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Milei eleito na Argentina: o que muda para o investidor brasileiro?

Apesar de ser vizinha do Brasil, economia argentina não tem grande impacto sobre o mercado financeiro brasileiro

exportações, argentina
Fonte: Pixabay

Por Daniela Frabasile

Neste domingo (19/11), Javier Milei foi eleito presidente da Argentina, com 55,6% dos votos. Sergio Massa, seu concorrente e atual ministro da economia, teve 44,3% – a maior vantagem de um candidato a presidente nas eleições recentes na Argentina. Milei assume como presidente no dia 10 de dezembro.

Mas, afinal, o resultado das eleições no país de nossos hermanos pode ter algum impacto sobre os seus investimentos? A resposta curta é: provavelmente não. Apesar da proximidade geográfica, o mercado financeiro argentino não tem grande influência um sobre o brasileiro. Entenda mais sobre isso a seguir.

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Relações comerciais Brasil x Argentina

A Argentina é o terceiro principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas de China e Estados Unidos. No entanto, apesar da alta posição no ranking, o país representa 4,14% da pauta exportadora brasileira. 

Como base de comparação, a China recebe 30,6% de todos os produtos exportados pelo Brasil, e Estados Unidos, 10,5%, segundo dados de 2021 reunidos pelo Observatório de Complexidade Econômica (OEC, na sigla em inglês).

“A Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil, então é importante para nossa economia”, afirma Paulo Feldmann, professor da FIA Business School. “Essa eleição é decisiva para eles, a vitória de Milei pode alterar muito as coisas”, diz.

“De uma forma geral, acho que o Brasil pode ter algum problema se a situação da economia argentina piorar. Principalmente nos produtos que mais vendemos para a Argentina. Por outro lado, eu não diria que as empresas brasileiras vão quebrar por conta disso”, afirma Feldmann.

Paulo Gala, professor da FGV EESP, complementa que o impacto maior é para as empresas que fazem negócios com a Argentina, que, em sua maioria, não têm ações negociadas na B3. “A relação entre Brasil e Argentina é principalmente comercial, entre alguns estados, especialmente os mais do Sul do Brasil, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul. São produtos industriais e agropecuários, mas não é algo tão relevante, até porque a maior parte das empresas que tem a Argentina como grande cliente não é listada em bolsa”, afirma.

Destinos das exportações brasileiras (2021)

Fonte: OEC

Entre os produtos mais exportados para a Argentina (considerando os valores), em ordem decrescente, estão: carros, veículos motorizados; peças e acessórios, minério de ferro, ferro semiacabado, caminhões de entrega e tratores.

Produtos exportados para a Argentina (2021)

Fonte: OEC

Feldmann completa: “As empresas argentinas, de forma geral, estão muito pouco presentes no Brasil, e as brasileiras também não estão muito presentes lá. O comércio que existe hoje é mais feito por grandes empresas multinacionais, que se não puderem vender para a Argentina, vão vender para outro lugar”.

Mercado financeiro e eleições argentinas

Outro ponto que deve acalmar os investidores brasileiros quanto aos acontecimentos mais recentes na Argentina é que o desempenho do mercado financeiro brasileiro tem muito mais relação com os maiores mercados internacionais.

Uma nova sinalização do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) sobre a trajetória de juros, um relatório sobre a economia chinesa ou um dado de desemprego na Alemanha tendem a influenciar mais o preço dos ativos aqui do que a eleição dos nossos vizinhos.

“O mercado brasileiro tem seguido muito mais as economias mais desenvolvidas. O que acontece na nossa bolsa não tem relação nenhuma com a bolsa argentina. Não deve ter impacto algum em nossa bolsa, no câmbio ou nos investimentos em renda fixa”, diz Gala.

E o Mercosul com isso?

Paulo Feldmann, da FIA Business School, lembra, entretanto, que a decisão sobre qual será o novo presidente argentino é decisiva para o futuro do Mercosul.

“Em todas as regiões do mundo, uma coisa muito importante são os respectivos blocos econômicos, mas o Merscosul é muito pouco valorizado, os países não dão importância para ele, e isso é muito ruim”, diz. Segundo Feldmann, a vitória de Milei deve enfraquecer ainda mais o bloco.

“O Mercosul nunca vai funcionar sem que Brasil e Argentina tenham ao mesmo tempo líderes que deem importância ao bloco. Esse é o maior risco para nós no caso da vitória de Milei”.

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