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IPCA registra deflação em junho puxada pela queda nos preços dos alimentos

IPCA registrou queda de 0,08% no mês. É a primeira baixa da inflação em nove meses, segundo o IBGE

Apesar de parecidos, os termos inflação, deflação e desinflação significam fenômenos econômicos distintos, que o IPCA-15 mede. Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

Após nove meses consecutivos de alta, a inflação oficial do país deu uma trégua no mês passado. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou deflação de 0,08% em junho na comparação com o mês anterior. O movimento acontece alta de 0,23% em maio.

Essa é a menor variação para um mês de junho desde 2017, segundo divulgou nesta terça-feira, 11/7, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Naquele ano, a queda havia sido mais intensa, de 0,23%. Em junho de 2022, o IPCA teve alta de 0,67%.

No ano, o IPCA acumula alta de 2,87%. Em 12 meses, o país passa a ter uma inflação de 3,16%. Essa é o menor resultado para o período desde setembro de 2020 (3,14%). A alta dos preços também ficou, pela primeira vez no ano, abaixo do centro da meta perseguida pelo Banco Central (BC), que é de 3,25%.

Inflação, deflação e desinflação: entenda as diferenças

O economista da XP, Alexandre Maluf, explica que esse resultado reforça o ‘primeiro estágio’ da desinflação no Brasil. O fenômeno, puxado pela deflação em alimentos e transportes, ajuda no processo de queda dos juros no país.

“Os valores nos setores de serviços continuam muito acima da meta de inflação. Isso reforça a visão de que o Banco Central iniciará o ciclo de flexibilização cautelosamente, com um corte de 0,25 ponto percentual em agosto seguido de cortes de 0,50 ponto percentual partir de setembro, encerrando o ano em 12%”, afirma.

IPCA – INFLAÇÃO OFICIAL (MÊS A MÊS)

Queda nos preços de alimentação e transportes

A deflação dos grupos Alimentação e bebidas (-0,66%) e Transportes (-0,41%) teve o principal impacto para a queda do IPCA no mês passado. Segundo o analista da pesquisa, André Almeida, os dois grupos são o de maior peso dentro da cesta de consumo das famílias.

“Juntos, os grupos representam cerca de 42% do IPCA. Assim, a queda nos preços em ambos foi o que mais contribuiu para a deflação no mês de junho”.

O principal recuo dentro de Alimentação e bebidas veio dos preços da alimentação no domicílio (-1,07%). Entre os itens que ficaram mais baratos estão o óleo de soja (-8,96%), frutas (-3,38%), leite longa vida (-2,68%) e carnes (-2,10%). 

Na alimentação fora do domicílio houve uma desaceleração de 0,58% em maio para 0,46% em junho. A perda de ritmo veio em virtude das altas menos intensas de lanches (0,68%) e da refeição (0,35%).

O pesquisador do IBGE explica que a queda nos preços de grãos, como a soja, impactou positivamente nos valores do óleo e indiretamente nos preços da carne e do leite.

“Essas commodities são insumos para a ração animal. Um preço mais baixo contribui para reduzir os custos de produção. No caso do leite, há também uma maior oferta no mercado”, explica Almeida.

No grupo Transportes, a deflação foi puxada pelo recuo nos preços dos automóveis novos (-2,76%) e dos usados (-0,93%). “Essa redução está relacionada ao programa de descontos para compra de veículos novos”, explica o analista do IBGE.

Hiperinflação: o que é e por que acontece

Também houve redução nos preços de combustíveis (-1,85%): óleo diesel (-6,68%), etanol (-5,11%), gás veicular (-2,77%) e gasolina (-1,14%). “A gasolina, é o subitem de maior peso individual no IPCA, com 4,84%”.

No lado das altas, as passagens aéreas ficaram 10,96% mais caras no mês passado, após queda de 17,73% em maio.

Habitação e cuidados pessoais avançam

O grupo Habitação voltou a avançar em junho, com preços 0,69% mais altos. O principal impacto veio dos reajustes da energia elétrica residencial (1,43%) e da taxa de água e esgoto (1,69%).

Na contramão, ficaram os preços do gás encanado (-0,04%), por conta de reduções tarifárias, e do gás de botijão (-3,82%).

Em Saúde e cuidados pessoais houve uma desaceleração de 0,93% em maio para 0,11% em junho. O resultado ainda ficou positivo influenciado pela alta nos preços dos planos de saúde (0,38%), após o reajuste autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Núcleos de inflação ficam abaixo dos 6%

Os núcleos de inflação, medida que capta a tendência dos preços e exclui choques temporários, recuaram de 6,72% no acumulado de 12 meses até maio para 5,99% até junho.

É esse índice que tem tirado o sono do Comitê de Política Monetária na hora de definir a taxa básica de juros. Como ele capta tendências, o Copom fica de olho nesse indicador para discutir o patamar da Selic.

Veja, abaixo, as variações da inflação de cada grupo em junho:

  • Alimentação e bebidas: -0,66%;
  • Habitação: 0,69%;
  • Artigos de residência: -0,42%;
  • Vestuário: 0,35%;
  • Transportes: -0,41%;
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,11%;
  • Despesas pessoais: 0,36%;
  • Educação: 0,06%;
  • Comunicação: -0,14%

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