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Rebalanceamento de portfólio: o que é, como e quando fazer?

Investidores devem reavaliar suas carteiras de tempos em tempos. Saiba como fazer isso

Uma planilha impressa em papel branco, com uma calculadores e uma caneta prateadas
Investimentos temáticos: como melhorar o desempenho de um portfólio tradicional

Você já deu o primeiro passo: começou a investir e montou uma carteira de investimentos diversificada. Trabalho feito, hora de fechar o aplicativo da corretora, descansar e esperar a hora de usar o dinheiro, certo? Não é bem assim. De tempos em tempos, os investidores precisam fazer um rebalanceamento do portfólio.

“Antes de 2008, era comum fazer um portfólio e não mexer nele por um tempo considerável. De lá para cá, especialmente desde a pandemia, não dá mais para fazer um portfólio e ‘sentar nele’”, explica a planejadora financeira Luciana Ikedo. Segundo ela, é essencial revisitar a carteira de tempos em tempos para rebalancear as posições.

Como fazer o rebalanceamento?

Há algumas razões que explicam a necessidade de mudar a alocação de seu dinheiro. A primeira delas é uma mudança de cenário. Se você fez um investimento com expectativas sobre uma empresa que não se concretizaram, pode ser hora de avaliar se mantém ou não o ativo na carteira.

Outra hora importante de fazer a revisão é quando uma parte do portfólio tem uma grande valorização ou desvalorização.

André Meirelles, diretor de alocação e distribuição da InvestSmart XP, explica: se por algum motivo a representatividade de uma classe de ativo na carteira ficou muito abaixo ou acima do que estava desenhado previamente, o ideal é fazer um ajuste para voltar à alocação original.

Nessa hora em que é preciso deixar as emoções de lado e focar no racional. O movimento necessário nesse momento pode até parecer contra intuitivo, mas há uma lógica por trás disso.

Para fazer o que Meirelles explica, é preciso aportar mais dinheiro na classe de menor rentabilidade, ou na que teve a maior perda. Isso porque o movimento pode significar uma oportunidade.

Luciana Ikedo dá um exemplo de quem conseguiu ver essa oportunidade e embolsar bons lucros. “Até abril de 2023, a bolsa caiu consideravelmente. Depois, andou a passos lentos, mas arrebentou no fim do ano. Os investidores que conseguiram entender que o momento de baixa representava um bom ponto de entrada surfaram a onda”, lembra.

“A emoção pesa muito. As pessoas são seguidoras de tendências e acham que o que mais subiu vai continuar a subir, e o que mais caiu vai continuar caindo. Mas muitas vezes, o que mais subiu ficou caro”, explica.

Segure as emoções – e nada de pular de galho em galho

Revisar a carteira é essencial, mas isso não significa desmontar totalmente um investimento e apostar todas as fichas naquele que é visto como “a bola da vez”. “Quando fundo vai muito bem ou quando a bolsa dispara, estamos olhando para o passado. Mas as pessoas veem isso e querem entrar. O contrário também acontece, quando um ativo vai mal, logo querem sair. Mas essa decisão muitas vezes é pautada pelo emocional e pela visão do retrovisor”, diz Ikedo.

A emoção, nessas horas, é a pior inimiga do investidor. “São dois medos. O medo de perder dinheiro de fato, e o FOMO (fear of missing out). As pessoas olham que ativo subiu pra caramba e pensam que se não estão nele, precisam comprar. Pensam ‘não aguento mais ver meu vizinho ganhar dinheiro e eu não”.

O melhor é fazer aportes recorrentes

Esse rebalanceamento pode ser feito mensalmente, com novos aportes do investidor. Segundo Meirelles as carteiras de os clientes que fazem novos investimentos de forma recorrente estão entre aquelas com melhor desempenho na InvestSmart. “Quando se faz aportes constantes, é possível consegue ver o que é oportunidade e comprar ‘o que ficou barato’”, diz.

Nem todo dia, mas também não uma vez por ano

E de quanto em quanto tempo é preciso ver seu portfólio e fazer esses ajustes? Segundo Luciana Ikedo, o ideal é revisar mensalmente ou, no máximo, a cada três meses. “É um bom tempo para você conseguir ver o que não faz mais sentido e buscar oportunidades que surjam”, diz.

Mas fazer mudanças com muita frequência é um erro. Segundo ela, quando o investidor consegue se antecipar a um novo cenário e se posicionar para ele, como a queda da Selic, muitas vezes o movimento de preço demora a acontecer. “Mas a estratégia continua válida, mesmo que vá render menos nos primeiros meses”, diz ela. “O importante é entender se houve mudança de cenário ou uma mudança significativa na vida do investidor. Tirando esses momentos, o olhar diário só traz borboletas para os estômagos”, afirma.

Como decidir os porcentuais de seu portfólio?

O quanto investir em renda fixa (e dentro da parcela de renda fixa, em prefixados, pós-fixados e títulos atrelados à inflação) e em renda variável depende do seu perfil de investimento. Segundo Meirelles, estudos sugerem que a alocação mais eficiente seria “equally weighted”, ou seja, com porcentuais iguais a todas as classes de ativos.

Na prática, ele diz que os investidores tendem a ser mais conservadores e por isso optam por uma alocação maior em renda fixa – e dentro da renda fixa, em pós-fixados. “Manter-se diversificado é a regra, mas dada a aversão a risco, tendemos a dar peso um pouco maior aos ativos mais conservadores. O investimento não pode custar horas de sono”, diz ele.

“Ninguém se arrepende muito de ser conservador e ir ficando mais agressivo ao longo do tempo. Mas já vi 300 vezes alguém achar que tem perfil agressivo e perceber que isso não é verdade quando a bolsa cai”, afirma.

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