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Brasil está perdendo o boom da inteligência artificial, avaliam especialistas na Expert XP

Em painel, economistas e gestores comentam os fatores que devem pressionar a economia nos próximos meses

Conflitos geopolíticos, preço do petróleo, juros, tendências de inteligência artificial e eleições. Múltiplos são os fatores que podem influenciar a economia global nos próximos meses. Mas afinal, caminhamos para uma volatilidade de curto prazo ou uma tendência de incertezas no mercado de longo prazo?

O tema foi debate entre especialistas na Expert XP 2026 no painel Macroeconomia em Transição, que trouxe como primeiro destaque a influência do conflito do Oriente Médio na economia do mundo. Na visão dos especialistas existem múltiplas forças que buscam, de um lado, acabar com a guerra, e, de outro, prolongar o cenário conturbado. Apesar de tudo, prevalece o consenso de que o mercado financeiro está precificando mais estresse no curto prazo, com moderação das tensões no longo prazo.

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O petróleo também segue essa curva de estresse. Na visão de Rodolfo Morgato, economista Sênior da XP, a tendência é de uma trajetória ainda tensa para a commodity, mas distante dos picos observados atualmente, próximos dos US$ 100.

Já Luiz Parreiras, gestor de estratégia multimercado e previdência da Verde Asset, cita que ainda é difícil o mercado conseguir mensurar e interpretar o risco Trump, o que acaba tendo um impacto direto na cotação do petróleo. “O Irã conseguiu uma espécie de alavancagem diante da guerra, que é controlar o Estreito de Ormuz. Por outro lado, tem Trump que não quer conceder vitória para o Irã e agentes de mercado que não querem que a guerra continue”, avalia.

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Para Parreiras, são diversos os incentivos para que o conflito no Oriente Médio dure menos tempo do que esperado. Contudo, ainda deve existir uma volatilidade nos mercados por conta de idas e vindas nas tentativas do acordo entre Irã e Estados Unidos e o uso do estreito de Ormuz como ferramenta estratégica.

“Para o petróleo, o mercado segue precificando estresse de curto prazo, mas com moderação no longo prazo, em torno de US$ 70 o barril. O mundo está sobreofertado de petróleo”, afirma o gestor da Verde.

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A força da IA

Outro dos fatores que deve movimentar a economia global é o avanço dos investimentos em inteligência artificial pelas empresas. Para Parreiras, da Verde, é natural o mercado ficar empolgado com essa jornada de IA que já possui um histórico de pelo menos 4 anos.

Ele exemplifica com o caso da Anthropic, proprietária da plataforma Claude, que viu sua receita saltar mais de 20 vezes em um ano, para cifras bilionárias. “Foi algo nunca antes visto na história do capitalismo”, lembra o gestor.

No entanto, Parreiras manifestou preocupação pelo Brasil estar de fora do boom da IA. “O Brasil está perdendo o bonde da história, não possui investimentos em data centers”, criticou. Para o gestor do Verde, a teoria de alguns agentes de mercado de que o investimento em IA não dá retorno não passa de uma falácia e estamos diante de uma força avassaladora para a economia global.

Risco fiscal e eleições

Ainda durante o painel, os especialistas debateram o cenário eleitoral brasileiro e a preocupação com risco fiscal. Na visão de Morgato, da XP, será muito difícil prever as estratégias fiscais do próximo governo, porque os candidatos vão evitar abrir o jogo sobre o assunto.

O economista comparou o cenário às eleições de 2022. “Ninguém ousa falar de crise fiscal nas campanhas porque vai ser penalizado nas urnas, embora uma reforma fiscal seja muito necessária”, apontou. Segundo Morgato, o hábito do Brasil “trocar o telhado apenas quando a tempestade está caindo” pode ter efeitos muito preocupantes na taxa de juros e na economia.

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