Câmbio

Real valorizado faz PIX ganhar espaço no comércio da Argentina

Plataforma digital privada do país se antecipou ao Banco Central e passou a oferecer pagamentos instantâneos via PIX no país vizinho

Celular mostrando aplicativo do banco central
Modalidade Pix no aplicativo do BC Crédito: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

A expressão ‘jeitinho brasileiro’ é bem conhecida no nosso dia a dia para se referir ao modo como a nossa população improvisa para solucionar situações adversas. Essa característica andou ultrapassando fronteiras, assim como o nosso meio de pagamentos instantâneos: o PIX.

É que muitos estabelecimentos comerciais da Argentina deram um ‘jeitinho’ e passaram a aceitar o PIX no país. Avisos em vitrines de lojas de alfajores e garrafas de vinho chama a atenção dos turistas brasileiros na cidade fronteiriça de Puerto Iguazú.

Enquanto o peso perde valor e poder de compra diariamente, diante de uma inflação exorbitante e juros altíssimos, o Real ganha espaço na economia da Argentina. (ver mais abaixo).

Em entrevista à BBC News Brasil, uma vendedora contou que aderiu ao Pix mesmo tendo que pedir ajuda a um amigo com conta no Brasil para receber o dinheiro. “Não podemos correr o risco de perder clientes brasileiros”.

Outros comerciantes também disseram à reportagem que usavam o Pix por meio de contas de familiares e que até fizeram sócios brasileiros.

Como é possível o comércio da Argentina usar o PIX?            

Uma plataforma argentina chamada KamiPay, cujos criadores são da iniciativa privada e trabalham com parceiros no Brasil, viram na tecnologia um jeito de exportar o PIX.

Através da plataforma, o pagamento é feito em real por meio de leitura de QR Code, como no Brasil. O uso da tecnologia blockchain agiliza as operações para que o comércio argentino receba na hora o pagamento.

“Ninguém anda mais com maços de dinheiro, e no Brasil vimos como é comum o uso do Pix”, afirmou Nicolas Enrique Bourbon, cofundador da KamiPay, à BBC News Brasil. A empresa já negocia expandir para Uruguai e México.

“O turista brasileiro que chega aqui, com um emaranhado de cotações, fica até confuso”, conclui Bourbon.

Desde junho, o Pix já pode ser usado em lojas em todo o território argentino, especialmente pontos turísticos. A iniciativa antecipou o plano do Banco Central brasileiro de exportar a tecnologia de pagamentos instantâneos para os vizinhos.

O Banco Central Argentino afirmou, sem citar diretamente o Pix, que reconhece o sistema levado ao país pela iniciativa privada. Disse que os “turistas poderão pagar com carteiras eletrônicas um tipo de câmbio que terá como referência dólares”.

Complexidade cambial argentina

A Argentina possui hoje cinco cotações do dólar que são mais conhecidas. No entanto a imprensa local já fala em 15.

Para o Banco Central da Argentina, existe apenas uma cotação: a oficial. Mas no dia a dia a situação é bem diferente. Existe o dólar paralelo (chamado de blue) que é o mais popular, o MEP (definido pelo mercado financeiro) e o dólar turismo.

Nesta quarta-feira, 19/07, o dólar oficial era cotado a 279 pesos. O dólar blue vale 520 pesos, o chamado MEP vale 494,77 pesos e, o turismo, 558 pesos. No câmbio, que tem como referência o dólar blue, o real era cotado a 109 pesos. As informações são do jornal ‘El Cronista’.

Importante explicar que o dólar blue, que é mais vantajoso, é oferecido apenas em papel moeda ou transferência direta de valores para a Argentina.

Se o turista brasileiro usar seu cartão de crédito, a cotação de referência será o dólar MEP. Ela é bem menos vantajosa, pois inclui o Imposto de Operações Financeiras, o IOF e a taxa do serviço cambial do banco (spread).

Economia da Argentina

Segundo a reportagem da BBC News Brasil, a alternativa do PIX é uma forma do comércio argentino tentar se proteger da inflação exorbitante.

Apenas no mês de junho, os preços na Argentina subiram 6%. No acumulado do ano, a inflação já chega a 50,7%. Em 12 meses, impressionantes 115,6%.

As instabilidades econômicas são recorrentes na Argentina, que sofre há anos com a hiperinflação. A situação se agravou em meio a desvalorização do peso e ao aumento da pobreza.

Vale a pena viajar para a Argentina com peso tão desvalorizado?

A impressionante desvalorização do peso deixa os turistas brasileiros ouriçados para realizar uma viagem mais barata para a Argentina.

Uma comparação feita pelo site Quanto Custa Viajar, a pedido do Bora Investir, mostrou que a inflação está ganhando nesta conta, ao menos quando se trata do câmbio oficial.

Já na cotação do mercado paralelo, que é metade da oficial, alimentação, transporte, compras e ingressos de passeios ficam mais baratos.

Recordes do PIX

O número diário de transações pelo PIX bateu recorde por dois dias seguidos no inicio de julho, segundo o Banco Central.

Na quinta-feira, 06/07, o BC registrou 129,4 milhões de transações. No dia seguinte, foram 134,8 milhões.

“Os números reforçam a relevância do PIX, meio de pagamento disponibilizado à população brasileira em novembro de 2020, no funcionamento da economia nacional”, disse o BC, em nota.

Em junho, foram feitas 2,86 bilhões de transações por PIX, maior número da série histórica, que começou em novembro de 2020. Hoje, são mais de 405 milhões de contas cadastradas.

Em 2022, o PIX foi a principal forma de pagamento usada pelos brasileiros, atingindo 29% de todas as transações registradas. Em 2021, foi 16%.

* Reportagem com informações da BBC News Brasil

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