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7 Magníficas devem publicar resultados a partir desta semana; qual o cenário delas e do setor de IA?

Analistas apontam que o mercado deixou de pagar por promessas e passou a cobrar retorno dos investimentos em inteligência artificial

A temporada de balanços das 7 Magníficas começa na próxima semana com um recado claro de Wall Street: a fase de comprar promessa acabou. Entre o fim de outubro e o início de novembro, Nvidia, Apple, Alphabet, Microsoft, Amazon, Meta e Tesla divulgam os números do terceiro trimestre e o consenso aponta crescimento médio de 24,5% no lucro do grupo, segundo Otávio Teles, analista de mercado internacional da Barsi Investimentos. 

“A tolerância de Wall Street com teses incertas de inteligência artificial acabou. A exigência agora é clareza no retorno sobre capital investido e monetização primária que justifique todo esse capex”, afirma Teles. 

Para o S&P 500, a Avenue espera alta de 10% a 12% nas receitas e de 30% nos lucros nesta safra, puxada por tecnologia e energia. “É esperada a continuidade de crescimento de dois dígitos em receita, puxado pelo volume expressivo que ainda há de demanda por armazenamento e processamento de dados na nuvem”, destaca William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. 

O Bora Investir consultou especialistas e traz a seguir o cenário do que esperar dos balanços das 7 Magníficas e empresas de IA, além de perspectivas para os próximos meses. Afinal, vale a pena investir? 

O que esperar dos balanços 

Arthur Godoy, analista de ações da GFT Capital, vê a Nvidia entre as mais bem posicionadas entre as 7 Magníficas, com receita projetada perto de US$ 108 bilhões, alta próxima de 90% em um ano para o terceiro trimestre fiscal de 2027. O ponto de atenção é o caixa, segundo o analista, que caiu frente ao trimestre anterior, comparando o segundo trimestre fiscal de 2027 com o primeiro. Além da memória mais cara que pressiona margens de lucratividade. 

O analista explica que cada empresa pode começar seu ano contábil em um mês diferente. Na Microsoft, o ano fiscal começou em julho de 2026 e termina em junho de 2027. Motivo pelo qual é chamado de ano fiscal 2027. Julho a setembro de 2026 é chamado, portanto, primeiro trimestre deste ano, cita Godoy.  

Na Nvidia, a lógica é igual, de acordo com o analista. O ano contábil termina em janeiro de 2027. “São resultados de 2026, mas dentro de um calendário que recebeu o nome de 2027”, comenta. 

Em relação a projeções, a Apple indicou crescimento de 9% a 11% na receita do quarto trimestre fiscal de 2026. O dobrável iPhone Duo pode ajudar no trimestre seguinte, de dezembro, mas já está incorporado a um cenário de crescimento modesto, segundo o analista. 

Entre as gigantes da nuvem, a Alphabet deve reportar receita perto de US$ 128 bilhões, alta de cerca de 25% no terceiro trimestre fiscal de 2026, com a nuvem crescendo 82% frente ao trimestre anterior, mas com o capex de investimento anual em 2025 de até US$ 205 bilhões.  

Na Microsoft, o Azure deve avançar de 44% a 45%, com receita total entre US$ 89,85 bilhões e US$ 90,95 bilhões no primeiro trimestre fiscal de 2027. 

“Há demanda, a questão é quanto custa atendê-la”, diz Godoy, lembrando os investimentos da Microsoft acima de US$ 50 bilhões no trimestre. 

Já a Amazon pode mostrar receita de cerca de US$ 200 bilhões, alta de 11%, e lucro operacional entre US$ 22,5 bilhões e US$ 26,5 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2026, acima dos US$ 17,4 bilhões de um ano antes. A mudança do Prime Day para junho distorce a comparação, destaca Godoy. 

Para a Meta a perspectiva de faturamento é entre US$ 61 bilhões e US$ 64 bilhões no terceiro trimestre fiscal de 2026,  mas o lucro terá cerca de US$ 10 bilhões em despesa judicial que não estava no guidance (projeção) original. 

A Tesla é o balanço que exige mais cautela, segundo o analista, com receita estável, em US$ 28,04 bilhões e lucro ajustado por ação de US$ 0,44, queda de 12% no terceiro trimestre de 2026 em comparação com o ano anterior, puxando pela concorrência chinesa, como a BYD, dificultando a recuperação das margens de lucro.  

Cadeia de IA já deu o tom 

TSMC e ASML anteciparam o humor do setor nesta semana, segundo os especialistas consultados pelo Bora Investir.  

 A TSMC viu o lucro saltar quase 69%, puxado pela IA, com leve queda na margem bruta pelo custo de iniciar a produção de chips de 2 nanômetros. A ASML lucrou € 5 bilhões. “O gargalo da ASML não é falta de cliente, é limite de produção”, diz Teles, da Barsi Investimentos.  

Mesmo com números fortes, os papéis não empolgaram. “As empresas relacionadas à cadeia de IA não têm tido uma performance tão exuberante assim, também porque já performaram bastante ao longo do ano”, diz Alves, da Avenue.  

Para Godoy, a queda do ADR (recibo emitido por ação não americana na bolsa dos EUA) da TSMC mostra que o mercado pode exagerar no curto prazo, o que abre oportunidades. 

Vantagens e riscos nas 7 Magníficas

Lucas Magalhães, diretor executivo da GTN, fintech de investimentos internacionais, vê potencial significativo para a IA no curto e no médio prazo, já que ainda há uma percepção limitada de como essa tecnologia pode transformar a vida das pessoas e, principalmente, a produtividade das empresas. 

Ele cita o fim da escala 6×1 no Brasil, que deve levar as empresas a buscar mais automação. Mas alerta para riscos regulatórios, como o caso de usar IA para certos projetos sem supervisão ou para empresas que adotam a IA mais para justificar múltiplos maiores do que para ganhar eficiência. 

Para Magalhães, o principal desafio é distinguir o potencial da tecnologia da capacidade real de cada empresa de gerar resultados entre as 7 Magníficas. “No curto prazo, as expectativas elevadas e os valuations (avaliação) de empresas de IA e tecnologia podem gerar volatilidade e correções”, diz. 

Já Godoy aponta os juros americanos como principal risco imediato, com novas altas do Federal reserve ou do Treasury (título público americano) de 10 anos, além de uma possível desaceleração nas encomendas de chips. No médio prazo, o teste é a rentabilidade dos investimentos. 

Teles lembra que boa parte do lucro já está no preço e cita a inflação pressionada pela guerra no Irã e pelo El Niño, jogando o custo de capital para cima, exigindo revisão de lucro e compressão de múltiplo ao mesmo tempo. Enquanto Alves acrescenta a entrada de modelos chineses e de código aberto e a correlação de uma carteira só de tecnologia para as 7 Magníficas. 

Dolarizar agora ou em 2027? 

Godoy aponta que o dólar está cerca de 1,2% abaixo da média de 2026. O analista defende que o investidor não precisa esperar 2027 para dolarizar a carteira, mas aconselha montar uma posição gradualmente. Na visão dele, até o segundo turno, a volatilidade nos mercados deve continuar elevada.  

Ele destaca que enquanto o Treasury de 10 anos rendia 5,10% ao ano nesta semana há alguns fatores que pressionam o real ao competir por capital com emergentes.  

Alves vê o câmbio perto de R$ 5 como um patamar interessante e afirma que a bolsa americana negocia na média de múltiplos dos últimos dez anos. “A bolsa americana não está cara”, avalia.  

Teles concorda que a eleição abriu uma janela de entrada no mercado internacional e projeta desaceleração da economia brasileira em 2027, independentemente de quem vencer. “Você provavelmente tem o salário em reais, imóvel em reais, investimentos em reais, 100% do patrimônio atrelado ao mesmo fator de risco”, diz e justifica como motivo para dolarizar a carteira.  

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