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Ata do Copom: cenário de alta dos juros é menos provável, mas não descartado

Na ata, assim como no comunicado, o Copom repetiu que segue "vigilante" considerando a incerteza ao redor dos seus cenários

Fachada Banco Central do Brasil
Logo do Banco Central: na semana passada, o colegiado manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano pela sexta reunião consecutiva. Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central repetiu, na ata de seu encontro deste mês, que o cenário de retomada do ciclo de ajuste dos juros é menos provável. Contudo, aponta que não hesitará em adotá-lo caso a desinflação não ocorra como o esperado. Na semana passada, o colegiado manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano pela sexta reunião consecutiva.

Na ata, assim como no comunicado, o Copom repetiu que segue “vigilante” considerando a incerteza ao redor dos seus cenários.

“O Comitê reforça que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê avalia que a conjuntura demanda paciência e serenidade na condução da política monetária”, repetiu, em meio à forte ofensiva do governo federal pela queda dos juros.

Em relação à decisão deste mês, o BC disse na ata, assim como no comunicado, que a manutenção é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, que, agora, inclui somente o ano de 2024.

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A projeção oficial do BC para o ano que vem é para 2024 é de 3,6% no cenário de referência, acima do centro da meta de 3%, e de 2,9% no cenário alternativo, que considera a Selic constante por todo horizonte relevante.

Sobre a manutenção da Selic pela sexta vez seguida, o BC também reafirmou que implica “suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”, como também vem defendendo o presidente do BC, Roberto Campos Neto, em eventos recentes. Essas ideias expressas na ata já constaram no comunicado da semana passada.

Sem mudança significativa de tom

Na análise do economista do BTG Pactual, Álvaro Frasson, a ata manteve seus acenos ao governo e preocupações em torno das expectativas de inflação. Contudo, acredita que o cenário de cortes para este ano ganhou mais força.

Dentre as razões para isso, estão as sinalizações por parte de congressistas que a aplicação do arcabouço fiscal deve melhorar na Câmara dos Deputados. Além disso, a continuidade da deterioração do cenário de crédito deve auxiliar na reancoragem das expectativas de inflação, que mostram alguma estabilização nas últimas leituras do relatório Focus.

Como consequência, o cenário de queda nos juros se tornou o cenário base do banco, que acredita agora em Selic em 12,50% ao final do ano. A expectativa do BTG é que os juros se mantenham em em junho e, provavelmente, em agosto, e que os cortes sejam iniciados em setembro.

Relatório do Bank of America (BofA) ressalta que o BC continua a avaliar a possibilidade de aumentar a sua estimativa de taxa de juros neutra, no meio de uma atividade resiliente, o processo lento de desinflação e o risco de medidas fiscais expansionistas. No entanto, decidiu mantê-la em 4%. “A desancoragem das expectativas de inflação de longo prazo também foi apontada, reforçando seu impacto negativo no processo desinflacionário”.

O BofA mantém sua projeção de que o BC iniciará o ciclo de cortes dos juros em agosto e a Selic termine o ano em 11,75% e 2024 em 9,50%.

*Com informações da Agência Estado

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