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Fed sobe taxa de juros nos EUA em 0,25 p.p., para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano

É a primeira vez desde 2023 que o banco central norte-americano eleva os juros do país

Por unanimidade, o Federal Reserve (Fed) anunciou nesta quarta-feira (16) o aumento da taxa de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4% ao ano. O movimento já era esperado pelo mercado, mas essa é a primeira vez desde 2023 que o FOMC sobe as taxas da maior economia do mundo.

O Fed mantinha sua taxa de referência na faixa de 3,5% a 3,75% desde dezembro, enquanto a maioria de seus dirigentes considerava que o aumento da inflação havia sido freado por fatores temporários. Porém, os dados e os efeitos da guerra no Oriente Médio, e por consequência, o aumento dos preços do petróleo voltaram a preocupar e impactaram na decisão dos juros.

As novas projeções econômicas trimestrais das autoridades elevaram as estimativas de inflação, medida pelo Índice de Preços de Gastos de Consumo Pessoal (PCE), para 3,7%, ante os 3,6% projetados na reunião de junho do Fed. A previsão é que a inflação só retorne à meta de 2% em 2029, um ano mais tarde do que o esperado anteriormente.

A projeção de crescimento econômico foi levemente elevada de 2,2% para 2,3%, enquanto a taxa de desemprego deve encerrar o ano em 4,1%, contra os 4,3% projetados em junho.

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, a mudança mais significativa está no parágrafo da inflação, e é ela que torna o comunicado mais duro que o de julho. Naquela reunião, o Comitê afirmava que os preços permaneciam elevados frente à meta de 2%, em parte por choques de oferta que pressionaram setores como energia.

“Hoje, a autoridade monetária reduziu o diagnóstico a uma frase seca, de que a inflação segue elevada, e acrescentou que “Today’s policy action will support a timelier return to the Committee’s 2 percent goal” — a medida de política monetária de hoje apoiará um retorno mais célere/mais rápida à meta de 2% do Comitê. Mantém-se a assinatura desta gestão, o compromisso de entregar a estabilidade de preços”, aponta Sung.

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, aponta a decisão como um ganho de credibilidade do Federal Reserve e do presidente da instituição. “Warsh chegou a esta reunião pressionado dos dois lados. De um, a Casa Branca, que o indicou esperando juros menores e chegou a ameaçar retaliações comerciais caso o Fed não cortasse. De outro, o próprio mercado, que saiu frustrado da coletiva de julho, questionando a clareza dele e o compromisso real com o combate à inflação. A resposta veio da forma mais contundente possível. Uma alta unânime, contra a vontade do presidente dos Estados Unidos, com um comunicado que afirma com todas as letras que o objetivo é acelerar o retorno da inflação à meta de 2% e garantir a estabilidade de preços”.

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