Quanto é necessário investir para ter R$ 15 mil de renda passiva por mês?
Meta exige um planejamento a longo prazo e um equilíbrio na carteira de investimentos, a fim de mitigar perdas
Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
Atingir o patamar em que a renda passiva chega aos R$ 15 mil por mês é um sonho para muitos investidores, que há muito planejam metas de longo prazo como aposentadoria e independência financeira, além do alívio em relação às contas e o medo do desemprego. O desafio consiste no alcance desse objetivo, o que envolve planejamento e, sobretudo, paciência para se investir por anos até obter esse resultado.
O tempo de espera, porém, sofrerá variações a depender de fatores como valor dos aportes, rentabilidade do investimento escolhido e a estratégia a ser adotada pelo investidor. Com a taxa Selic no atual patamar de 14,25%, as aplicações em renda fixa podem representar uma opção vantajosa e segura para esse objetivo.
Por outro lado, é importante ficar atento à variação dos juros. Uma queda da taxa reduzirá os ganhos com investimento em renda fixa, que também sofre os descontos do Imposto de Renda. Por exemplo, levando em consideração o patamar atual da Selic, seria necessário um montante acumulado de cerca de R$ 1,4 milhões (considerando os descontos do IRPF) para se obter uma renda mensal passiva de R$ 15 mil.
Tanto as perdas decorrentes de impostos quanto aquelas derivadas de uma redução dos juros exigirão uma revisão do planejamento financeiro no longo prazo, especialmente para os que tem os R$ 15 mil mensais como meta.
Uma tática é a chamada “regra dos 4%”, uma referência bastante utilizada no planejamento financeiro. Ela consiste na retirada de 4% do patrimônio acumulado no primeiro ano, e, após isso, os saques deverão ser realizados conforme a inflação projetada.
Contudo, é necessário que o investidor tenha cautela quanto às retiradas, para garantir que o patrimônio continue a gerar renda, independentemente de variáveis como inflação e taxa de juros. Uma menor taxa de retirada pode ajudar a garantir maior segurança e estabilidade do patrimônio acumulado.
Para aqueles com maior tolerância ao risco, opções como criptomoedas, small caps e fundos imobiliários podem fazer parte da estratégia para acúmulo de patrimônio e criação de renda passiva. Estes ativos, porém, costumam apresentar riscos moderados e maior volatilidade, o que exige uma diversificação da carteira para se evitar possíveis perdas.
Diversificação é a chave
De modo geral, a principal recomendação para os que desejam obter uma renda passiva de R$ 15 mil é a diversificação do portfólio, precisamente para diluir riscos e possíveis perdas.
O equilíbrio ajuda o investidor a não ficar exclusivamente dependente de fatores como a taxa de juros ou ficar suscetível aos riscos da sazonalidade, o que impacta o mercado de ações e debêntures, por exemplo.
Também vale a atenção aos ativos que ofereçam algum grau de proteção contra a inflação. Nesse aspecto, apostar em títulos atrelados ao IPCA, incluindo alguns CBDs, LCIs e LCAs, pode ser uma boa alternativa..
Como começar a investir
Antes de tudo, é preciso que o investidor identifique seu próprio perfil, isso o ajudará a mapear quais estratégias se adequam melhor aos objetivos esperados.
“Para quem começa do zero, é bom pensar numa reserva de emergência. E qual perfil se adequa melhor? É mais conservador? ou mais disposto a tomar riscos? E quanto tempo eu tenho disponível? A combinação dessas respostas nos direciona a montar uma estratégia que se ajuste ao bolso de cada um”, afirma Teresa Tayra, consultora de projetos de educação financeira em escolas.
“O grande aliado nessa jornada é o conhecimento. Se sabemos que o tempo joga a nosso favor, começar o quanto antes fará os juros construírem mais que os aportes. Se sabemos que a inflação nos faz perder o poder de compra, é importante ficar atento à meta definida”, acrescenta.
Nessa equação é preciso ponderar o aumento do custo de vida, seja por fatores externos, como a própria inflação, ou devido a mudanças pessoais, como o aumento da família, o que pode reduzir margem para novos aportes.
Isso vale tanto para os que almejam os R$ 15 mil mensais de renda passiva quanto para os que desejam começar a investir do zero e criar um portfólio a partir de aportes que caibam no bolso.
Nesse sentido, o investidor pode contar com ferramentas aliadas para ajudá-lo a se programar. Um exemplo é a calculadora do Tesouro Direto, que ajuda a mapear os objetivos com base em aspectos como idade, renda mensal desejada, e se há algum aporte inicial a ser feito.
