Organizar as contas

CDB, Educa+, Previdência: como guardar dinheiro para pagar a escola dos filhos?

O planejamento pode orientar uma família a gastar menos nos anos iniciais e pagar uma escola melhor nos anos seguintes, por exemplo

giz
Saiba quais as opções para investir pensando na escola de seus filos. Foto: Pixabay

Élida Oliveira, especial para o Bora Investir
Planejar o futuro financeiro para poder pagar a escola dos filhos traz para o investidor um ponto importante para os rendimentos: o tempo. Com ele, é possível reduzir o valor que se precisa aplicar todos os meses e ampliar as opções para investir.

Muito se fala em guardar dinheiro para pagar a faculdade, mas também é possível investir e ter uma renda extra para pagar a escola enquanto as crianças ainda estão na educação básica. O planejamento pode orientar uma família a gastar menos nos anos iniciais e pagar uma escola melhor nos anos seguintes, por exemplo.

A ideia é fugir da poupança – e há diversas opções com melhores rendimentos. Para o investidor iniciante, focar em renda fixa pode trazer maior tranquilidade porque garante um rendimento previsível, sem as grandes flutuações da renda variável – o que pode acontecer com as ações, por exemplo. 

Entre essas opções, estão o CDB (Crédito de Depósito Bancário), a Previdência Privada, e o Tesouro Direto por meio do produto Educa+.

Mas, como escolher entre um e outro? Confira abaixo as características de cada um deles, uma simulação de rentabilidade e uma análise de especialista.

CDB

Os CDBs (Crédito de Depósito Bancário) atraíram 17 milhões de investidores até o final de 2023, 15% a mais do que um ano antes. Os CDBs são papéis emitidos por bancos ou instituições financeiras para captar recursos. Na prática, é como se você emprestasse dinheiro para o banco por um determinado prazo, em troca de juros. Há o risco do banco não pagar, mas ele é considerado baixo. Além disso, o CDB é coberto pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito) – caso o emissor venha à falência, esse fundo vai cumprir os pagamentos.

No CDB, é possível fazer aportes a partir de R$ 100. Há diversos tipos de CDBs, como os prefixados (quando você sabe a rentabilidade final), pós-fixados (quando a rentabilidade varia conforme o índice contratado, como IPCA ou CDI), e os híbridos. 

O rendimento desses títulos é tributado de acordo com a tabela regressiva do Imposto de Renda, que vai de 22,5% (para aplicações de até 180 dias) a 15% (para aplicações resgatadas acima de 720 dias).

Previdência Privada

A previdência privada foi criada como um produto para a aposentadoria, mas pode ser usada no planejamento de uma renda extra para pagar a escola dos filhos. 

Há opções de previdência que, após o vencimento, pagam o rendimento em parcelas periódicas. Para esse produto valer a pena, é preciso ficar atento às taxas e regras de tributação, que podem tornar essa opção pouco atraente em alguns casos. 

Para Vivian Rodrigues, planejadora financeira e fundadora da Papo de Valor, a previdência só começa a ficar interessante em prazos maiores do que 10 anos – e, ainda assim, não é para todos os casos. 

Na hora de contratar, observe as opções. Há dois tipos de previdência privada: o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre), em que a tributação incide sobre o rendimento do investimento, e não há dedução no imposto de renda; e o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre), em que a tributação é cobrada sobre o valor total do resgate, mas cujos aportes podem ser deduzidos no imposto de renda.

Educa+

O Educa+ é um produto do Tesouro Direto pensado para custear a educação, seja cursos, faculdade ou educação básica. Isso porque ele tem um período de acumulação e, depois, paga os rendimentos por um período de cinco anos – tempo que dura um ciclo de educação, em média. 

Atualmente, há opções de investimentos com resgate de 2026 até 2042. Quanto antes começar a investir, maior o rendimento acumulado.

No site do Tesouro Nacional, é possível fazer uma simulação para encontrar o melhor produto. Basta inserir informações como idade da criança, quando ela irá para a faculdade (ou escola, por exemplo), e qual o valor que quer receber mensalmente. É possível para simular com investimento inicial ou começando do zero. Com base nestes dados, a ferramenta irá te dizer quanto deverá investir todos os meses.

“Não precisa colocar todo mês o mesmo valor, dá para colocar tudo de uma vez agora, dá para colocar um valor e depois aumentar, dá para variar ao longo dos meses. Mas é importante ter alguma recorrência, isso faz muita diferença no acúmulo de patrimônio para esse projeto”, explica Vivian Rodrigues.

Qual o melhor rendimento?

A pedido da reportagem, o professor Marcos Milan, da FIA Business School, fez uma simulação dos rendimentos de cada uma dessas opções.

A tabela abaixo mostra quanto o investidor teria de retorno ao fim dos prazos de três, cinco e 14 anos, considerando aportes mensais de R$ 2.000.

CDB
PrazoRendimento (R$)Taxa de Administração (R$)Imposto (R$)Total Final (R$)
3 anos (36 meses)      80.100,54                                        –    1.215,08    78.885,45
5 anos (60 meses)      143.929,47                                        –    3.589,42  140.340,05
14 anos (168 meses)      577.291,53                                        –  36.193,73  541.097,80

A simulação foi feita com um CDB com rendimento de 110% do CDI – com CDI constante de 10,4% ao ano. O cálculo final considera a tabela de imposto de renda fixa (regressiva). Como esse investimento não tem taxa de administração, o custo é zero.

Educa+
PrazoRendimento (R$)Taxa de Administração (R$)Imposto (R$)Total Final (R$)
3 anos (36 meses)          80.827,08                              849,92  1.324,06        78.653,09
5 anos (60 meses)          146.190,14                              2.723,80  3.928,52      139.537,82
14 anos (168 meses)          606.066,44                              33.379,7240.509,97      532.176,76

Aqui, a simulação de Milan considerou 0,2% de taxa de administração ao semestre sobre o valor que exceder R$ 10.000 investidos, uma rentabilidade média de 0,5% ao mês e a tabela de imposto de renda fixa (regressiva).

Previdência Privada
PrazoRendimento (R$)Taxa de Administração (R$)Imposto (R$)Total Final (R$)
3 anos (36 meses)    78.672,21                            2.360,172.001,66  74.310,38
5 anos (60 meses)    139.540,06                            6.977,004.885,02127.678,04
14 anos (168 meses)    524.609,53                          73.445,33  18.860,95432.303,24

Os cálculos foram feitos em cima de uma rentabilidade média de 0,5% ao mês, considerando uma previdência privada do tipo VGBL e imposto regressivo, com taxa de administração de 1% ao ano.

Investidores devem avaliar cada caso

Os números da simulação mostram um cenário baseado em projeções que podem mudar de acordo com os rumos da economia. 

Em prazos mais curtos, os rendimentos se mostram menos expressivos e podem influenciar a decisão de pagar a escola ou investir o dinheiro. Em prazos maiores, o rendimento fica mais atraente.

Entre as opções, o CDB se mostrou mais vantajoso. Mas é preciso considerar que a rentabilidade do CDB, vinculada ao CDI, está suscetível às mudanças na taxa Selic – se houver uma redução, por exemplo, o rendimento cai, alerta Milan.

Vivian Rodrigues, planejadora financeira e fundadora da Papo de Valor, alerta para outra característica do CDB: ele tem prazo de vencimento de até cinco anos. Neste cenário de simulação, quanto maior o tempo, maior o risco de reinvestimento. Ou seja, a cada cinco anos, quando a pessoa receber o dinheiro aplicado e o rendimento, e reinvestir em CDB, as taxas poderão ser outras.

“A gente não vai conseguir fazer um CDB de 15 anos, então se eu começar a pagar essa faculdade daqui 15 anos, eu vou precisar fazer um CDB de 5 anos, depois outro CDB de 5 anos, depois outro CDB de 5 anos. Então a gente, naturalmente, vai pagar um pouquinho mais de imposto no meio do caminho todas as vezes que vencer o título e a gente tiver que comprar um outro. É o risco do reinvestimento”, explica.

Já o Educa+ não tem essa mesma característica do CDB. A simulação do site do Tesouro Direto mostra as taxas de rendimento (que é a inflação mais uma taxa fixa) e o quanto o investidor irá receber ao final do período contratado, afirma Vivian. 

A Previdência pode trazer maior expectativa de rendimento em planos mais arrojados, e menor em planos mais conservadores. 

Ela aconselha as famílias a estudarem os produtos antes de decidir por um investimento. Outra dica é buscar ajuda de consultores financeiros para estabelecer um plano personalizado e adaptado a cada realidade. Além das opções apresentadas acima, há outros investimentos em renda fixa atrelados à inflação que podem compor uma carteira mais variada para o mesmo objetivo.

Para conhecer mais sobre finanças pessoais e investimentos, confira os conteúdos gratuitos na Plataforma de Cursos da B3.