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Arthur Vieira: Telegrama para quem aplica na caderneta de poupança

Artigo propõe reflexão sobre o quanto as maneiras de investir avançaram nos últimos anos, para além das opções tradicionais

Com Arthur Vieira

Professor de finanças, palestrante, consultor, apresentador e sócio do Clube FII

Que coisa antiquada, né? Te enviar um telegrama. Essa tecnologia foi criada em 1837 e chegou ao Brasil em 1852, tendo sido utilizada por mais de 120 anos. Hoje parece até piada, mas pode ter certeza de que o telégrafo e os telegramas tiveram muito valor no passado.

Vamos falar de finanças, claro. Mas permita-me um pouco mais de saudosismo e história.

A caderneta de poupança foi criada em 1861, por decreto assinado por Dom Pedro II. Uma revolução também para aquela época! O decreto dizia que os depósitos seriam remunerados a 6% ao ano e que seriam garantidos pelo Thesouro Federal (thesouro com th mesmo). Essa invenção também teve seus dias de glória, foi muito importante por um bom tempo. O que parece é que, nos dias de hoje, tem gente que ainda a utiliza.

Esse telegrama é sobre finanças, mas eu não vou fazer contas para te provar que inúmeras aplicações mais modernas e atuais rendem mais do que a poupança. Isso você já está careca de saber!

Provavelmente você lê essa mensagem pelo seu moderno smartphone, que está conectado à internet. Note como a comunicação avançou nesses cerca de 170 anos! Se não fosse pelo rústico telégrafo, não teríamos chegado à facilidade de compartilhar esse texto pelo whatsapp. Não podemos esquecer o passado, mas as coisas evoluem!

O mercado financeiro evoluiu muito também. De forma que hoje existem muitas opções que possuem exatamente o mesmo e baixíssimo risco da caderneta de poupança, só que rendem mais e de forma mais eficiente.

Enquanto você já está aí pensando em trocar o seu smartphone por um outro, com a novíssima tecnologia mega blaster plus, o seu dinheiro está parado lá em 1861. É isso mesmo?

Assim como o telégrafo evoluiu para o smartphone, a poupança evoluiu para produtos como o Tesouro Selic, CDB, Fundo DI e contas remuneradas. Tem mais outros tantos parecidos, como LCI, LCA, RDB. Opções não faltam.

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Uma breve conversa com quem te assessora no banco ou na corretora já será suficiente para encontrar uma boa alternativa para você. Apenas certifique-se que o investimento ofertado renda, no mínimo, 100% do CDI. Menos do que isso, só se for um dos investimentos isentos de imposto de renda.

Sobre a segurança, hoje em dia a poupança não é mais garantida pelo governo e sim pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que é exatamente a mesma garantia que possuem os produtos de bancos e financeiras, como CBD, LCI, LCA, RDB, dentre outros. E se você aplicar por uma cooperativa de crédito, terá garantia praticamente igual, oferecida pelo Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop).

Quer garantia do governo? Então a escolha deve ser pelo Tesouro Selic, esse sim conta com a cobertura do Tesouro Nacional.

Já se a escolha for por um fundo DI, não há necessidade das garantias pois o patrimônio do fundo fica separado do patrimônio da instituição administradora. Atenção apenas para a taxa de administração e dê preferência para os que não a cobram.

Ah, mas isso aí é muito complicado! Esse monte de letrinhas que eu nem sei o que significam. Pois é, seu primeiro smartphone era complicado de usar também, mas você se interessou, aprendeu e hoje tudo ficou mais eficiente na sua vida. 

A questão principal aqui é interesse e atitude. Nos dias de hoje, insistir em aplicar dinheiro na caderneta de poupança é uma espécie de procrastinação.

Fico grato pelo obséquio de vossa mercê, que se dispôs a abrir este telegrama. Mas chega de ficar no passado! Tome uma atitude e comece a cuidar melhor do seu dinheiro. Foi muito difícil conquistá-lo e ele merece mais da sua atenção.

*as opiniões do colunista não refletem necessariamente a opinião do B3 Bora Investir

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