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Do conservador ao arrojado: investidor da geração Z é diferente do que você imagina

Mais interessados em investir desde cedo e diversificar seus portfólios, os investidores da geração Z transitam entre o conservador e o arrojado

Entre a busca por liberdade financeira e maior desejo por experiências, a imagem do jovem investidor da geração Z, que, na definição mais usual, reúne os nascidos entre 1997 e 2013, é frequentemente atrelada ao “não convencional”. Contudo, o perfil do investidor da geração Z não é tão simples de definir quanto pode parecer à primeira vista. Estudos recentes, por exemplo, mostram que esse público tem começado a investir mais cedo na comparação com gerações anteriores e já mostra preocupação com a construção de patrimônio.

Segundo uma pesquisa recente da Binance Research, essa parcela está procurando mais cedo por investimentos e por uma compreensão maior sobre o mercado. Isso é reflexo direto do maior acesso à educação financeira entre esses jovens. Cerca de 77% dos integrantes da geração Z afirmam ter recebido algum tipo de educação financeira formal, ante 69% dos millennials e 58% da geração X, de acordo com a pesquisa.

Já o Raio X do Investidor, levantamento anual feito pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), destaca, por exemplo, que esse grupo tem uma preocupação maior com a formação de uma reserva de emergência.

Os dados indicariam ainda uma tendência a um perfil mais arrojado por parte da geração Z: cerca de 41% dos entrevistados desse grupo afirmam que o retorno é a principal vantagem de investir dinheiro, enquanto, para as gerações anteriores, a segurança é uma prioridade maior (50% entre o grupo da geração X).

Ao mesmo tempo, a análise da Binance Research aponta que esse público, na verdade, teria traços mais conservadores ao falar de investimentos, sendo mais cauteloso e evitando alavancagem e ativos de maior risco.

Em meio às mudanças nas relações com as finanças e também às transformações no próprio mercado e à adesão das redes sociais ao mundo dos investimentos, é possível traçar um perfil específico de investimento associado à geração Z?

‘Geração Z’ não é um monólito

A principal questão ao analisar esses e outros estudos sobre a geração Z é a perspectiva. Ou seja, quando comparada com seus antecessores, essa fatia se destaca por se mostrar mais aberta a novos investimentos e também por buscar um conhecimento mais precoce sobre o funcionamento do mercado de capitais.

Por outro lado, quando se pensa naquela versão estereotipada, o “gen Z hipotético”, esses dados podem demonstrar uma faceta mais conservadora do que o esperado. Isso se deve especialmente à busca por mais informações sobre educação financeira, algo facilitado pela imersão digital dessa geração.

“Esse perfil da gen Z tende a ser mais diversificado. No entanto, mais diversificação não significa um perfil necessariamente mais agressivo nos investimentos. Eu vejo que justamente por conta da educação financeira, haverá um certo cuidado com relação ao risco”, explica a planejadora financeira Natália Fonteles.

O levantamento da Anbima, por exemplo, revela que canais digitais como o YouTube e o Instagram são prevalentes entre os mais jovens na hora de procurar informações sobre investimentos, sendo citados por 49% e 45% dos entrevistados, respectivamente.

A urgência de construir patrimônio

Os estudos também mostram outra dissonância entre os entrevistados e aquele “gen Z hipotético”: uma busca maior pela formação de patrimônio por meio dos investimentos.

De certo modo, existe um senso comum de que os jovens desse grupo não buscam tanto a aquisição de uma casa, um carro ou a aposentadoria, por esses objetivos terem se tornado distantes devido às mudanças macroeconômicas.

O levantamento da Anbima, porém, mostra que esse grupo, na verdade, já pensa em objetivos como o primeiro imóvel e também se preocupa com a aposentadoria.

Cerca de 37% dos integrantes da geração Z afirmam que o principal destino dos retornos dos investimentos seria a aquisição de um imóvel, assim como 37% dos millennials, ante 29% da geração X e 15% dos baby boomers.

Essa faixa também demonstra ter noção da importância de começar cedo a se planejar para a aposentadoria, mas ainda vê seus objetivos adiados, seja por um momento de vida em que esse tópico pareça muito distante, seja pelas próprias circunstâncias materiais, como a instabilidade profissional e os salários mais baixos no início da carreira.

“Eu vejo essa tendência de jovens querendo investir mais cedo, com uma preocupação maior em relação à aposentadoria, à casa própria, ao carro”, explica Fonteles.

“Talvez justamente por sermos de uma geração em que as coisas parecem estar cada vez mais distantes. Então, por esse pensamento de ‘antes era mais fácil’, há essa ‘urgência’ de investir cedo, que é basicamente essa noção de que preciso fazer alguma coisa, senão não vou chegar lá”, acrescenta.

Do celular à Faria Lima: como a gen Z chega nos investimentos

A ascensão dos meios digitais, além de possibilitar uma maior difusão de informações relacionadas a investimentos e educação financeira, também permitiu a criação de uma ponte entre o jovem da geração Z que busca investir e as instituições que fazem a mediação com o mercado de capitais.

Os canais digitais e os aplicativos de instituições financeiras têm ampla adesão entre os investidores da geração Z, sendo o meio preferido desse público para acessar o mercado.

Essa mudança de paradigma não ocorreu somente por fatores relacionados à evolução tecnológica. As próprias instituições passaram a adequar sua abordagem de modo a conquistar a geração Z.

Esse público costuma ter maior apelo emocional, com uma adesão maior aos produtos e às instituições que consigam transmitir valores com os quais se identifica, como, por exemplo, diversidade e práticas sustentáveis.

As fintechs despontam na preferência desse público, segundo uma pesquisa feita pela Visa no ano passado. Isso ocorre pela facilidade de acesso ao crédito, pelos benefícios oferecidos e por critérios relacionados à experiência do usuário (UX).

“Antes existia uma diferença muito clara entre bancos e corretoras. Corretoras enquanto aquelas plataformas que te conectavam à bolsa e os bancos como aquelas instituições financeiras mais ligadas ao dia a dia”, afirma Fonteles.

“Hoje a gente já vê uma modernização maior. Bancos que já têm suas próprias corretoras, um leque de investimentos maior. A explosão dos bancos digitais também. E um forte incentivo dos próprios bancos a promover e divulgar a própria educação financeira dentro das suas plataformas. E, claro, uma linguagem muito mais acessível no geral”, conclui.

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