Organizar as contas

Jovem investe mais, mas cuida menos das próprias contas, diz Serasa

Estudo da empresa revela como cada geração cuida das suas próprias finanças

Jovem profissional na biblioteca escrevendo fórmula em vidro. Foto: Adobe Stock
Jovem profissional em biblioteca. Foto: Adobe Stock

Por Guilherme Naldis

Quando se fala de finanças, os jovens da geração Z, que nasceram entre 1995 e 2010, estão mais interessados em conteúdos sobre investimentos e renda extra do que em organizar as próprias contas.

Segundo a primeira edição da pesquisa Serasa Comportamento, que investiga a relação das gerações com o dinheiro, 57% deles têm interesse por estes assuntos. Ao mesmo tempo, o estudo revela que 64% dos mais jovens não têm o hábito de registrar todos os seus gastos – corriqueiros ou planejados.

A pesquisa ouviu 4.486 pessoas das quatro gerações consideradas pela sociologia. Elas são:

  • Os baby boomers, que são pessoas maiores de 59 anos;
  • A geração X, composta por quem tem entre 42 e 58 anos de idade ;
  • Os da geração Y, da faixa-etária dos 29 aos 41 anos;
  • E a geração Z, que tem entre 18 e 28 anos 

Apesar de ter muitas diferenças, os quatro perfis também possuem muito em comum. Uma das unanimidades entre todas as faixas etárias é o uso do Pix, por exemplo. O mecanismo do Banco Central do Brasil é a forma de pagamento preferencial de 75% dos baby boomers e da geração X, enquanto 78% da geração Y adotou o Pix e, na geração Z, a adesão é de 84%.

Jovens preferem estudar investimentos do que organização das contas 

A pesquisa ouviu 1.293 baby boomers, 1.089 GenX’s (que é abreviação para quem nasceu neste período de tempo), 1.061 GenY’s e 1.053 GenZ’s. Cerca de seis a cada dez brasileiros, de todas as gerações, não fazem o registro de todos os seus gastos, e os das geração Z lideram o ranking.

36% dos mais novos registram todos os seus gastos, enquanto 57% variam entre registrar algumas despesas e não anotar nada. Na geração Y, o índice de registro de todas as contas é de 37%. Na X é de 38% e, entre os baby boomers, de 43%. 

 A razão para isso está na experiência de vida de cada um dos grupos. Segundo Patrícia Camillo, especialista em finanças da Serasa, o grau de preocupação com controlar os gastos é proporcional à experiência de vida.

Por outro lado, se os mais velhos são mais responsáveis com seus bolsos, os mais jovens estão mais interessados em ter liberdade financeira

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Na geração Z, o tema de maior interesse (quando se trata de finanças) são os relacionados a investimentos, que lideram o ranking com 57%. A mesma coisa ocorreu nas duas gerações anteriores: investimentos chamam a atenção de 58% dos GenX’s e de 61% dos GenY’s. 

Já entre os baby boomers, os investimentos estão na dianteira do interesse sobre finanças para 29% dos entrevistados – o primeiro lugar ficou com os assuntos ligados ao cenário econômico, com 31%. “Quem é mais novo ainda não fez a correlação entre renda e despesa, por isso os mais jovens também estão mais na bolsa”.

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Segundo o último levantamento da B3, 49% dos investidores da bolsa de valores do Brasil têm entre 25 e 39 anos, ou seja: são das gerações Y e Z. A especialista afirma que o descompasso entre a despreocupação com as contas e o interesse pelo mercado financeiro acontece porque os mais novos, em particular a geração Z, é nova no mercado de trabalho. “Pode ser que eles ainda não tenham feito a correlação entre receita, despesa e investimento”. 

Já os mais velhos viram o Brasil passar por muitos ciclos econômicos e políticos diferentes, por isso eles são mais desconfiados e precavidos, aponta Camillo.

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