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Marisa vai fechar 91 lojas em plano de reestruturação; entenda a crise no varejo

Medida faz parte de um plano de recuperação para melhorar o caixa e a rentabilidade da companhia. Marisa teve prejuízo líquido de R$ 149 milhões no 1º trimestre de 2023.

Fotografia da fachada da loja Marisa, onde se lê o "Marisa", em letras brancas, sobre um fundo magenta
A empresa do setor de vestuário é mais uma do ramo varejista a enfrentar dificuldades financeiras Foto: Shutterstock

Por Redação B3 Bora Investir

Em mais um capítulo da crise que atinge as empresas varejistas brasileiras, as lojas Marisa (AMAR3) anunciaram que vão fechar 91 lojas em todo o país. A medida faz parte do plano de reestruturação da geração de caixa e rentabilidade da empresa. Segundo a companhia, esses estabelecimentos não davam lucros.

A rede já encerrou as atividades de 25 lojas entre março e abril e outras 26 serão fechadas ao longo de maio. A empresa também afirmou que reduziu em 37% as promoções no primeiro trimestre deste ano e que renegociou as dívidas, hoje na casa dos R$ 461 milhões (90% com fornecedores e 65% com proprietários de imóveis).

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A Marisa informou no comunicado assinado pelo diretor-presidente da companhia, João Pinheiro Nogueira Batista, que as medidas de recuperação acontecem em meio às elevadas taxas de juros (Selic está em 13,75% a.a.), o cenário macroeconômico adverso e com importações ilegais sem a devida tributação.

“Estamos acompanhando de perto a evolução das iniciativas do governo federal para o setor de varejo no Brasil, que objetivam coibir a concorrência desleal e reestabelecer a isonomia tributária”.

No balanço do 1º trimestre divulgado no início da semana, as lojas Marisa registraram um prejuízo líquido de R$ 149 milhões, aumento de 64,2% em relação ao mesmo período do ano passado (R$ 90,7 milhões). O avanço do prejuízo veio apesar do aumento da sua receita líquida do varejo em 1,3%, para R$ 440,5 milhões. Essa melhora foi puxada pelas vendas em lojas físicas, já que o e-commerce teve queda de 32,5% no faturamento.

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Na semana passada, a rede de vestuário teve dois pedidos de falência solicitados por credores. A primeira foi requerida pela MGM Comércio de Acessórios de Modas no valor de R$ 363,5 mil. A segunda veio da fabricante de calçados Oneflip, mais R$ 345,7 mil. Há ainda uma terceira ação em andamento, da Plasútil Indústria e Comércio de Plásticos. No total, estão em aberto dívidas de R$ 882,7 mil.

Por que o varejo está em crise?

A crise que se espalha pelas companhias de varejo do país não se resume apenas as lojas Marisa. Em janeiro, a Americanas entrou com um pedido de recuperação judicial após declarar inconsistências fiscais de R$ 20 bilhões e uma dívida de R$ 43 bilhões com 16.300 credores. O caso gerou suspeitas de fraude e está sendo investigado.

A crise é tamanha que nesta quarta-feira, 17/05, a Câmara dos Deputados instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os balanços financeiros das Lojas Americanas.

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O problema já indicava que seria um ano complicado, uma vez que o setor de varejo necessita de grandes volumes de financiamento para execução das operações e a quebra de confiança com a Americanas gerou dificuldades de acesso a crédito para as companhias.

O sócio da Excellance-Gestão de Turnaround e Reestruturação, Max Mustrangi, explica que os prejuízos das varejistas brasileiras têm aumentado nos últimos três anos. Parte do problema é causado pela alavancagem financeira, ou seja, a companhia usa mais dinheiro que o disponível para manter ou expandir suas operações. “Geralmente isso está correlacionado com uma maior necessidade de capital de giro, ou seja, de mais financiamento para poder rolar dívida porque a conta não fecha”.

O problema é as empresas passaram a crescer desta maneira com o custo dos empréstimos ainda baixos. Só que nos últimos anos, esse cenário mudou diante do aumento dos juros brasileiro e dos Estados Unidos.

“O advento da Americanas no começo do ano também colocou todos os bancos na defensiva. Logo depois você teve as recuperações judiciais da Oi, da Light, do Grupo Petrópolis. Nós já temos mais de 100 bilhões de dívidas represadas [em atraso], em discussão judicial. Isso bate no bolso, em especial dos bancos. O que eles fazem? Fecham o limite de financiamento, reduzem a concessão de crédito e aumentam a exigência de garantias. Isso dificulta muito para as empresas pegarem mais dinheiro emprestado e continuar nesse modelo sem fundamento, a qualquer custo”.

Os balanços das empresas varejistas dos primeiros três meses de 2023 apontam para um ano difícil, principalmente para as redes de moda. A Guararapes, dona da Riachuelo, teve queda no lucro de 119%, para R$ 175,7 milhões. Na Renner, as perdas cresceram 75% para 46,8 milhões. A C&A teve recuo de 17% no prejuízo, para R$ 126,3 milhões.

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O setor de eletroeletrônicos também tem sofrido. O Magazine Luiza (MGLU3), por exemplo, reportou prejuízo de R$ 391 milhões, mais que o dobro dos R$ 161,3 milhões no mesmo período do ano passado, impactado pelas despesas financeiras. As vendas totais, incluindo lojas físicas e online, teve avanço de 10,1% e atingiu R$ 15,5 bilhões.

Para o especialista em reestruturação de empresas, o momento pede que as empresas comecem a gerar o seu próprio caixa, sem depender de bancos. Para isso, é necessário fechar os pontos de venda deficitários.

“A empresa que gasta mais do que recebe vai ter problemas de caixa sim. Não é apenas a questão da Selic. Os juros afetam a causa de não saber gerir direito o dinheiro da empresa ou da família”, conclui Max Mustrangi.

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