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Jogos do ‘Tigrinho’ e ‘Aviãozinho’: como funcionam e por que não são investimentos

Popularizados por propagandas feitas por influenciadores, os jogos de azar são ilegais no Brasil

Jogo do aviãozinho. Foto: Reprodução/Blaze
Jogo do aviãozinho. Foto: Reprodução/Blaze

Por João Paulo dos Santos

Recentemente, jogos como ‘do Tigrinho’ e ‘do Aviãozinho’ se popularizaram no país, principalmente com a alta divulgação feita por influenciadores digitais. Mas essa a promessa de altos rendimentos em prazos curtos não pode, de forma alguma, ser considerada investimentos.

Os jogos não oferecem uma garantia de retorno, assim como uma lógica para o aumento do valor inicial apostado. Assim, o ganho da pessoa fica à mercê da aleatoriedade e da sorte, o que os caracteriza como Jogos de Azar – o que, além de não ser um investimento, é ilegal no Brasil.

Como não são gerenciados por casas de apostas, jogos como esses se multiplicam em várias plataformas online, geralmente sob o disfarce de “cassino online”. As casas de apostas online, chamadas bets, não são ilegais, e sua regulamentação está em trâmite no Congresso. 

O economista e influenciador Gil do Vigor alertou em seu perfil no Instagram sobre o perigo das apostas em jogos de azar. De acordo com ele, aqueles que mais procuram as promessas de rendimentos altos e rápidos são os que precisam mais, os endividados.

“Quanto mais você precisa, mais desesperado está, maior a probabilidade de colocar seu dinheiro, que já não tem muito, em algo que provavelmente vai perder. Dinheiro fácil não existe! Não existe almoço grátis!”.

Como funciona o Jogo do Tigrinho

No “Fortune Tiger”, chamado “Jogo do Tigrinho”, o jogador tem o objetivo de ser contemplado, de forma aleatória, com uma combinação de três figuras iguais nas três fileiras que aparecem na tela. Assim como o famoso caça-níquel, foi desenvolvido para ser jogado na internet, o que o enquadra na categoria de um cassino online.

Recentemente, a polícia civil realizou uma operação que investiga a divulgação e fraudes relacionadas ao jogo, já que esses atos são considerados uma contravenção penal, pois aproveitam da sorte dos jogadores para aplicar golpes.

Blaze: como funciona o crash “Jogo do Aviãozinho”

Outro jogo de azar que ganhou destaque nos últimos meses é o “Jogo do Aviãozinho”. Nele o jogador escolhe a quantia que quer apostar e, conforme o avião sobe, o valor se multiplica. Assim, quanto mais alto, mais dinheiro. 

A partir daí, o jogador assiste a um avião em decolagem e o jogo acontece de dois modos: automático ou manual. Caso escolha o modo automático, uma altura será predefinida antes da decolagem – o avião chegará ao número e, se não explodir antes, os ganhos são liberados. 

Caso escolha o modo manual, o jogador segue os movimentos da aeronave e precisa pressionar o botão de saída antes que a palavra “crashed” surja na tela. Se não conseguir, perde dinheiro.

Como diferenciar investimentos de jogos de azar

Como dito acima, os jogos de azar não demonstram lógica para quem aporta dinheiro. Seus resultados são baseados em mecanismos aleatórios e de sorte. 

Já os investimentos, sejam de renda fixa ou renda variável, apresentam uma lógica e até previsões de rendimentos (ainda que existam riscos), sejam eles baseados em juros, lucros e histórico de empresas ou demanda de compra e venda.

Segundo a educadora financeira Luciana Ikedo, o maior perigo em relação aos jogos de azar é a perda total do valor apostado. “Eles não trazem garantia nenhuma de ganho e favorecem quem os criou e os organiza, que ganham dinheiro justamente iludindo pessoas de bem”. 

“Trocamos horas de vida por trabalho, e trabalho por dinheiro, assim, quando fazemos esse tipo de aposta estamos desperdiçando o que temos de mais precioso: a própria vida”, destaca.

Ela ainda afirma que não existe milagre quando o assunto é investimento. “Quando vemos nas redes sociais promessas de ganhos absurdos, normalmente com iscas de ganhos fáceis como pix imediato na entrada, estamos diante de jogos de azar.”

E ainda alerta que quando algo parece bom demais, o primeiro passo é desconfiar e não sair transferindo o seu recurso para terceiros. “Os investimentos sérios são feitos em seu próprio nome, numa conta sua em uma corretora. Assim, você deverá fazer um processo de abertura dessa conta e uma transferência de mesma titularidade nessa instituição, nunca fazer um pix em nome de terceiros.”

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