Organizar as contas

Como não ser engolido pelas despesas de janeiro – e ainda investir

Diferentes gastos extras aparecem no mês de janeiro, mas não é impossível controlá-los e ainda poupar

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Especialistas dão dicas de como se organizar para os gastos de janeiro. Foto: Adobe Stock

Por João Paulo dos Santos

O começo do ano é conhecido pelo otimismo de metas novas, mas também pelos gastos extras que temos nessa época. IPVA, IPTU, materiais escolares, matrículas e gastos extras com as festas de fim de ano costumam aparecer em janeiro. 

Por isso, é importante ter uma atenção extra nesse tempo para não deixar que as “novas” despesas atrapalhem uma vida financeira saudável no ano que está apenas se iniciando – para ainda poder começar a investir. A educadora financeira da Open Co Lai Santiago afirma que as orientações para não deixar o orçamento no vermelho no começo do ano, como também em outras épocas, incluem: 

  1. Fazer uma lista de todos os gastos extra esperados e estabelecer um teto para cada um deles.
  2. Comparar preços e procurar ofertas antes de comprar qualquer coisa.
  3. Considerar alternativas mais baratas, como fazer presentes em vez de comprá-los ou optar por férias mais simples, perto de casa, para economizar.
  4. Fazer uma reserva para cobrir esses gastos extras, aproveitando recebimentos extras de décimo terceiro, férias e participação de lucros.
  5. Aproveitar benefícios de pontos e cashback dos programas de fidelidade oferecidos pelos cartões de crédito e lojistas.
  6. Eliminar gastos inúteis, como taxas de cartões ou serviços que não estão sendo mais utilizados.

Para Lenon Bonk Sabino, especialista em investimentos do Ailos, outras boas maneiras de controlar essas despesas extras é planejar com antecedência, fazer um caixa (reserva) para não ter que desembolsar tudo de uma vez. Assim, como lembrar que no caso de pagamento à vista, você poderá ganhar um desconto.

O especialista da Ailos ainda reforça que o planejamento financeiro é melhor caminho para lidar com os aumentos de gastos. “Não gastar mais do que ganha; guardar parte dos recursos adicionais (13º e 30% das férias) para estas despesas. Ter constância, recorrência, criar o hábito de poupar mês a mês. Buscar por uma renda extra também ajuda muito”, afirma ele. “Começar a poupar é sempre mais difícil, mas quem começa dificilmente quer voltar atrás. Planilhas ou aplicativos de controle dos gastos familiares também podem ajudar”.

Após controlar as despesas de janeiro, como ainda investir?

Segundo a educadora da Open Co, o grande ponto também é entender como o comportamento humano pode fazer com que os resultados sejam alcançados ou não. Ser realista é essencial para poder ter o controle das contas para poder começar a poupar, e assim investir.

“No começo do ano, as pessoas tendem a ter um sentimento de otimismo infundado. Conhecido na Economia Comportamental como viés do otimismo, essa crença de que o futuro será melhor pode nos levar a gastar mais e assumir compromissos financeiros que podem nos sobrecarregar. Seja ao assinar um contrato anual na academia, ou ao comprar uma coleção de livros, é comum que as pessoas tomem decisões equivocadas porque acreditam que terão hábitos e condições financeiras melhores”, diz ela.

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Por isso, para Santiago, o ideal é que as nossas decisões considerem a impossibilidade de mensurar a motivação futura. Ou seja: ser mais pessimista ao projetar os gastos e as expectativas com relação ao próprio comportamento é essencial.

  • Comece devagar, poupe valores pequenos e aumente gradativamente.
  • O momento ideal de guardar dinheiro é na data do seu salário, antes de começar a gastar. Dessa forma, o valor não fica mais disponível na conta e você vai ter mais facilidade de se adaptar a um valor menor de gastos.
  • Faça bom uso da nossa tendência à preguiça e programe aplicações automáticas, como no tesouro direto, para a data do seu salário, assim o valor será guardado sem que você perceba e as chances de manter a disciplina são maiores.

“Juntar dinheiro, para o nosso cérebro, provoca as mesmas sensações de perder dinheiro. E um dos vieses mais poderosos na influência do comportamento humano é a aversão à perda. As pessoas evitam perder dinheiro, mas, acima de tudo, evitam perder as oportunidades de aproveitar o presente. Como o futuro é um conceito muito complexo para o nosso cérebro, que ainda é muito primitivo na hora de escolher, a gente entende que não gastar no agora é equivalente a deixar dinheiro para um estranho (o eu do futuro)”, explica e ainda afirma que é por conta disso que tornar o hábito de investir tão simples e intuitivo quanto o hábito de consumir é a melhor forma de ter sucesso no objetivo de juntar dinheiro.

Sabino, especialista da Ailos, cita os mesmo passos que a educadora, e ainda acrescenta a importância de na hora que começar a investir não negligenciar a etapa fundamental que é respeitar o seu perfil de investidor.

“Diversifique seus investimentos; se precisar busque por um profissional especializado no assunto. Divida os objetivos de curto, médio e longo prazo. Pense na aposentadoria: quanto antes começar melhor. Por fim, procure por uma instituição financeira séria, sólida e segura”, completa ele.

Para quem precisa fazer um planejamento financeiro, a B3 oferece um curso sobre como organizar suas finanças.

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