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Alfabetização Financeira: ensine seus filhos a cuidar do dinheiro

Especialista do mercado financeiro dá dicas sobre a alfabetização financeira. Saiba como ensinar os filhos a lidar com dinheiro com aprendizado e responsabilidade

Menina contando dinheiro de porquinho com a Mãe ao lado

Por Redação B3 Bora Investir

Ensinar crianças e jovens a cuidar das finanças é uma tarefa essencial e que precisa ser feita dentro de casa. É por meio do orçamento familiar, e da economia doméstica que a alfabetização financeira é realizada. É assim que os pais mostram aos filhos a importância de economizar e poupar.

Mas é aí que surge a dúvida: existe idade certa para as crianças aprenderem a lidar com o dinheiro? Os especialistas em finanças são unânimes em dizer que quanto mais cedo os pequenos aprendem como é a realidade adulta, melhor.

Como inserir os filhos no mundo das finanças?

Uma boa estratégia para inserir essa realidade no mundo deles é criar conexões. Um exemplo é mostrar como que um produto sai da loja e chega até a criança. O responsável pela Mesa de Ações do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi, afirma que explicar de onde vem o dinheiro e como ter acesso a ele também ajuda nessa primeira etapa de trazer a criança para dentro do mundo das finanças pessoais.

“Fica muito mais fácil ensinar a roda da economia com exemplos práticos. Então, tudo o que a criança quiser você tenta mostrar via exemplo. ‘Vamos guardar aqui no cofrinho ou vamos marcar no calendário que a gente juntou mais tantos reais’. O importante é criar associações na cabeça das crianças que as coisas acontecem por uma razão e que nada não cai do céu”.

Apresentar a situação financeira da família – para que às crianças entendam que os pais têm de trabalhar para ganhar aquele dinheiro e que precisam destinar parte dos seus salários para pagar despesas – também é uma forma de ensinar que os recursos financeiros são limitados. Organizar o orçamento junto com os filhos e discutir a importância de poupar dinheiro contribui para que as crianças criem as conexões que falamos no início dessa reportagem.

“É muito importante você dar acesso ao orçamento e explicar o quanto é importante se programar – tanto para situações que não estão no controle, numa emergência, quanto para o futuro. A gente sabe que no mercado financeiro, o tempo é um fator muito importante na equação. Resultado: quando toda criança tiver acesso a essa informação e começar a desempenhar esse processo, além de trazer mais resultados, quando ela tiver uma maturidade maior, ela vai compreender fácil os assuntos mais complexos”, explica Jerson Zanlorenzi.

4 dicas para iniciar a alfabetização financeira

Confira quatro dicas do responsável pela Mesa de Ações do BTG Pactual sobre como falar de finanças com os filhos:

  1. Explicar para a criança de uma maneira clara, mas resumida, como é a vida dos pais. O trabalho que cada um realiza, porque ficam o dia todo fora de casa, como seu emprego gera uma renda para a família ter uma casa, fazer uma viagem. Fazer a criança associar o esforço e a recompensa;
  2. Mostrar o quanto que o fator da poupança gera benefícios. Exemplo: mostrar que se ela juntar um dinheiro um mês inteiro, no outro ela consegue fazer algo muito mais legal;
  3. Ajudar a criança a entender que muitas vezes nos investimentos você abre mão de um prazer no curto prazo para ter uma recompensa maior no longo prazo;
  4. Propor uma mesada.

“Sempre precisa haver uma troca entre os pais e a criança. Conforme ela crescer, você vai tendo mais abertura e desenvolvimento nessa conversa. É sempre interessante também explicar: por que você recebeu menos ou por que você recebeu mais? O diálogo é sempre o melhor caminho”, diz Zanlorenzi.

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Vale a pena dar mesada? Como utilizar esse recurso?

A mesada – último item da nossa lista – costuma gerar dúvidas nos pais. Ela é um instrumento no qual a família faz um acordo com o filho de um valor que será dado regularmente. Segundo Zanlorenzi, o mecanismo também é um bom caminho para ensinar aos filhos a dar valor ao dinheiro. É pela mesada que a criança consegue lidar com a frustração de querer algo e não ter dinheiro. Ela também ajuda a ensinar os pequenos a esperar, poupar e conseguir atingir o seu objetivo.

“Eu acho que vale a pena [a mesada] colocando essa questão condicionada a criança entender que ela realmente precisa desempenhar alguns papéis, realizar tarefas para que o dinheiro caia toda a semana – inclusive dar bonificações. Por exemplo, você ganha R$ 10 por semana se ajudar a sua irmã no dever de casa ou a lavar a louça. O contrário também é valido. Tomou uma ‘chamada’ [advertência] na escola essa semana, vai ganhar apenas R$ 5 ao invés de R$ 10. Assim você eventualmente consegue trazer essa visão de sucesso e fracasso para a criança entender a responsabilidade”, explica.

A educação financeira nas escolas

A educação financeira nas escolas passou a ser obrigatória em todas as classes de Educação Infantil até o Ensino Médio. Desde 2020, o tema está nas diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O objetivo é ensinar crianças e adolescentes a administrar o dinheiro de forma responsável, desde as primeiras mesadas dadas pela família até o primeiro salário.

Segundo a BNCC, a educação financeira não deve se restringir apenas às aulas de matemática. Ela precisa ser abordada em todas as áreas do conhecimento, envolvendo dimensões psicológicas, culturais, sociais, políticas, econômicas, entre outras.

“É possível, por exemplo, desenvolver um projeto com a História, visando ao estudo do dinheiro e sua função na sociedade, da relação entre dinheiro e tempo, dos impostos em sociedades diversas, do consumo em diferentes momentos históricos, incluindo estratégias atuais de marketing”, diz a Base Nacional Comum Curricular.

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Segundo especialistas, a educação financeira ainda está longe de ser um tema debatido dentro ou fora das escolas. Dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), de 2018, mostram que o Brasil ficou no 17° lugar entre os 20 países pesquisados no que se refere às competências financeiras. Uma das saídas para reverter esse cenário é por meio da escola.

Aprendizado em conjunto faz parte da alfabetização financeira

Para o responsável pela Mesa de Ações do BTG Pactual, aprender a cuidar do dinheiro não é importante só para as crianças e jovens, mas para os adultos também.

“A gente aprende a fazer derivada de quinto grau, calcular uma fórmula econômica gigantesca, mas o básico de como ter uma saúde financeira, uma reserva de emergência ou como a gente deveria poupar para ter no futuro não aprendemos na escola ou na faculdade”, explica Jerson Zanlorenzi.

O especialista ainda completa: “chegar na adolescência, por exemplo, sem entender como funciona o básico de uma educação financeira, de economia, você eventualmente vai ter muita dificuldade na vida”.

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