Penny stocks: entenda o que são as ações negociadas em centavos na B3
Papéis negociados abaixo de R$ 1 podem atrair investidores com maior tolerância ao risco, mas exigem atenção redobrada para evitar perdas
Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
Por definição, uma ação é considerada uma penny stock quando a cotação desse ativo atinge um patamar inferior a R$ 1. Conforme regra estabelecida pela B3, uma determinada empresa não pode fechar 30 pregões consecutivos na categoria de penny stock. Nesse caso, a companhia é solicitada a apresentar um plano para garantir a revalorização dos papéis. Em situações extremas, isso pode resultar na remoção da listagem na bolsa.
Existem motivos que levam à desvalorização das ações e que podem transformá-las em uma penny stock. Uma empresa em recuperação judicial ou com problemas financeiros de alta gravidade são alguns dos principais fatores associados a esse fenômeno.
Naturalmente, as penny stocks são consideradas um investimento de alto risco, ao oferecerem um combo de alta volatilidade e baixa liquidez. Devido aos baixos preços associados, uma pequena oscilação pode representar uma grande variação percentual dos preços. Por exemplo, uma ação de R$ 0,60 que sofre uma variação negativa e passa a operar em R$ 0,48, uma redução total de 20% do valor original da compra.
Existe uma parcela de investidores que enxergam algum potencial de valorização nesses papéis, e decidem assumir o risco ao investir nessas ações. A recomendação é que esse movimento deve ser feito somente por investidores experientes e que já possuem uma ampla carteira de ativos. Investidores iniciantes e aqueles com perfil mais conservador podem acabar se frustrando ao tentar apostar nas penny stocks.
“A variação intradiária desse tipo de ação é muito alta, percentualmente, algo que pode machucar bastante um investidor que entra no momento errado”, avalia o estrategista de investimentos Gustavo Spinola.
Variáveis como alavancagem controlada e perspectiva de crescimento, incluindo para as perspectivas do setor em que atua determinada empresa, são alguns dos critérios recomendados na hora de adquirir as penny stocks.
“É basicamente a mesma recomendação que vale para as demais ações. Só que, nesse caso, precisa existir um porquê de investir nelas, se há chance de rentabilidade alta, múltiplos interessantes”, pondera Spinola.
A estratégia do grupamento de ações
Uma saída frequentemente adotada por companhias que veem seus papéis reduzidos a penny stocks é o grupamento de ações. Essa estratégia consiste na aglutinação de várias ações em uma só, a fim de elevar o preço unitário dos ativos e torná-los mais competitivos. Caso uma empresa decida fazer um grupamento na proporção de 10 para 1, um investidor com 10 ações de R$ 0,60 passa a ter uma única ação no valor de R$ 6.
Esse procedimento pode reduzir a volatilidade associada aos papéis, ao possibilitar uma maior estabilidade e solidez, mitigando impactos percentuais de eventuais ganhos ou perdas, e também pode gerar uma melhor percepção do mercado para com a empresa.
O grupamento, contudo, não resolve os problemas internos associados a empresas que operam com problemas financeiros ou com baixo valor de capitalização. Em alguns casos, companhias listadas na bolsa viram seus papéis voltar à condição de penny stock mesmo após a realização do grupamento.
“Ele é uma tentativa, mas não é somente isso que vai fazer a ação voltar a ser competitiva. A gente vê casos de empresas que estão em baixa na negociação dos ativos, em que CFOs, CEOs tentam apresentar a companhia na mídia, ou fazer mais eventos voltados para o mercado como forma de se destacar no radar dos investidores”, afirma Gustavo Spinola.
O analista pontua ainda que, de modo geral, o investidor brasileiro tem um perfil mais conservador, caracterizado por alta aversão a riscos e preferência por investimentos estáveis e seguros, o que, para o analista, explica a predileção pela renda fixa em detrimento das ações, especialmente num cenário de elevada taxa de juros.