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Mercado eleva projeção para Selic em 2024 e 2025, mas vê inflação menor neste ano

Expectativa para Selic subiu para 9,25% no ano que vem e 8,75% em 2025, aponta Focus. Projeção de inflação em 2023 caiu para 4,63%, abaixo do teto da meta

Em meio as expectativa para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na próxima quarta-feira, 01/11, o mercado financeiro elevou as estimativas para a taxa básica de juros, a Selic, em 2024 e 2025.

Para este ano, o mercado projeta uma Selic em 11,75%. Para chegar a essa patamar, analistas acreditam que o Copom deve reduzir a taxa em mais 0,5 ponto percentual na reunião daqui a dois dias. Hoje, a Selic está em 12,75%.

Para 2024, a estimativa subiu de 9% para 9,25%; e avançou de 8,50% para 8,75% em 2025. Os dados são do boletim Focus, publicado pelo Banco Central, nesta segunda-feira, 30/10.

O economista, André Perfeito, explica que essa alteração na perspectiva da Selic nos próximos dois anos é decorrente de três fatores.

“O comportamento altista dos juros longos norte-americano; a crise internacional com efeitos difusos na volatilidade e risco; e a fala recente do presidente Lula sobre a meta fiscal do ano que vem”.

Na sexta-feira passada, 27/10, o presidente disse que “dificilmente” o governo alcançará a meta de déficit zero em suas contas em 2024. “Eu não quero fazer corte de investimentos de obras. Se o Brasil tiver um déficit de 0,5%, o que que é? De 0,25%. O que é? Nada”

A afirmação foi mal-recebida pelo mercado, que já esperava que o governo não conseguiria zerar o déficit primário em 2024. No entanto, a fala enfraquece a sua própria equipe econômica e indica que o governo pode estar disposto a mudar a meta fiscal.

“Já estava evidente há algum tempo que seria muito difícil atingir a meta, especialmente porque a agenda econômica neste segundo semestre está mais lenta no Congresso que seria desejável”, conclui Perfeito.

O economista projeta uma taxa básica de juros terminal em 10,75% no fim desse ciclo monetário, em 2024. “Se confirmada uma Selic menos baixa no ano que vem poderemos ter uma apreciação do real”.

Expectativa de inflação sobe em 2024

A expectativa de inflação para 2023 desacelerou de 4,65% para 4,63%, apontou o Focus. Com esse resultado, o índice ficou abaixo do teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,75%. A meta deste ano é de 3,25% e será cumprida se o IPCA oscilar entre 1,75% e 4,75%.

Essa desaceleração na projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acontece após a prévia da inflação (IPCA-15) perder ritmo em outubro, com um leve avanço de 0,21%, ante 0,35% em setembro.

Para 2024, a projeção de inflação subiu de 3,87% para 3,90% e para 2025, permaneceu em 3,50%. Nos dois casos, o IPCA segue acima da meta de inflação perseguida pelo BC, que é de 3%.

O boletim Focus é publicado às segundas-feiras. Foram ouvidas pelo Banco Central mais de 100 instituições financeiras até o fim da semana passada. O relatório é essencial para o investidor corrigir ou confirmar estratégias.

PIB de 2023 deve crescer 2,89%

A expectativa de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano foi reduzida pela segunda vez consecutiva, de 2,90% para 2,89%.

No 2º trimestre, a economia brasileira cresceu 0,9%, bem acima da estimativa do mercado, segundo o IBGE. Já o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que é considerado uma prévia do PIB, de agosto mostrou que a atividade começou a desacelerar no país.

Para 2024, a previsão de crescimento da economia do país pelo mercado financeiro ficou em 1,50%. Para 2025, manteve-se em 1,90%.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país. O indicador serve para medir a evolução da economia.

Dólar deve fechar o ano em R$ 5

A estimativa para o dólar no fim de 2023 ficou inalterada na semana passada, em R$ 5. Assim como para o fim de 2024, a projeção para a moeda americana ficou em R$ 5,05. Para 2025, permaneceu em R$ 5,10.

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