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Onde investir R$ 30 mil com a taxa Selic a 12,75%?

Após a decisão do Copom de baixar a Selic em 12,75%, especialistas indicam onde investir agora

Dados de madeira formam a palavra Selic
A Selic foi criada em 1979, quando o Brasil vivia um cenário de hiperinflação e o governo buscava maneiras de controlar o problema.

Por João Paulo dos Santos

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, 20, decidiu por baixar a taxa Selic em 0,50%, a 12,75%. Antes, a Selic estava em 13,25%. É a segunda vez que o comitê opta por reduzir a taxa com uma queda em 0,50%. Antes disso, o juro básico passou quase um ano no nível dos 13,75%.

Mas como isso afeta os investimentos?

Selic x Investimentos

Além de ser importante para a macroeconomia, a Selic também tem impacto nos investimentos. A taxa de juros interfere diretamente no rendimento de ativos atrelados a ela, como o Tesouro Selic. Em outros investimentos de renda fixa, ela tem influência indireta, como na poupança e nos investimentos atrelados ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário), como CDB; LCI, LCA e LC. Além disso, ela norteia aportes em Fundos de Investimento e títulos atrelados ao IPCA (índice de inflação oficial do país).

Na renda variável, a influência da Selic é menos imediata e mais ligada à especulação. Por exemplo, uma tendência de alta da Selic pode incentivar investidores mais conservadores a tirar dinheiro da bolsa e aplicar em títulos públicos, atraídos pelos juros mais altos e menor risco. Já possíveis cortes na taxa Selic podem estimular investidores de perfil moderado ou arrojado a investirem mais, por exemplo, em ações.

Como a Selic está relacionada a ciclos de expansão e contração monetária (maior e menor oferta de crédito), tem impacto na projeção de receitas de alguns setores da economia, particularmente os mais dependentes do consumo, como varejo e tecnologia.

+ O que é taxa Selic? Entenda como ela afeta seu dinheiro

Investimentos e a Selic em 12,75%

Entendido como a Selic afeta os investimentos, qual é o cenário atual com a redução para 12,75%? 

Renda variável ganha espaço, mas com cautela

O ciclo de baixa da Selic tende a beneficiar os ativos de renda variável, porém, Eduardo Rahal, analista chefe da Levante Corp, alerta que o cenário para a renda variável ainda é delicado e os juros seguem em “patamar bastante elevado”.

“Também é verdade que o mercado antecipa os movimentos, portanto, caso tenhamos um fiscal minimamente razoável e não houver surpresas negativas do cenário internacional que limite nosso ciclo de afrouxamento, podemos sim ver um início de melhora na performance dos ativos locais, amparado por um custo de capital menor, bem como um múltiplo mais justo para as empresas, que hoje negociam relativamente abaixo da média histórica”, afirma.

Já Lucas Constantino Di Colla, Diretor da GCB Capital, ressalta a importância de se avaliar não apenas as decisões de juros do Banco Central brasileiro, como também as perspectivas econômicas futuras do mercado, uma vez que os agentes estão a todo instante buscando antecipar eventos.

“Embora o ciclo de cortes da taxa Selic esteja apenas no início e tenha potencial de impactar positivamente a bolsa como um todo, há uma série de riscos e incertezas na atual conjuntura macroeconômica que podem elevar o grau de aversão ao risco dos mercados”, destaca.

Renda fixa ainda atrativa

Apesar do movimento de baixa dos juros básicos no Brasil, o nível da Selic segue considerado alto para os especialistas. 

“Se comparado a outros países emergentes e economias desenvolvidas, mantém-se o diferencial de juros e juro real brasileiro em níveis bastante atrativos em termos de rentabilidade, favorecendo o mercado de renda fixa interno”, diz Di Colla.

Para Rahal, apesar do recente fechamento da curva de juros, ainda há oportunidades atrativas para carrego, sobretudo ao visar uma composição equilibrada de portfólio. 

O analista chefe da Levante Corp ressalta os títulos indexados à inflação, onde entende haver ainda uma assimetria atrativa para o investidor no longo prazo e visando um carrego com juros reais. 

“Por fim, um carrego em CDI pós fixado nos parece ainda convidativo, com a ressalva de que, claro, a rentabilidade dos pós-fixados deve diminuir na medida em que os cortes de juros forem acontecendo”, completa.

Quanto renderia R$ 30 mil no Tesouro Direto e renda fixa em 1 ano com a nova Selic:

TítuloRendimento em 1 anoTotal
Tesouro IPCA+2029R$ 2.261,44R$ 32.261,44
Tesouro Selic2026R$ 2.241,73R$ 32.241,73
LCI e LCAR$ 2.015,22R$ 32.015,22
Fundo DIR$ 1.886,11R$ 31.886,11
CDBR$ 1.848,98R$ 31.848,98
PoupançaR$ 1.809,32R$ 31.809,32
Fonte: Simulador TD

Onde investir R$ 30 mil com a queda da taxa da Selic

A alocação dos investimentos sempre vai depender do perfil do investidor (Conservador, Moderado, Agressivo), sua tolerância ao risco, necessidade de liquidez e outros fatores. 

No entanto, Eduardo Rahal afirma que conforme descrito o cenário acima, entende-se que uma alocação diversificada entre renda fixa (com maior parcela indexados à inflação e pós fixados), bem como uma alocação equilibrada em renda variável local, possa entregar bons ganhos ao investidor no longo prazo. 

R$ 30 mil no perfil conservador

Lembrando, claro, caso seja um perfil mais conservador, naturalmente a parcela em pós fixados deverá ser mais elevada, bem como a renda variável proporcionalmente menor dado seu risco mais elevado. 

+ Tesouro Selic: o que é e como funciona o título do Tesouro Direto

R$ 30 mil no perfil arrojado

Já para um perfil mais arrojado, o investidor poderia ampliar exposição em títulos indexados à inflação e compor o portfólio de renda variável com exposição em empresas domésticas que possam se beneficiar do ciclo de corte de juros. 

“Por fim, vale reforçar que o stock picking segue como atividade essencial no momento de alocação atual. Conforme mencionado anteriormente, ainda estamos em um patamar elevado de juros apesar dos cortes, e muitas companhias e setores possuem dificuldades em honrar seus compromissos, dado o elevado custo de capital para as empresas. Portanto, é extremamente importante entender quais as empresas que vão passar por este momento mais desafiador e sair vencedoras lá na frente”, ressalta.

De uma maneira geral, o Diretor da GCB Capital também enxerga os Fundos Imobiliários (FII) como boa opção que podem se beneficiar no atual contexto. Ele ainda destaca a importância da diversificação ao investir seja R$ 30 mil ou qualquer outra quantia.

“Não somente a diversificação entre diferentes classes de ativos, como também entre diferentes regiões geográficas é de suma importância, principalmente em períodos de incerteza. Hoje é possível encontrar bons títulos de renda fixa em moedas fortes com alta rentabilidade, como no mercado de bonds corporativos americanos, aproveitando-se ainda do bom nível da taxa de câmbio”.

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