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Brasil e Argentina estudam criação de moeda comercial comum sul-americana

Lula está em visita oficial ao país vizinho com foco na relação estratégica e integração econômica. Ele se reuniu com o presidente da Argentina, Alberto Fernández

Lula discursando, veste terno preto, camisa branca e se gravata
Em uma publicação, Lula afirmou que a viagem tem como objetivo ‘retomar laços’. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Redação B3 Bora Investir

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em visita oficial a Argentina, em sua primeira viagem internacional desde que assumiu o novo mandato. Além do encontro com o presidente do país, Alberto Fernández, Lula se reúne com empresários e participa da 7ª Cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Em uma publicação, Lula afirmou que a viagem tem como objetivo ‘retomar laços’. “O Brasil está voltando ao cenário internacional e atuará pelo fortalecimento do Mercosul”.

Em um artigo conjunto, publicado neste domingo, 22/01 no site argentino Perfil, Lula e Fernández afirmaram que o encontro é uma volta da relação estratégica entre os dois países com foco na integração econômica. E concluem que essa união deve acontecer,  inclusive com o desenvolvimento de uma moeda regional para uso comercial.

“Pretendemos superar barreiras às nossas trocas, simplificar e modernizar regras e incentivar o uso de moedas locais. Também decidimos avançar nas discussões sobre uma moeda comum sul-americana que possa ser utilizada tanto para fluxos financeiros quanto comerciais, reduzindo os custos de operação e diminuindo a nossa vulnerabilidade externa”.

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Os debates sobre uma moeda comum do Mercosul começaram no fim do século passado, mas nunca saíram do papel. O assunto também foi discutido pelo ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, no governo passado. A ideia voltou à tona neste ano, após um artigo escrito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o secretário-executivo do ministério, Gabriel Galípolo.

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Para analistas ouvidos pelo B3 Bora Investir, uma moeda comum do Mercosul – nos moldes do Euro – não deve sair do papel.

No artigo, os dois presidentes fizeram uma defesa enfática da necessidade de fechar acordos em conjunto no bloco. A fala é uma resposta à tentativa do Uruguai de fazer acordos com a China e com a Aliança do Pacífico (Chile, Colômbia, México e Peru), o que é contra as regras do Mercosul.

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“Juntamente com os nossos sócios, queremos que o Mercosul constitua uma plataforma para a nossa efetiva integração ao mundo, por meio da negociação conjunta de acordos comerciais equilibrados e que atendam aos nossos objetivos estratégicos de desenvolvimento”, escrevem.

Haddad nega fim do Real

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que criar uma moeda comum com a Argentina tem por objetivo incrementar o comércio com o país vizinho. Entretanto, será usada exclusivamente em transações comerciais e financeiras, o que não implicará o fim do real nem do peso argentino. Haddad disse que vem tratando do assunto com o ministro da Economia argentino, Sergio Massa.

“Estive com ele [Massa] mais de uma vez conversando e ele está querendo incrementar o comércio que está caindo muito, está muito ruim, e o problema é exatamente a divisa. Isso que a gente está quebrando a cabeça para encontrar uma solução. Alguma coisa em comum, alguma coisa que permita a gente incrementar o comércio porque a Argentina é um dos países que compram manufaturados do Brasil e a nossa exportação para cá está caindo.”

A Argentina passa por uma de suas maiores crises econômicas. Em 2022, a inflação do país atingiu 94,8% e a taxa básica de juros 75% ao ano. Essa situação preocupa o governo brasileiro, e o setor industrial, uma vez que somos grandes exportadores de produtos manufaturados.

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Em uma entrevista ao Financial Times, o ministro da Economia argentino, disse que os dois países decidiram “começar a estudar os parâmetros necessários para uma moeda comum, que inclui tudo, de questões fiscais ao tamanho da economia e o papel dos bancos centrais”. A declaração desagradou o governo brasileiro, horas antes de Lula pisar em solo argentino.

Para superar o ‘mal-entendido’, em um memorando assinado nesta segunda-feira, 23/01, Brasil e Argentina decidiram incluir uma cláusula para esclarecer que a moeda comum a ser criada para facilitar as trocas comerciais entre os dois países não implicará o fim do real e do peso.

Encontros

O presidente Lula se reuniu com o presidente argentino, Alberto Fernández, após participar de uma oferenda de flores na Plaza San Martín, em Buenos Aires. À tarde, ele se encontra com empresários. Mais tarde, Lula vai a um concerto musical com artistas argentinos e brasileiros no Centro Cultural Kirchner.

Na terça-feira, 24/01, o presidente brasileiro participa da 7ª Cúpula de Chefas e Chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Na quarta-feira, 25/01, Lula segue em viagem oficial para o Uruguai, onde se encontra com o presidente do país, Luis Alberto Lacalle Pou.

Em fevereiro, Lula deve ir para os Estados Unidos e, em março, viaja para a China.

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