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Quanto custa para fazer um IPO na bolsa e como as empresas se preparam

O IPO é o momento em que uma companhia abre o seu capital na bolsa de valores, se tornando uma ‘S/A’

IPO. Foto: Rawpixel.
O IPO, sigla para Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial é oficializado com o toque de campainha na B3. Foto: Rawpixel.

Por João Paulo dos Santos

O início de um ciclo de queda da Selic nesta quarta-feira, 2/8 faz a renda variável voltar às atenções dos investidores e das próprias empresas. O movimento pode trazer os IPOs de volta à bolsa de valores brasileira depois de um ano e meio. Mas você sabe quanto custa fazer um IPO na B3?

O IPO, sigla para Initial Public Offering, ou Oferta Pública Inicial, é o momento em que a empresa deixa de ser uma companhia “limitada” (Ltda), com apenas dois ou mais sócios. Neste momento ela se torna uma “sociedade anônima” (S/A) e disponibiliza suas ações na bolsa pela primeira vez, agora, a sócios anônimos. 

Custos de um IPO

Já parou pra pensar quanto custa ter uma empresa com capital aberto na B3? Entre as despesas do processo, estão comissões e custos de quem assessora a oferta, como bancos, e também com advogados e auditores. 

Não existe um valor fixo a ser pago para esses serviços e profissionais, mas a estimativa calculada pela B3 é de uma média de 6% do valor da oferta. Por exemplo: uma empresa que capta R$ 100 milhões no IPO deve ter um custo médio de R$ 6 milhões para abrir o seu capital. 

É importante lembrar que esse custo é uma comissão que é descontada do valor captado e que só é paga se a oferta for, de fato, concluída. Assim como quando você vende um apartamento e só paga a comissão para o corretor se ele fechar a venda. 

Como é a preparação para se fazer um IPO

O primeiro passo para qualquer empresa realizar um IPO é fazer um estudo sobre a possibilidade de abertura de capital. Esse planejamento pode ser a etapa mais demorada da jornada, pois é quando a companhia levanta todas as informações possíveis e decide as características da operação. A empresa ainda precisa, de acordo com a legislação, ter seus balanços dos últimos três anos auditados.

Além do planejamento interno e da auditoria, a empresa precisa entrar com um pedido de registro como companhia aberta na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o órgão brasileiro que regula o mercado acionário. Só com o aval da comissão é possível passar a ser listada na bolsa.

Lançamento do prospecto da oferta

Vencida essa primeira etapa, é elaborado um documento chamado prospecto de oferta. Ali, há informações aos possíveis investidores sobre a situação da empresa, o setor de atuação, as perspectivas de mercado, o quadro administrativo, os possíveis riscos e os planos para o futuro, além de um detalhamento da oferta das ações.

Dentro do prospecto, a empresa também define e divulga qual será o ticker das suas ações. Conhecido por ser o código de negociação dos papéis da companhia, o ticker serve como identificador e também revela o tipo de ação. Ele é composto por 4 letras de escolha da empresa, que representam o nome, mais um número no final – 3 para ações ordinárias, 4 para ações preferenciais e 11 para units (conjunto de ordinárias e preferenciais).

Roadshow do IPO com investidores

Depois de concluir o planejamento, o estudo e o registro, a empresa começa a procurar grandes investidores no chamado roadshow. São reuniões de apresentação das intenções da companhia promovidas pelas instituições financeiras que assessoram a operação.

Os principais executivos da empresa, incluindo seu presidente, costumam participar desses encontros, que podem acontecer no Brasil e também no exterior – afinal, o capital estrangeiro é importante para o mercado brasileiro.

Depois deste momento, e como o IPO é uma oferta pública, é obrigatório que todo o mercado saiba da oportunidade. Por isso, a companhia faz uma comunicação oficial sobre o processo de abertura de capital. Além de ser obrigatório, pode ajudar a fomentar o interesse e atrair mais investidores.

Reserva e precificação das ações da oferta inicial

Depois do roadshow começa o período de reserva. Essa etapa permite que investidores possam dizer quantas ações têm intenção de comprar. Eles têm alguns dias para manifestar sua intenção nas corretoras de valores cadastradas para participar do processo.

Além disso, outra etapa importante na abertura de capital é chamada de bookbuilding: a definição do preço a que as ações serão vendidas no dia de sua estreia. Essa fase acontece junto com o período de reserva, em que é possível medir o interesse dos investidores e que preço eles estão dispostos a pagar pelos papéis da companhia.

+ Quais foram os maiores IPOs da história?

Depois de entender as expectativas e as demandas, a empresa divulga o preço da ação na data combinada. Também revela quantas ações estarão, de fato, disponíveis para investidores não institucionais.

Com todas as etapas cumpridas, a empresa está pronta para distribuir suas ações e se tornar uma empresa de capital aberto. Na data marcada, o IPO se concretiza com o presidente da empresa fazendo o toque de campainha da B3 para que as ações entrem em negociação.

Motivos para fazer um IPO

O IPO pode ser feito por vários motivos: captação de novos recursos para expansão do negócio, desenvolvimento de novas tecnologias, aumento de dinheiro em caixa ou mesmo mais visibilidade e reconhecimento.

+ O que as empresas fazem com o dinheiro captado no IPO?

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