Mercado

BC decide hoje nova taxa de juros; entenda como a variação da Selic afeta o brasileiro

A expectativa do mercado é de um novo corte de 0,25 na Selic, para 14,50%, na decisão desta quarta-feira, dia 29

Com ISTOÉ Dinheiro

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Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira, dia 29, a taxa básica de juros da economia. Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano, como ficou decidido na última reunião no dia 18/03, quando a autoridade reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual.

Antes disso, a taxa básica permaneceu em 15% ao ano por seis reuniões, ou seja, desde junho do ano passado. A decisão desta quarta-feira, dia 29, deve sair após às 18h30, com o mercado financeiro fechado. Mas, de que forma a variação nessa taxa afeta a vida diária de pessoas, empresas e economia?

A resposta normativa é que a taxa Selic é a taxa básica de juros da economia, que influencia outras taxas de juros do país, como taxas de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Com isso, a Selic é o principal instrumento de política monetária utilizado pelo BC para controlar a inflação.

Como funciona na prática?

Quando o Banco Central altera a taxa Selic, os custos de captação para bancos e instituições financeiras também são alterados. Então, se há uma redução da taxa referencial de juros, os bancos tendem a emprestar com juros menores. Por isso, pegar dinheiro emprestado fica mais barato, já que os juros cobrados nessas operações ficam menores. Assim, o consumo é estimulado.

O contrário também ocorre, se há uma elevação da Selic, os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e cartões de crédito ficam mais altos, o que pode desestimular o consumo e, por consequência, favorecer a queda da inflação.

Portanto, com a alta da Selic, a população consome menos, já que fica mais caro se endividar. O mesmo vale para empresas. Com custo do dinheiro mais elevado, as empresas pagam mais caro para se financiarem de forma recorrente.

Essa mecânica de crédito mais caro ou mais barato vale tanto para o parcelamento do seu cartão de crédito quanto para uma empresa que quer financiar a construção de uma fábrica.

Variação da Selic e os investimentos

Uma vez definida a taxa Selic, o Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

Renda fixa

Os investimentos de renda fixa em geral, como CDB, LCI, LCA, CRIs, CRAs e debêntures, são afetados pela Selic. Isso vale tanto para os que são diretamente atrelados à taxa quanto para os que têm juros prefixados ou mistos. A taxa prefixada leva em consideração uma estimativa para a Selic nos próximos meses e anos. A Selic também afeta o CDI, por exemplo, que é um indicador atrelado aos CDBs.

Tesouro direto

O Tesouro oferece títulos prefixados, pós-fixados e mistos. Todos eles são influenciados pela taxa Selic, embora a influência seja mais clara no Tesouro Selic, que acompanha a taxa diretamente.

Caderneta de poupança

O dinheiro que você guarda na caderneta de poupança também rende uma porcentagem da Selic.

Termos relacionados à Selic

Taxa Selic Meta é o nome oficial da taxa Selic. Ou seja, quando você encontrar esse termo associado a algum investimento ou empréstimo, pode saber que se trata da taxa de juros oficial da economia brasileira.

Taxa Selic Over

A taxa Selic Over é um termo bastante técnico utilizado apenas entre bancos. Na prática, a taxa Selic Over é média diária de juros praticada entre os bancos. Ou seja, é usada apenas nas situações em que um banco empresta dinheiro para outro banco utilizando como garantia títulos públicos adquiridos no Banco Central.

O que é o Copom

O Copom é o órgão do Banco Central que define a taxa básica de juros da economia. Os membros do Copom se reúnem a cada 45 dias para decidir a meta da taxa básica. Todos os membros do Copom presentes na reunião votam e seus votos são divulgados. As decisões são tomadas visando com que a inflação medida pelo IPCA situe-se em linha com a meta definida pelo Conselho Monetário Internacional (CMN).

Ata do Copom

As atas das reuniões do Copom são publicadas no prazo de até quatro dias úteis após a data da realização das reuniões. Normalmente, as reuniões do Copom ocorrem em terças e quartas-feiras e a ata é divulgada na terça-feira da semana seguinte, às 8:00.

*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir

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