Investir melhor

Onde investir R$ 100 mil para resgatar o dinheiro em 2 anos?

Planejadores financeiros fazem simulações de investimento e dão dicas para alocar os recursos de forma inteligente

Conceito de diversificação representado por um carrinho de supermercado cheio de moedas diferentes. Foto: AdobeStock/Manipulação: Estadão
Apesar de simples, uma boa pesquisa de preços sempre gera economias. Foto: AdobeStock/Manipulação: Estadão

Por Guilherme Naldis

Em meio a tantos tipos de investimentos o mercado financeiro pode parecer com um mar de opções. E ele, de fato, é. Por isso mesmo é preciso de uma boa orientação para saber navegar na direção dos melhores investimentos e das estratégias mais adequadas para cada perfil de investidor.

Pensando em facilitar essa busca, Carlos Castro, planejador financeiro e sócio fundador da SuperRico, aponta três formas de investir R$ 100 mil. Cada carteira é recomendada para diferentes perfis de risco e grau de conhecimento da economia e das finanças. Por isso, os porcentuais de quanto investir em cada aplicação mudam.

+ Como juntar R$ 1 milhão? Veja simulações para se aposentar ou viver de renda

Castro explica que o potencial de rentabilidade de cada carteira é um dado estimado, e não uma certeza ou promessa. “Vale reforçar que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura e que este estudo não significa uma promessa de retorno”, diz.

Carteira conservadora

Para um investidor iniciante ou que prefira não arriscar muito a carteira recomendada é focada em geração de renda. Isso não quer dizer, entretanto, que a falta de risco implique em falta de rentabilidade. Afinal, os juros tendem a permanecer altos por algum tempo, favorecendo este tipo de investimento.

As estimativas de rendimento da carteira, comparada a dados econômicos, são essas:

Indicadores2023202420252026
% CDI110%110%110%110%
Selic12,75%10%9%8,75%
Rendimento14,03%11%9,90%9,63%
IPCA5,90%4,02%3,80%3,77%
Juro Real7,67%6,71%5,88%5,64%

Carteira moderada

Quem já investe e tem uma reserva financeira suficiente para assumir alguns riscos pode montar a carteira abaixo.

Veja o quanto é possível ganhar ao aplicar nos investimentos da carteira, segundo estimativas:

Indicadores2023202420252026
% CDI130%130%130%130%
Selic12,75%10%9%8,75%
Rendimento16,58%13%11,70%11,38%
IPCA5,90%4,02%3,80%3,77%
Juro Real10,08%8,63%7,61%7,33%

Carteira agressiva

Quem é experiente no mercado e tem segurança o bastante para se expor ao sobe e desce da bolsa pode se interessar por esta carteira. Com uma rentabilidade maior, ela também requer maior apetite a risco e disposição para lidar com eventuais oscilações do mercado.

Veja abaixo as taxas de retorno estimadas:

Indicadores2023202420252026
% CDI185%185%185%185%
Selic12,75%10%9%8,75%
Rendimento23,59%18,50%16,65%16,19%
IPCA5,90%4,02%3,80%3,77%
Juro Real16,70%13,92%12,38%11,97%

Cenário econômico: o que considerar

A situação atual da economia, de inflação alta e juros elevados, favorece investimentos de renda fixa que têm a Selic como referência. Como o Banco Central tem optado por manter a taxa referencial em seu nível atual, de 13,75% ao ano, e tem dado sinais de que seguirá tomando a decisão até que aconteçam mudanças mais concretas na política fiscal, os cortes nos juros ainda devem demorar.

Isso quer dizer que, pelos próximos semestres, a taxa básica de juros deve permanecer na casa dos 10%, segundo Anderson Domingos, fundador da Favos Invest. “A renda fixa continua atrativa a curto e médio prazo”, avalia. 

Equilíbrio fiscal: o que é e por que é tão importante para os seus investimentos

Mas ele aponta que como a correlação entre a dívida pública e o PIB do Brasil está controlada, e a inflação deve encerrar o ano em 5,63%, a Selic deve começar a cair até 2024. “A curva de juros já indica cortes nos começo do ano que vem, a depender do arcabouço fiscal e do andamento da reforma tributária”, diz. 

Se a tendência se confirmar, a rentabilidade dos títulos de renda fixa deve começar a cair – o que deve estimular a renda variável. Assim, Domingos diz que, com o devido preparos, investidores podem aumentar suas posições na bolsa de valores, caso seja condizente com seus perfis e objetivos financeiros

E o que fazer com os R$ 100 mil?

Castro, da SuperRico, afirma que, dentre as prioridades do investidor, a reserva de emergência é a mais imediata. Portanto, os R$ 100 mil seriam uma forma rápida de compor um colchão e garantir alguma segurança diante de gastos imprevistos. 

“Se os R$ 100 mil forem compor a reserva, o valor deve ser aplicado na renda fixa”, diz. Ele afirma que as melhores opções para este objetivo são investimentos de alta liquidez e que permitem resgates no mesmo dia, visto que o objetivo é retirar o dinheiro na hipótese de uma emergência. 

Mas se menos de R$ 100 mil forem equivalentes a mais de seis meses de salário “dá para assumir mais risco”, diz Castro.

Para saber ainda mais sobre investimentos e educação financeira, não deixe de visitar o Hub de Educação da B3.

Sobre nós

O Bora Investir é um site de educação financeira idealizado pela B3, a Bolsa do Brasil. Além de notícias sobre o mercado financeiro, também traz conteúdos para quem deseja aprender como funcionam as diversas modalidades de investimentos disponíveis no mercado atualmente.

Feitas por uma redação composta por especialistas em finanças, as matérias do Bora Investir te conduzem a um aprendizado sólido e confiável. O site também conta com artigos feitos por parceiros experientes de outras instituições financeiras, com conteúdos que ampliam os conhecimentos e contribuem para a formação financeira de todos os brasileiros.

Últimas notícias