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Succession: o que a série da HBO ensina sobre o papel dos acionistas

Produção conta a história da Waystar RoyCo, empresa de capital aberto

A trama de Succession gira em torno de Logan Roy, patriarca e CEO do império midiático Waystar RoyCo. Foto: Reprodução site HBO Max

A quarta temporada de Succession é um dos lançamentos mais aguardados do ano e ganhou nessa semana trailer e data de estreia – 26 de março. Além de ter acumulado prêmios, como o Globo de Ouro de melhor série televisiva e ser a atual ganhadora do Emmy, Succession também tem seu valor ao misturar o enredo tragicômico com conceitos do mercado, tornando-se um modo divertido de aprender sobre investimento e finanças.

Qual o tema da série Succession?

A trama de Succession gira em torno de Logan Roy, patriarca e CEO do império midiático Waystar RoyCo. Quando ele é afastado do cargo devido a problemas de saúde, abre espaço para os filhos Connor, Kendall, Roman e Siobhan tomarem conta da companhia.

Como cada filho tem suas próprias ambições, logo começa uma corrida pelo controle total da empresa – a sucessão referenciada pelo título da série. Nesse empreita, por vezes os irmãos se unem ou tornam-se rivais.

O que Successsion ensina sobre o mercado financeiro?

O principal ensinamento de Succession sobre finanças se dá quando a trama aborda o funcionamento da Waystar RoyCo, uma empresa de capital aberto. Como o objetivo dos filhos é assumir o controle da companhia, suas estratégias invariavelmente passam pelo conselho de administração e assembleia de acionistas.

Jayme Carvalho Jr, economista e sócio da SuperRico, explica mais sobre o funcionamento de uma empresa de capital aberto e o papel dos acionistas dentro dela:

“Todas as empresas negociadas na bolsa são do tipo S.A., ou seja, uma sociedade de pessoas. É essa sociedade que define algumas regras da empresa, por exemplo, como deve ser a administração, o nível de transparência e quais fóruns devem existir. No geral, são dois, o conselho de administração e a assembleia de acionistas. Já o nível executivo, que é CEO da empresa, segue o que foi definido pelo conselho”, pontua o sócio da SuperRico.

Jayme também destaca que o conselho não é homogêneo e se não há consenso sobre algumas decisões, elas podem ser levadas à assembleia de acionistas. Pela regulação brasileira, as ações do tipo ON são as que dão direito a participação em assembleias.

+ O que devo saber antes de investir em uma empresa?

“O investidor pessoa física deve entender que a empresa enxerga os acionistas como um conjunto de pessoas, logo, o investidor individual acaba não fazendo tanta diferença. É por isso que ao se investir numa empresa, deve-se estudar sobre a companhia, mas também sobre os sócios dela”, aconselha Jayme.

Qual a diferença entre acionista majoritário e minoritário?

Outro ponto levantado pela série é a diferença entre acionistas majoritários e minoritários. De modo geral, os majoritários são aqueles que detém as maiores parcelas de ações.

“Como as companhias têm suas próprias regras, cada uma estabelece uma porcentagem de referência. Por exemplo, uma empresa pode decidir que quem tiver mais de 15% do total das ações se caracteriza como um acionista majoritário. Também podem existir diferentes classes de ações oferecidas pela mesma empresa. Então há situações em que alguém tem poder de decisão numa companhia sem ser o maior acionista”, Jayme explica.

+ Dividendos: o que são e como receber esse dinheiro?

No universo de Succession, um dos filhos de Logan, Kendall Roy, é um dos acionistas majoritários e é quem tem a estratégia mais agressiva para tomar o controle da Waystar RoyCo. É por isso que em determinados momentos Logan oferece valores astronômicos para adquirir as ações do filho e assim vetar seu poder de decisão na empresa.

Por fim, Jayme destaca que o investidor não está sozinho quando aplica seu dinheiro numa empresa. Ele conta com órgãos reguladores, como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), empresas de auditoria e agências de rating. Tais instituições fiscalizam as empresas e/ou punem irregularidades.

“A B3 também oferece alguns caminhos de segurança ao investidor. É o caso do Novo Mercado, que agrupa empresas de acordo com níveis de excelência de governança. São aquelas que seguem regras de transparência e outras medidas para a boa condução dos negócios”, conclui Jayme.

Para mais conteúdo sobre investimentos, acesse o Hub de Educação Financeira da B3.

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