Organizar as contas

4 gastos que podem te impedir de investir

Para investir é preciso sanear as contas. Aprenda aqui a evitar gastos desnecessários e fazer o seu dinheiro sobrar

Fotografia de um par de mãos segura uma carteira vazia.
O recorde da série histórica do Banco Central ocorreu há exatamente um ano, em julho de 2022 (50,1%). Foto: Adobe Stock

Por Guilherme Naldis

Começar a investir pode ser simples. Já é possível iniciar sua jornada rumo à independência financeira com R$ 1,00. Mas, se você quiser dar passos mais ousados e ver seus investimentos darem retornos maiores, é preciso se preparar com cuidado e evitar 4 gastos que te impedem de investir.

Afinal, o dinheiro a se aplicar é um recurso escasso. Muitas vezes, investir significa economizar com outros gastos e, até mesmo, abrir mão de certas despesas. E pode ser que, no final das contas, alguns hábitos de gastos nem façam tanta falta assim.  

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“Pode não parecer, mas os gastos pequenos são os piores. Você acha que são inofensivos, mas no longo prazo eles se acumulam e fazem muita diferença”, disse Rodrigo Pinheiro Salvador, sócio da HCI Invest e planejador financeiro da Planejar.

Por isso, é preciso saber quais despesas podem ser enxugadas, quais devem ser eliminadas e quais são indispensáveis. Assim, com as contas organizadas, é possível abrir espaço no orçamento para destinos mais nobres, como investimentos.

Como ajustar o orçamento antes de investir

Apesar de um cenário de inflação alta, consultores financeiros apontam alguns caminhos que podem ajudar o investidor iniciante a se preparar para uma nova empreitada financeira.

  1. O primeiro deles é listar tudo que se gastou durante o mês e qual o valor necessário para sustentar esse nível de consumo;
  2. Depois, é preciso fazer o inverso: projetar o quanto será gasto no mês seguinte e com o que se gastará. Nesta parte, é preciso ter em perspectiva sua fonte de renda, e desenhar os gastos com o orçamento em mente;
  3. Em seguida, é necessário olhar para as despesas recorrentes e avaliar sua necessidade. Se forem, de fato, indispensáveis, é preciso checar se são substituíveis. Muitas vezes, existem opções mais baratas para o mesmo consumo.

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Com esses dados em mãos, aí sim, será possível começar a cortar despesas. Caso contrário, a economia ficará desregrada e, portanto, inconsistente. 

“Quando você discrimina seus gastos, é preciso estabelecer algum tipo de proporção fixa. Cada caso é um caso, mas uma regra que funciona muito bem é a 50-30-20. Essa regra diz que 50% do seu orçamento deve ser usado para os gastos fixos, 30% com os gastos variáveis e 10% em investimentos”, aconselha Anderson Domingos, fundador da Favos Invest.

1. Comer fora

Todo mundo gosta de comer algo diferente às vezes. Mas a frequência da alimentação fora de casa pode ser perigosa para o seu bolso. Planejadores financeiros estimam que as refeições em restaurantes e lanchonetes sejam, a médio e longo prazo, 30% mais caras que as feitas em casa.

Também, pudera. Cozinhar é uma atividade que dá trabalho e seus profissionais devem ser remunerados. Além disso, pesa todo o trabalho administrativo e organizacional de quem gere um estabelecimento, como a manutenção do espaço, o pagamento dos funcionários, a seleção dos ingredientes e a montagem de um cardápio adequado.

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Todos estes valores estão embutidos na sua comanda – isso quando você não paga pela entrega, já que serviços de delivery tem todos os custos acima mais o frete e a taxa de comissão aos aplicativos. Então, experimentar receitas diferentes em casa pode ser uma opção para quem quer poupar uma grana e ainda provar pratos novos.

2. Apagar as luzes

Domingos, da Favos, se diz contrário à visão de que o investidor precisa ter uma vida celibatária em relação aos seus custos de vida. Para ele, não é preciso se desfazer de hábitos do dia a dia ou enxugar todos os consumos que geram felicidade. “Até porque o dinheiro é feito pra gastar”, brinca.

Por outro lado, ele enfatiza a importância de se atentar aos pequenos gastos que passam despercebidos e que podem, sim, deixar seu bolso furado. Ele cita como exemplo a tarifa de energia elétrica. “No ano passado, a conta de luz foi a que mais subiu. Então é preciso largar o hábito de deixar as luzes acesas quando está em outro lugar porque esse é, literalmente, um desperdício de dinheiro”.

Segundo o especialista, este é o tipo de coisa que se leva para a vida. “Quando você entende que é um gasto bobo, mas que você está perdendo dinheiro, você internaliza isso e passa a fazer parte do seu jeito de viver”, afirma. Da mesma forma, Domingos diz que outros desperdícios, como banhos muito longos e deixar aparelhos sem uso na tomada, passam a se tornar intuitivamente repreensíveis.

3. Pagar por serviços gratuitos

Quem trabalha em modelo home-office ou híbrido sabe o quão importante é ter um cronograma diário organizado. O problema é que a maioria dos aplicativos de agendas são pagos e requerem uma mensalidade. Não são caras, mas são pagas – e podem variar entre R$ 10 e R$ 20. À esta altura da matéria, você já entendeu que toda moedinha importa, né?

Por isso, vale a pena conferir se o seu celular já não possui um aplicativo próprio de organização, como o Google Calendar ou a Agenda da Apple. E isso vale para muitas outras funções, ok? Antes de pagar por um novo aplicativo, confira se o seu dispositivo não tem a funcionalidade nativa ou se não há uma opção gratuita na internet.

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“Se as contas estão apertadas ou não, sempre haverá um gasto que pode ser enxugado. Na ponta do lápis, sempre dá pra apertar um pouco mais. Mas isso acontece de acordo com a necessidade”, diz Pinheiro, da Planejar.

4. Pagar por serviços que você não usa

Tudo pode ser revisto, e nossas necessidades mudam com o tempo. Em finanças pessoais, o contexto importa muito mais que as regras genéricas. Dessa forma, os planejadores financeiros recomendam que se mantenha a vigilância constante dos gastos recorrentes para não acabar pagando por um serviço que já não é tão útil.

“Imagine que você pagou por um streaming para ver o lançamento de um filme. Depois de assistir a cobrança vai estar constante e você mal tem tempo para ver todo o catálogo. Nesse caso, é melhor cancelar o plano e aplicar esse dinheiro em outra coisa mais útil”, afirma Domingos.

Gostou das dicas? Se quiser saber mais sobre finanças pessoais e investimentos, acesse os cursos gratuitos do Hub de Educação da B3.

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