a Expert XP 2026, Leandro Cruz, head de Tesouraria da XP, debateu com os traders Pam Semezzato e Márcio Kieling esses diferentes atores, com mediação de Felipe Paiva, diretor de Relacionamento com Clientes da B3.
Cruz explicou que, em sua visão, os dois públicos exercem papéis complementares no mercado. “É fundamental termos liquidez e isso só é possível com diferentes players, o investidor estrangeiro, as tesourarias, os investidores institucionais e a pessoa física”, disse.
Ele argumentou ainda que a presença de formadores de mercado garante que, mesmo em um momento de volatilidade, os investidores não encontrem grandes descolamentos de preços ou preços artificiais que não condizem com o cenário atual.
Paiva, da B3, ressalta que, apesar das diferenças, o investidor pessoa física tem cada vez mais acesso a ferramentas que antes eram exclusivas aos investidores institucionais. “Se pensarmos em ferramentas como o Copilot Trader, da XP, que é inteligência artificial de gerenciamento de risco, por exemplo, vemos que esses públicos estão cada vez mais próximos”.
Além do Copilot Trader, o executivo destacou o Retail Liquidity Provider (RLP), mecanismo originalmente desenvolvido para o ambiente institucional e que hoje ajuda a ampliar a eficiência das operações realizadas por investidores de varejo.
Segundo Márcio Kieling, as novas tecnologias que têm contribuído na experiência dos investidores são importantes para garantir a gestão de risco. Para ele, o principal desafio do trader é saber controlar as perdas.
“A gente nunca acha que está errado, mas às vezes a gente está. Temos que aprender a olhar para o saldo no fim do mês e não nossos resultados diários. O trader muitas vezes opera sozinho e não tem ninguém que mande nele. Então, essas ferramentas são fundamentais porque, se depender apenas do ser humano, muitas vezes vamos falhar”, comentou Kieling.
Na mesma linha, Pam Semezzato destacou como essas tecnologias contribuem para a parte psicológica do trader. Segundo ela, o trader tem dificuldade para olhar o longo prazo. “O trader precisa compreender que é possível errar, mas ter ganhos ao longo do tempo. Isso pode ser resolvido com objetividade e conhecimento do seu operacional, o que pode ir aliviar a dor do loss”.