Pequena rotação de recursos para fora dos EUA tem grande impacto positivo para ações da América Latina, dizem gestores
Especialistas destacam que a região reúne empresas mais resilientes do que há uma década e pode atrair fluxo internacional caso investidores reduzam a exposição aos Estados Unidos
A América Latina pode voltar a ganhar espaço nas carteiras globais caso investidores façam uma pequena redução da exposição aos Estados Unidos. Essa foi a avaliação de gestores internacionais durante painel na Expert XP 2026. Segundo eles, as empresas da região estão hoje mais resilientes do que eram há uma década. Além disso, as ações negociam a preços atrativos e podem se beneficiar de uma simples rotação de recursos no mercado global, hoje concentrado em ações americanas.
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Para Ana Reynal, analista da Capital Group, o cenário atual é bastante diferente do observado dez anos atrás. Segundo ela, muitas empresas latino-americanas passaram a crescer em ritmo de dois dígitos, excluindo setores ligados a petróleo e commodities. “Você tem uma região que representa cerca de 7% do PIB mundial, mas menos de 1% do mercado global de capitais”, afirmou. Na avaliação da gestora, essa discrepância reforça uma visão positiva para a região nos próximos anos.
Os gestores destacaram que esse baixo peso da América Latina nas carteiras internacionais pode amplificar os efeitos de qualquer mudança na alocação global. Ana observou que, entre janeiro e março, uma pequena rotação de recursos já foi suficiente para impulsionar os preços dos ativos latino-americanos. O Ibovespa B3, por exemplo, passou por forte valorização no período e chegou a tocar os 199 mil pontos, máxima histórica para o indicador.
Seba Ramírez, da LarrainVial Asset Management, fez avaliação semelhante e afirmou que uma realocação de apenas 1% dos recursos hoje concentrados nos Estados Unidos já representaria um volume significativo para a região. Apesar de acreditar que a inteligência artificial continuará atraindo grande parte do capital global, ele afirmou que a América Latina oferece uma assimetria favorável para investidores, e pode servir como proteção.
Outro fator positivo, segundo os especialistas, é o ganho de eficiência das empresas latino-americanas. Efrain Chavez, da INCA Investments, afirmou que companhias de diversos setores vêm utilizando novas ferramentas para elevar a lucratividade, fortalecendo sua posição competitiva e ampliando participação de mercado. Para ele, esse movimento cria um ambiente favorável especialmente para empresas já consolidadas.